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A coordenação “no feminino”

À conversa com Nuno Ferreira

Como vai funcionar este ano a coordenação a nível do futebol feminino? Qual é a sua perspectiva?
– Temos a equipa sénior que vai competir na 2.ª divisão nacional. Os objectivos estão delineados, traduzem-se na subida de divisão e chegar o mais longe possível na taça de Portugal. Reforçámos bastante o plantel. Fizemos um grande ajustamento uma vez que entraram muitas jogadoras novas. Vindas do 1º Dezembro, Futebol Benfica, Paio Pires, Sporting Club Portugal Futsal e não só. O futebol sénior está apoiado em duas novidades, duas novas apostas deste ano, nomeadamente a criação da equipa de sub-19 e a escola de futebol feminino. Contamos discutir o titulo distrital e Nacional de sub19, temos excelentes jogadoras neste escalão e por isso temos as nossas ambições. Temos um plano de treino que irá ajudar a potenciar as jovens jogadoras sustentado por níveis de intensidade elevados em todas as unidades de treino, desta forma, a equipa sénior terá sempre à disposição, caso seja necessário, atletas que vem preparadas da equipa de sub19. Outra novidade é a criação da escola de futebol feminino, onde aceitamos jovens entre os cinco e os 15 anos. Estamos já a criar uma “turminha”, onde temos algumas raparigas com 11, 12 e 13 anos. Possivelmente, se aparecerem mais raparigas dentro dessas idades, até poderemos fazer o escalão de sub-15 e entrar no campeonato distrital de sub-16. Portanto, o futebol feminino e toda a sua coordenação estão divididos neste triângulo: o futebol sénior, sub-19 e a Escola de Futebol Feminino.

A criação da equipa de sub-19 deveu-se também ao número elevado de jogadoras (40 jogadoras) que fazem parte do plantel?
– A criação da equipa de sub-19 tem um duplo sentido. Quando apresentámos o projecto à Direcção do Belenenses em Março dissemos que iríamos reforçar bastante o plantel. E nesse projecto estava a criação da equipa de sub-19, cuja perspectiva de futuro é, para além de já este ano podermos lançar as miúdas nas selecções distritais e também lançá-las nas selecções nacionais de sub-16, sub-17 e por ai fora. Queremos, de igual modo, dar-lhes competição através do campeonato distrital, e no campeonato sénior. Mas o grande objectivo, além de formar as raparigas, é no próximo ano, caso a nossa equipa sénior suba à 1ªdivisão nacional, podermos ter uma equipa B, que será uma equipa de sub-19 a competir na 2ªdivisão nacional, porque mesmo que a equipa B não possa subir, as jogadoras irão estar inseridas num campeonato mais competitivo. Assim estamos a preparar já o futuro do futebol sénior, porque nós sabemos que o Belenenses é um clube muito solicitado pelo scouting. Não digo que as jogadoras queiram ir para outros clubes de Portugal, mas tem sido frequente jogadoras nacionais irem jogar para o estrangeiro (Espanha, Itália, França etc) e eu acredito que, possivelmente no final desta época, algumas jogadoras do Belenenses terão mercado lá fora. Assim, temos que preparar também já o futuro, apostando forte nas sub-19.

Se calhar não estavam à espera que viessem tantas jogadoras este ano para o Belenenses?
– Eu tenho alguma experiência de futebol feminino, o Hugo que trabalha comigo já trabalhou no futebol Benfica, foi adjunto do Nuno Cristóvão e foi adjunto no 1º Dezembro. Eu estive para treinar o 1º Dezembro mas depois aceitei uma proposta do Canada para ingressar na academia do Liverpool, já antes tinha treinado nos Estados Unidos futebol feminino. Mas antes disso eu já tinha sido selecionador distrital de futebol feminino da AF Lisboa. Conheço muito bem o mercado e conheço as raparigas quase todas. Sei onde estão as melhores atletas e sempre mantive uma boa relação com muitas delas. Elas conhecem a qualidade do nosso trabalho. Quando o projecto Belenenses lhes foi apresentado, as jogadoras não hesitaram e decidiram apostar no nosso clube. Penso que estão contentes com a escolha feita e nós também.

É sempre bom para uma atleta representar o seu País, mas para o clube não deve ser fácil de quando a quando abdicar das jogadoras durante um ou dois meses? A equipa técnica está pronta para essa situação?
– O nosso plantel é extenso, temos muita qualidade. Obviamente para nós é sempre uma alegria quando o Belenenses consegue colocar jogadoras na selecção nacional. Desde que nós assumimos o projecto, três jogadoras nossas foram chamadas aos trabalhos da selecção nacional de sub-19: a Margarida Sousa, a Débora Sousa e a Raquel Oliveira., Neste momento são jogadoras que estão na lista do Selecionador Nacional. Tenho a certeza que muito em breve a selecção nacional de sub-16 e sub-17 virá ao Belenenses recrutar jogadoras. Agora, é claro, ficamos privados das jogadoras nos trabalhos do clube. Mas nós não estamos preocupados, porque para cada posição temos duas jogadoras, temos muitas soluções no plantel. Por isso, não nos vai criar grande transtorno a ausência das jogadoras. De resto, é bom que o Belenenses se faça representar. Para mim o máximo que um treinador pode aspirar é ajudar as jogadoras a subirem sempre mais um nível. Ficamos muito contentes sempre que elas representam a selecção nacional. Além disso, estaremos sempre disponíveis para ajudar a AFL e a nossa Federação Portuguesa de Futebol na divulgação do futebol feminino. As nossas atletas estarão sempre disponíveis para representar as Selecções

Como funciona a coordenação da vossa equipa técnica? Este ano têm mais equipas de futebol feminino, como se vê o Nuno como coordenador de toda esta hierarquia?
– Eu tive a prova da união e comunhão que existe na equipa técnica, tive um problema pessoal que não permitiu que eu pudesse estar presente fisicamente nas duas primeiras semanas da pré-época. A comunicação existente entre Direcção (Nuno Costa), Rita Wallis (Diretora da Equipa) Gonçalo Mendes (Secretário técnico), a nível técnico, tanto eu como o Hugo Bento, a Cláudia Cruz que é treinadora escolhida por nós para trabalhar com as sub-19, tem havido boa comunhão. A comunicação é boa e cada um sabe o seu lugar. Sentimos necessidade de reforçar a equipa técnica com as entradas da Joana Tilly e da Madalena Gala (2 ex jogadoras nossas da época passada) que irão trabalhar com o plantel sub19. O Sérgio Ribeiro irá trabalhar com a equipa sénior e terá como missão gravar os jogos e fazer trabalho estatístico, falta ainda referir o Ricardo Sousa, treinador do guarda-redes. Cada um faz o seu trabalho, a comunicação é feita com sucesso e não tem havido problemas ao nível da coordenação. Eu como treinador das seniores e treinador na Escola de Futebol Feminino consigo coordenar, porque posso “descansar nos meus colegas”. Quando digo descansar, quer dizer que estou descansado com o trabalho deles e sabemos que estamos cá uns para os outros.

É o seu primeiro ano como treinador do Belenenses, de duas equipas de futebol feminino. Como coordenador, quer deixar alguma palavra aos sócios e adeptos para que estes comecem a ir ver e apoiar o futebol feminino?
– Talvez o futebol feminino ainda não seja levado muito a sério. Aqui no Belenenses temos recebido bons feedbacks, as pessoas gostam de saber os resultados, mas acredito que ainda exista muitos adeptos que não sabem da nossa existência. Vamos ter de surpreender os adeptos do Belenenses. Quando digo surpreender, refiro me em tentar chegar à final do Jamor ou sermos campeões da 2.ª divisão e alcançarmos a desejada subida. Aí a equipa de futebol feminino do Belenenses irá começar a aparecer mais nos vários órgãos de comunicação social. Tenho a certeza que muito em breve iremos despertar mais a curiosidade dos nossos adeptos. Não somos uma equipa que gosta de ter mediatismo nas redes sociais por coisas que não sejam apenas a qualidade do nosso jogo, outras equipas gostam de aparecer por outras razões, nós gostamos que falem de nós como uma equipa forte e com qualidade, são estes os nossos argumentos.

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