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A Way Out – Análise

Especificamente produzido como um multiplayer cooperativo em ecrã dividido, A Way Out é uma experiência focada na narrativa, que tem de ser partilhada com outro jogador, seja local ou online.

Produzido pela Hazelight Studios e inserido do programa EA Originals da Electronic Arts, que tem como objectivo o financiamento de pequenos videojogos independentes, chega-nos A Way Out, o segundo videojogo proveniente da mente do director Josef Fares, depois do aclamado Brothers: A Tale of Two Sons de 2012.

Especificamente produzido como um multiplayer cooperativo em ecrã dividido, A Way Out é uma experiência focada na narrativa, que tem de ser partilhada com outro jogador, seja local ou online.
No caso do co-op local, basta ter um amigo ou familiar disponível para ser o parceiro nesta aventura, enquanto que no co-op online, o jogo contém um “friend pass free trial”, permitindo que apenas um dos jogadores possua o jogo, para que o segundo jogador possa também jogá-lo. Enquanto jogador que possuía o jogo na versão PlayStation 4, falei com um amigo para ser o segundo jogador e ele apenas teve que descarregar a versão “trial” na sua consola e aguardar o meu convite in-game.

A Way Out - Análise

Numa altura em que o co-op, principalmente o local, é um modo de jogo quase extinto nas experiências que são movidas pela narrativa, A Way Out arrisca ser diferente e tem nessa obrigatoriedade um dos seus pontos positivos.

Em A Way Out, cada jogador controla um de dois presidiários; Vincent Moretti, um homem calmo e pragmático, que acaba de chegar à prisão para cumprir uma pena de quatorze anos e Leo Caruso, o lado “explosivo” do duo, que já cumpriu seis meses da sua pena de oito anos.
Inicialmente em confronto, Leo e Vincent decidem colaborar quando descobrem que ambos partilham do mesmo motivo para fugir da prisão, sendo a partir desse ponto que se desenvolve toda a narrativa e respectiva jogabilidade cooperativa.

A Way Out - Análise

A história coloca as duas personagens e, por conseguinte, os dois jogadores em situações nas quais a cooperação entre ambos é fundamental para a progressão. Durante as primeiras horas, estas situações passam quase sempre por um dos jogadores criar uma distracção junto de um NPC (personagem não jogável), para que o outro consiga obter determinado objecto ou concluir uma acção, progredindo depois para cenários onde o auxilio passa a ser directo, como empurrar em conjunto um objecto no cenário, de forma a abrir caminho, ou manobrar uma grua à qual o outro jogador está agarrado, para o fazer chegar a uma posição mais elevada do cenário, contando pelo meio com diversas perseguições a pé ou em veículos e terminando como se fosse um third person shooter.
Todas as acções cooperativas, para além de não apresentarem grande desafio, já foram vistas em outros títulos singleplayer, onde o nosso parceiro é um NPC, como tal, a jogabilidade não ganha pontos pela inovação. O ponto forte da jogabilidade em A Way Out, está no sentimento de satisfação e diversão que cada jogador obtém ao coordenar e concluir as acções em conjunto com o seu parceiro de jogo, que, por sua vez, permitem progredir na narrativa.

A Way Out - Análise

Apesar de estar recheada de clichés, como é comum em filmes e séries que nos mostram fugas da prisão, a narrativa de A Way Out é suficientemente boa para captar a atenção de ambos os jogadores até ao final, fazendo uma boa gestão e alternância entre o ritmo rápido e lento, como entrar num edifício para conhecer a família de uma das personagens e após fazê-lo, ter que escapar desse mesmo edifício numa espectacular fuga à policia, sendo este o único momento em que o jogo opta por apresentar a acção de cada personagem isoladamente e onde a acção transita entre Leo e Vincent sem qualquer tipo de corte na imagem. Uma cena digna de filme.
Aliás, A Way Out atinge todo o seu esplendor quando opta por cenas mais cinematográficas, mas é também durante algumas das mesmas que o jogo revela as suas maiores falhas, como nas perseguições em veículos, com as físicas de colisão e os respectivos controlos a mostrarem algumas deficiências.
A narrativa permite ainda que os jogadores possam optar por duas abordagens distintas em algumas situações, com Vincent a sugerir a opção mais racional e Leo a escolher o caminho mais agressivo, dando algum valor de repetição a uma campanha que dura, em média, seis horas, ainda que o resultado final seja sempre igual.

A Way Out - Análise

A Way Out não está isento de falhas e bastam alguns minutos de jogo para nos recordar que apesar de ter sido promovido como um título AAA, estamos perante um jogo independente e de baixo orçamento.
Apesar da narrativa nos mostrar, desde o primeiro momento, que Leo e Vincent são duas personagens completamente diferentes, as animações de alguns movimentos são exactamente iguais em ambas as personagens. Também no aspecto visual, o destaque gráfico foi dado somente aos modelos de Leo e Vincent, enquanto que os modelos dos NPCs e personagens secundárias foram deixados para segundo plano, acabando por sofrer de um detalhe visual fraco e repetição de modelos. O mesmo acontece com os ambientes, onde os interiores tem pouco detalhe e os exteriores, apesar de bem conseguidos em termos de dimensão e beleza, contam com alguns efeitos fracos, como é o caso do movimento da água.
Os controlos das duas personagens, principalmente nos segmentos em que a abordagem tem que ser furtiva, sofrem de alguma imprecisão, fazendo com que acabemos por ser descobertos pelo inimigo.

A Way Out - Análise

Existindo uma consciencialização de que não estamos perante um Uncharted, tanto no bom como no mau sentido, e aceitando a narrativa imersiva em simbiose com a jogabilidade cooperativa, como o principal trunfo de A Way Out, os pontos negativos apesar de estarem lá, nunca ganham protagonismo suficiente para estragar a experiência final.
Após jogá-lo, é possível compreender verdadeiramente o discurso, no mínimo, eloquente de Josef Fares nos The Game Awards em 2017, onde defendeu o seu título com uma acesa paixão, porque A Way Out é isso mesmo; é um jogo feito por paixão, onde é notório o esforço que a Hazelight Studios colocou no seu desenvolvimento, utilizando os recursos limitados da melhor forma possível e cujo objectivo principal, de entregar uma experiência diferente das que temos vindo a ser habituados, é cumprindo com sucesso.

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