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Óscar Rodrigues Vice Presidente das modalidades em entrevista exclusiva à CA

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A Comunidade Azul sentou-se à mesa com o Vice-Presidente  das Modalidades, Óscar Rodrigues ao qual queremos agradecer a sua disponibilidade ao conceder-nos esta entrevista.

Comunidade Azul (CA) – Boa noite, Óscar Rodrigues. Tomaram posse dia 1 de Novembro, como é que encontraram as modalidades do Belenenses?

Óscar Rodrigues (OR) – Boa noite, Comunidade Azul. É um prazer enorme conversarmos um bocadinho. Encontrámos as modalidades em plena actividade, um inicio de uma época desportiva muito exigente, algumas com problemas, umas mais que outras, daí a necessidade de mudarmos um bocadinho o funcionamento das modalidades. Portanto, uma das primeiras medidas, que fazia parte do programa de ação desta lista seria criar uma figura do diretor de cada modalidade, alguém responsável pela gestão operacional da modalidade e que fizesse a ponte entre o dia-a-dia da modalidade desportiva e a direção do clube. É um processo que ainda está em curso. Temos neste momento 9 modalidades além do futebol, o que traduz que o Belenenses é realmente um clube eclético e algumas, mais que outras, tiveram a necessidade de efectuar algumas mudanças. Vai ser uma época muito exigente, do ponto de vista desportivo, muito exigente também do ponto de vista administrativo e financeiro, como tal, esperamos nós da parte de todos, seccionistas, atletas e técnicos, lançar as sementes para que tenhamos um Belenenses, nas modalidades desportivas, a lutar pelo topo do campeonato.

CA – Um dos aspetos vistos no programa, era que se pretendia que as modalidades dignificassem os valores e a cultura do clube. Como é que pretende implementar os valores e a mística do clube nas modalidades?

OR – Essa é uma daquelas exigências que vamos por em cima da mesa e que vamos discutir com todas as pessoas que estamos a nomear para a administração dessas secções do clube. Em primeiro lugar, todos os atleta, técnicos e staff devem ser sócios do clube. Um sócio-atleta. Pelo valor, pelo simbolismo, pela passagem da mensagem Belenenses. Isto é um grande clube, com muita história e todos os atletas, mesmo os que passam por cá fugazmente, devem ter a capacidade de conhecer um bocadinho mais o clube. Sendo sócios-atletas, terão curiosidade de um dia irem ver jogos das outras modalidades e não uns meros passageiros, é preciso envolvê-los. Outra das exigências, ou desejos, que pretendemos, com essa transmissão do valor cultural do clube, é retomar os “heróis das modalidades”. Os “heróis das modalidades” são aquelas pessoas que singraram no clube e que transportaram a mística dessa modalidade nos campos, nos pavilhões nas pistas, em todo o lado. São os atletas ou dirigentes que salientaram o espírito Belenenses. Estamos a falar de um Espadinha, de um Hernâni, de uma Anabela Gordo, de um António Vermelhudo, de um Drula, de um Alberto Oliveira. Pessoas que estejam ligadas às modalidades dentro do Belenenses que possam vir junto dos mais jovens transmitir a mística do clube, o que é ser Belenenses. Em forma de exemplo, as nossas meninas do futebol juvenil, que estão em 1º lugar no campeonato e que, se tudo correr bem, estarão na 1ªDivisão para o ano, não conheciam o museu do Belenenses. Fomos visitar o museu e elas ficaram espantadas com a realidade do clube, não faziam ideia das conquistas, nem dos heróis do clube, como foi Matateu, Pepe, Vicente e por aí em adiante. Alguém que represente o clube, tem de conhecer a história, percebendo que estão a atuar num grande clube.

CA – Aproveitando essa ideia dos heróis das modalidades, além da apresentação dos jogadores das próprias modalidades, também está a pensar em algo como uma gala, onde possam ser premiados e apresentados esses heróis das modalidades?

OR – Em alguns casos tem vindo a ser feito. Ainda este fim-de-semana houve um almoço de homenagem ao Vicente Lucas, foi uma iniciativa espontânea de um grupo de sócios. Também durante a campanha tivemos um jantar com antigas glórias do Andebol, onde tive a honra de rever aqueles que foram também os meus heróis quando eu era criança. A questão da gala é algo importante que o Belenenses deve manter, uma ou duas vezes por ano. Uma gala de todos os Belenenses. No entanto, quando eu apresento no programa o envolvimento dos “heróis” é mais no sentido prático de virem a um treino dos infantis, juvenis ou iniciados, de forma a que eles possam demonstrar como faziam, reviver histórias e passar a mensagem. É como se fosse uma aula teórica. É muito mais marcante fazer isto num treino, com os miúdos, do que numa gala, que é uma coisa muito mais pomposa. Esta é uma das grandes medidas de forma a incutir os valores do clube, o espírito de conquista e de vitória que vai ao encontro de outro objetivo que definimos. O Belenenses tem de olhar para todo esse aspeto competitivo, mas não só, temos de ser uma escola de virtudes e de campeões. Antes de formarmos campeões, temos de formar homens. Primeiro é necessário criar essa escola de virtudes e só depois criar essa escola de campeões. Só assim é que o clube é sustentável. O modelo organizativo que eu defendo para as modalidades do Belenenses, é um modelo piramidal, que na base da pirâmide temos um grande campo de recrutamento, com uma série de miúdos. Uma vez que temos aqui inúmeras escolas à volta, temos aproveitar para os recrutar, isto uma vez que há uma inexistência de outros clubes ao pé. Há uma grande falha em termos de desporto escolar e o clube pode substituí-lo. É isso que temos de fazer, cativá-los, tratá-los bem, passar a mensagem da escola de virtudes e da escola de campeões. E, através de aumento e uma subida hierárquica nos escalões de formação, o Belenenses tem uma vantagem que nenhum outro clube tem. O Belenenses, no cimo dessa pirâmide dá a hipótese que 2, 3 ou 4 miúdos desses juniores tenham hipótese de jogar na equipa principal. Em primeiro lugar porque não temos dinheiro, assim sendo não temos possibilidade de ir buscar um estrangeiro de alto nível e temos de apostar na prata da casa. Isto traz três vantagens: a primeira é que há uma poupança a nível económico, segundo, a continuação da passagem da mística Belenenses; e depois há a terceira vantagem, que é no aspeto motivacional dos miúdos do clube que olham para um colega que no ano passado era júnior e este ano está a jogar na equipa principal, isto leva-os a crer que também podem chegar lá, isto se ficar no Belenenses. Podemos reparar que no Benfica, Sporting e Porto, não há esta promoção de jovens como há no Belenenses, em virtude de terem outros recursos económicos e poderem contratar jogadores de créditos formados.  A formação não termina aos 18 ou 19 anos, a formação é ao longo da vida. Como tal, temos essa vantagem.

CA – Um dos aspetos que o Presidente Patrick Morais de Carvalho referiu durante a sua campanha é que queria que, numa das modalidades, o Belenenses fosse campeão durante o seu mandato. Há alguma modalidade pensada em particular? Alguma que apele mais ao seu coração e que a veja chegar lá?

OR – (risos) Temos de ser muito racionais. Sou Belenenses mas sou racional. Foi uma partida que o presidente me fez. Falamos muitas vezes disso, mas em conversas pessoais. A grandiosidade do Belenenses tem de ressurgir e a melhor forma de isso acontecer passa pela conquista de um título. Quando me pergunta, em que modalidade poderemos ser campeões, se eu baixar um pouco o nível do “ser campeão”, para a conquista de um título, diria que em qualquer uma delas é possível. Não no imediato, mas nestes 3 anos. Começando pelo Andebol, esta equipa já começa a recuperar a mística antiga das equipas que foram campeãs há uns anos. No Futsal a mesma coisa. O ano passado conquistámos um 8º lugar mesmo com um dos orçamentos mais baixos. Este ano, os resultados ainda não apareceram mas vão começar a surgir.  O Voleibol feminino pode ser uma grande surpresa. O próprio Futebol Feminino, como já lhe disse, estamos à beira de uma promoção à 1ªdivisão. O Basquetebol, tem feito uma época fantástica. Ainda este fim de semana ganharam em todos os escalões. Tem sido a modalidade que mais vitórias tem trazido ao clube e que tem como objetivo, a subida à Proliga. Há ambição em qualquer modalidade. Não quero indicar nenhuma porque acho que em todas é possível isso acontecer. Umas estão mais à frente que outras mas é normal. Vamos deixar isso em aberto para que nos possamos surpreender no futuro.

CA – No programa constava que esta direção pretendia apoiar e incentivar as modalidades, infelizmente sabemos que não há muitos recursos económicos. Como é que esse apoio da direção se poderá traduzir em efeitos práticos para as modalidades?

OR – O apoio poder-se-á traduzir de forma muito simples: organização e proximidade. Há modalidades que estavam mal organizadas e que nós temos de trabalhar de forma a mudar isso. A proximidade é fundamental para as pessoas que trabalham nas modalidades para que possam sentir que o clube não pode ajudar do ponto de vista financeiro. Um dos desígnios é que as modalidades possam ser autossustentáveis de forma a permitirem ao clube organizar-se. Quando o clube estiver organizado, aí sim, já pode oferecer melhor condições de trabalho bem como o material usado. Tudo isto é essencial para as pessoas que trabalham no terreno. Para isso será essencial a figura do diretor das modalidades.  É uma figura que há anos se reconhecia e era bastante útil. Nos dias que correm, o que pretendemos fazer é que os diretores do clube tenham uma maior proximidade com a direção, algo que antes não acontecia. Fizemos uma monitorização e avaliação daquilo que era o papel das secções, vimos o que se andava a passar, analisando as dificuldades e tudo mais. Depois da monitorização, passámos à fase seguinte, que era a nomeação de pessoas para estarem à frente das modalidades. Há três requisitos base: Primeiro, ser Belenenses. Tem de existir paixão pelo clube. Segundo, perceber da modalidade.  Não se pode ter à frente da modalidade alguém que não percebe da modalidade, de forma a poder deixar a direção do clube descansada no que a esse capítulo diz respeito. Terceiro, tem de ser uma pessoa de confiança e com disponibilidade. As modalidades têm muita importância no clube, como tal, exijo que sejam bem tratadas. O processo está em andamento, houve uma hierarquização das posições que nós achávamos mais importantes e mais prementes e até agora estamos muitos satisfeitos com o papel que as secções estão a evidenciar no nosso clube.

CA – Pretendia-se voltar a englobar as próprias modalidades na nossa sociedade. Temos como exemplo a corrida “Das Salésias ao Restelo”. Há mais ideias nesse âmbito?

OR – Há sim senhor, e inclusive, alguns desses projetos, já estavam a ser feitos. O Belenenses é, neste momento, o clube com as melhores infraestruturas na cidade de Lisboa. Nós temos, cada vez mais, de nos envolver com a sociedade civil que está fora do Restelo e que tem de vir para dentro, outra vez. Não nos podemos só focar nos poucos sócios que temos. Há que chamar as pessoas, há que cativar as pessoas, há que criar uma maior envolvência com a sociedade civil.  Esse exemplo tem vindo a ser tratado em estreita relação com as Juntas de Freguesia. O Belenenses tem de ser o braço direito das Juntas de Freguesia nessa elaboração de atividades desportivas. A Câmara de Lisboa lançou recentemente, uma coisa que estava muito afastada da memória dos lisboetas, que são os os jogos da cidade: as Olisipíadas. Um dos principais fatores de sucesso das Olisipíadas é a grande participação de jovens. Para o Belenenses é muito importante ser um parceiro ativo, além de abrir as portas à sociedade civil, é uma ótima forma de cativar e recrutar novos atletas. O Belenenses tem como objetivo mostrar que é um ator ativo na vertente desportiva da cidade de Lisboa, mas também, se os miúdos tiverem jeito e gostarem, podem vir praticar essas modalidades dos Jogos da Cidade, no Belenenses. É bom para ambos os lados. Mostra para fora o que é o Belenenses e acaba por trazer mais miúdos para as atividades do clube. É este tipo de relação, com as forças vivas da cidade, que o Belenenses tem de promover. Quando a Junta de Freguesia de Belém organiza o “Belém Vólei”, com mais de 600 pessoas a praticarem nos jardins de Belém, o Belenenses tem de lá estar e tem de ser um dos principais parceiros da Junta de Freguesia. Temos uma das melhores equipas de Voleibol Feminino do país, temos de estar envolvidos. O “Belém Rugby”, também é outra iniciativa organizada pela Junta de Freguesia de Belém e na qual temos de lá estar. Não só os nossos miúdos, mas os de fora, têm de vir e experimentar. A Junta de Freguesia da Ajuda organiza uma Maratona de Futsal, a qual já tivemos aqui duas edições e até nos veio dar os parabéns pela nossa organização. É isto que temos de fazer, temos de tirar o Futsal do pavilhão e levá-lo ao contacto com a sociedade em várias iniciativas do género das enumeradas. Isto porque o Belenenses só sobrevive se renovar o seu núcleo de atletas e a sua massa crítica à volta. Trazer os pais e os miúdos para passarem a sentir cada vez mais o Belenenses e a perceberem o que é o Belenenses.

CA – O Belenenses sempre foi um clube eclético, talvez até o mais, e algumas dessas modalidades foram-se perdendo, como é exemplo do Hóquei em Patins e do Boxe. Já recebeu algum contacto para voltar a reativar alguma dessas modalidades, ou se já pensaram nisso?

OR – Essa questão é curiosa. Eu ainda me lembro, quando era pequeno, de ver aqui no pavilhão os jogos de Hóquei em Patins, era uma modalidade espetáculo. O Belenenses tinha Hóquei em Patins, teve Boxe e teve outras modalidades. Porém, convém não esquecer que algumas modalidades vão desaparecendo e outras vão surgindo. O Voleibol Feminino é uma modalidade nova, o Futebol Feminino também, depois temos o Futebol de Mesa e o Paintball que são modalidades novíssimas. As modalidades, tirando aquelas que são as modalidades mais importantes, não só no Belenenses mas no panorama do desporto português, são elas o Basquetebol, o Andebol, agora o Futsal, o Vólei menos, mas também importante, o Atletismo, o Rugby, são modalidades nacionais. O clube desenvolve essas modalidades e desenvolve bem. Com boas escolas, boa formação e alguns resultados. Há que apoiar as que temos e suportá-las. Quanto às novas modalidades, estamos sempre abertos a novas modalidades. Convém analisar se é mesmo isso que o Belenenses pretende. Outro dia apareceu aí um senhor, que é meu amigo, e sugeriu criarmos uma secção de Pesca. Eu achei piada, uma secção de Pesca seria interessante, até estamos perto do rio e temos as condições necessárias, quem sabe um dia…Não é uma prioridade, a prioridade neste momento é consolidar as modalidades que temos do ponto de vista da organização, da gestão administrativa e financeira e da formação. O futuro do Belenenses está na formação. Assim se pode ver em todas as outras modalidades. O clube só sobrevive e só voltará aos grandes palcos se tiver uma formação de qualidade. Esperamos que os miúdos que estão nas escolas e não têm  acesso ao Desporto Escolar, tenham vontade de vir para o Belenenses.

CA – Para terminar, quer deixar alguma mensagem para os Belenenses no que toca ao futuro das modalidades?

OR – A mensagem foi esta que já passei. Nesta altura da vida do Belenenses é importante haver união em torno de todos os Belenenses. Todos nós podemos dar um bocadinho mais de forma a relançar a grandiosidade do clube. O apelo que eu faço a todos é : a união faz a força. Se tivermos unidos e puxarmos todos para o mesmo lado, o Belenenses de certeza que voltará a ser grande.

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