PATRICK MORAIS DE CARVALHO – Porque acredito que todos os que sentem o clube colocam-no muitas vezes à frente da própria família, mas existem várias razões para a minha candidatura. Quero um Belenenses afirmativo, orgulhoso da sua história e projetado para o futuro. Nos últimos três anos, a atual direção foi inábil e, muitas vezes, pouco belenense, porque se demitiu de responsabilidades, preferindo entregar a terceiros o que devia ter sido ela a fazer. Temos o andebol e o voleibol através de “vices”. Tudo o resto está entregue em outsourcing a núcleos amigos ou a terceiros.
R – E não pode ser explicado pela situação financeira?
PMC – Chama-se a isso pouca capacidade de trabalho. Eu chamarei de novo ao clube o controlo das áreas sensíveis e nevrálgicas, porque temos uma grande equipa e uma enorme base social de apoio. Sou ambicioso, olho para a frente e não para trás. É esta cultura que quero incutir. Eu não quis ficar de braços cruzados perante o que considero ser o caminho errado que nos vai conduzir ao abismo.
R – Que medidas no imediato?
PMC – O projeto desportivo e a relação com a SAD. Reuni-me com a administração da sociedade e fiquei a conhecer necessidades e objetivos, tal como a SAD ficou a saber o que pode esperar de nós, que será a lealdade institucional, participação, espírito crítico e grande nível de exigência. Com ou sem maioria, a equipa profissional será nossa.
R – Quer dizer que não visa recomprar a SAD?
PMC – Pelo contrário. Há formas de aumentar a participação. O anúncio da recompra cria instabilidade na equipa e no balneário. Demonstra, por outro lado, uma grande pirueta desta direção depois de ter vendido e de se ter incompatibilizado. Isto confunde os sócios. Além disso, não se compra algo que não está à venda.
R – Quanto ao projeto de requalificação, vai segui-lo?
PMC – Não podemos transformar o Belenenses em projeto imobiliário. Concordo mais com a SAD, que sugere infraestruturas desportivas e não supermercados, hospitais, universidades, etc.
R – Mas o atual projeto liberta espaços para o desporto…
PMC – Os sócios já não acreditam em contos da carochinha. O meu caminho é diferente. A requalificação é inevitável, mas os terrenos terão de ser nossos. No memorando desta direção é concedida a possibilidade de ser constituída uma hipoteca sobre o nosso terreno para o The Edge Group se financiar e construir. Nunca uma coisa desta dimensão será entregue por mim por ajuste direto a nenhuma empresa. De braços dados com a SAD, vamos lançar um concurso internacional de ideias a arquitetos, que será avaliado por um júri com membros da Câmara, IPPAR, Ordem dos Arquitetos, clube e junta de freguesia. Numa segunda fase, os sócios escolherão a maqueta vencedora e, finalmente, haverá um concurso público aberto a todas os promotores imobiliários interessados, incluindo o The Edge Group, se quiser, mas com um projeto melhorado, porque este é mau e prevê uma receita abaixo do que queremos receber e está muito aquém daquilo que são os valores de mercado. Até meio do meu mandato o concurso estará lançado. R – Em suma, quais os pontos fortes da sua política para o clube?
PMC – Angariação e recuperação de sócios como nunca foi feito. Temos uma base de dados de 37 mil sócios, vamos apostar no futebol de formação, aumentando o número de escolas de futebol, vamos pacificar as relações com a SAD e potenciar a equipa principal, enquanto a requalificação será balizada pela transparência com os sócios. Queremos ficar na história do Belenenses e sabemos qual o caminho. Connosco, o Belenenses vai voltar a ganhar e as modalidades vão ser também reabilitadas.
“Preocupo-me com o clube»
R – Quem é o sócio Patrick Morais de Carvalho que quer convencer os sócios do Belenenses?
PMC – Em primeiro lugar, sou uma pessoa perfeitamente normal que se preocupa com a vida do clube. Tenho 45 anos, dois filhos e sou um advogado muito vocacionado para a área do Direito Desportivo. Possuo ainda um curso de elite em gestão de futebol profissional e sou coautor de um livro que se chama ‘‘Quem Marca este Penálti”, que versa sobre a organização do futebol português, nomeadamente no que se refere à vertente da formação.
“PER não me deixa descansado»
R – A gestão com o PER [Plano Especial de Revitalização] permite uma gestão equilibrada até o seu projeto desportivo dar receitas?
PMC – Hoje, o clube, até fruto da adoção do PER, gere-se com a suas receitas, mas não estamos descansados.
R – Porquê?
PMC – Porque há uma negociação com os grandes e pequenos credores, mas sabemos que, em paralelo, existe uma negociação privada. Só quando formos eleitos saberemos o que se passa com as despesas, as oficiais e as que foram negociadas para viabilizar o PER. Temos conhecimento de uma ou duas situações, mas provavelmente haverá mais.
“Direção viu cartão vermelho»
R – António Soares acusa a sua lista de ter pessoas que estiveram na fase mais conturbada do clube. Quer comentar?
PMC – Acusam alguns elementos de terem antecipado receitas, mas essas foram sempre submetidas a aprovação em AG. Esta direção não tem feito outra coisa que não seja antecipar receitas ou dá-las como garantidas, sendo certo que o assunto nunca foi discutido em AG.
R – Está desacreditada?
PMC – Viu um cartão vermelho na última sessão de esclarecimento sobre o projeto. A um mês de eleições apresentou uma maqueta bonita e arranjou uma empresa como bandeira eleitoral e só apareceram 24 sócios, 13 dos quais afetos à minha lista. Se eu fosse presidente, tiraria conclusões muito sérias. Autor: JOÃO PEDRO ABECASIS