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Muse no Rock in Rio – A histeria controlada à 15ª vez

Na primeira noite do Rock in Rio 2018 em Lisboa, os Muse foram donos e senhores das vozes dos 71 mil presentes no Parque da Bela Vista. A análise ao concerto dos Muse no Rock in Rio deste ano.


Enquanto que no Porto se festejava o São João, em Lisboa o destaque dividia-se em dois eventos: a Assembleia Geral Extraordinária do Sporting na Altice Arena e o início do Rock in Rio no Parque da Bela Vista.

Os Muse subiram ao Palco Mundo poucos minutos após as 23h deste Sábado, e sabiam a tarefa que tinham em mãos. Antes deles, já Diogo Piçarra, HAIM e Bastille tinham passado pelo mesmo palco, mas todos sabiam que a maior parte do público tinha-se deslocado ao Parque da Bela Vista num dia com muito calor primeiramente para ver os Muse. Muitas t-shirts da banda eram vistas a “passear” pelo recinto durante o dia, com muitas festivaleiros a experimentarem as novidades existentes nesta edição do Rock in Rio.

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Foto por Agência Zero

Mas chegada a hora da comunhão, todos se deslocaram para o ponto principal da Bela Vista, e os Muse pegaram na atenção do público e agarraram-na durante hora e meia, começando com a nova “Thought Contagion”, mas ainda sem causar grande impacto. Depois sim, com “Psycho” (claramente um dos maiores sucessos do último álbum lançado em 2015, “Drones”), “Hysteria” e “Plug in Baby” o entusiasmo foi gigante e poucos pararam quietos com esta sequência arrasadora e provavelmente terá sido a sequência mais “rockeira” do festival deste ano.

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Foto por Agência Zero

“Isolated System” e “Dig Down” foram as que se seguiram, e que se revelaram claramente a antítese da sequência anterior. “Resistance” foi a primeira incursão do álbum com o mesmo nome, e depois vieram dois clássicos da banda: “Supermassive Black Hole” e “Stockholm Syndrome”. Longe já vai o tempo em que a “Supermassive Black Hole” expôs a banda a um maior número de novos fãs, com a sua inclusão no filme de vampiros adolescentes, “Twilight”. De realçar o espectacular jogo de luzes e de efeitos visuais, algo a que a banda já nos habituou.

“Unsustainable”, “Madness” e “Starlight” mostram as várias tendências do pop rock que os Muse tentam alcançar desde o álbum “Black Holes and Revelations”. Matt Bellamy já se sente à vontade ao largar a guitarra e dedicar-se às tarefas vocais em alguns momentos, como no refrão da “Starlight”, em que a prestação do público foi fraca, pelo menos no local em que nos encontrávamos. A verdade é que apesar de parecer que foi ontem que os Muse passaram a um estatuto de gigantes do rock, “Starlight” já tem por exemplo 12 anos de existência, é normal já haver um gap geracional do público em relação a alguns dos clássicos da banda britânica.

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Foto por Agência Zero

“Time is Running Out” e “Mercy” abriram espaço para o encore com muitas bolas saltitantes e confettis disparados sobre o público. E no espaço de tempo até ao encore, chegamos à conclusão que tudo o que estamos a ver, já foi visto várias vezes. Este foi o 15º concerto da banda em Portugal (o primeiro tinha sido em 2000 na Ilha do Ermal), o 3º no Rock in Rio Lisboa, e a essência da banda e dos seus concertos continua lá desde o primeiro. Por muitas diferenças que tentem incutir nos álbuns mais recentes, a banda será sempre megalómana e exagerada nas suas prestações ao vivo. Quem gosta, continua a gostar, quem não gosta, não é por este concerto que mudará de opinião.

O encore chegou com “Take a Bow”, “Uprising” e “Knights of Cydonia”, outros 3 clássicos dos Muse, mas que novamente pareceram não ter atravessado tão bem as diferentes gerações de fãs da banda. Pode ter sido do local em que assistimos ao concerto, mas já vimos estas músicas dos Muse muito mais celebradas do que ontem. No público de ontem, haviam muitas famílias e muitos jovens presentes, algo habitual no Rock in Rio, e pode explicar em parte o sucedido.

Terminado o concerto, confirmamos que foi uma hora e meia bem passada e que fechou da melhor forma o primeiro dia do festival, apesar de pouco ou nada ser novo. Os Muse prometeram aos portugueses que irão voltar no próximo ano, e aí já devem trazer um novo álbum na bagagem e que poderá trazer um fôlego novo à banda.

Muse prometem voltar a Portugal no próximo ano

SETLIST:

Thought Contagion
Psycho
Hysteria
Plug In Baby
Isolated System
Dig Down
Resistance
Supermassive Black Hole
Stockholm Syndrome
Unsustainable
Madness
Starlight
Time Is Running Out
Mercy

Encore:

Take A Bow
Uprising
Knights Of Cydonia

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