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Análise: Vampyr

Uma sede de sangue incontrolável

Finalmente tivemos nas nossas mãos este jogo que criou um grande hype à sua volta, muito devido ao tema do jogo: “Vampiros”, que já há muito tempo vinha a criar uma sede no pun intended”, por também já há muito não sair algum jogo realmente bom neste sentido.

O Vampyr é produzido pela Dontnod, estes senhores responsáveis pela criação de Remember Me.

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Este jogo leva-nos até Londres (onde haveria de ser?) nos inícios do século 20, onde a população está a sofrer com a gripe espanhola. Esta gripe foi algo real e chegou mesmo a atingir Portugal em 1920 e em 1940, resultando em mais de 120.000 mortos nas suas duas ondas epidémicas. A segunda situação que assombrava a cidade, eram as criaturas da noite, ou seja, os Vampiros.

Neste jogo somos o Dr. Jonathan Reid, um médico especialista em transfusões de sangue, o que acaba até por ser um pouco irónico, porque também somos um Vampiro! No início, não se entende bem como isto acontece, mas com o desenrolar do jogo acabamos por ir atrás do nosso criador e ficar a conhecer um pouco melhor o que se passa.

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Este início de jogo é um pouco lento… e quem veio atrás do jogo por ter algumas parecenças com o título BloodBorne que se pode ver nos gameplays apresentados inicialmente, facilmente, em menos de uma hora de jogo, entende que aqui o conceito é completamente diferente! O jogo não tem na sua base o combate, mas sim a exploração e investigação, o que o torna bastante diferente da velocidade de Bloodborne, em que é matar, matar e… matar! Aqui o jogador pode escolher um pouco o tipo de jogador que é, se é mais para a agressividade ou se vai mais pela exploração. Mas à investigação, é algo que o jogador, ao jogar Vampyr, não vai conseguir escapar! Se és um jogador que gosta de mais agressividade, então sugiro que dês uma oportunidade ao jogo, pois a partir da segunda metade, vai ser mais do teu agrado. Porém, nunca chegando ao ritmo de um Bloodborne… nem perto. A nível da investigação, principalmente de conversa, acaba por revelar uma história sólida, mas com alguma palha a mais… o jogo tem montes de informação que acaba por te dar um background grande em relação às personagens, mas acabam por muitas delas por não serem relevantes para o jogo.

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Muitos dos inimigos que vais encontrar no jogo estão em níveis acima do teu e, neste caso, tens duas opções:

– Podes criar mecanismos de combate, de acordo com as características do teu personagem, usando o cenário como defesa. Aqui é um género “toca e foge”, muito ao nível, neste caso sim, do Bloodborne. Isto porque como não temos um escudo, então temos de usar os nossos poderes de vampiro para conseguir escapar aos golpes dos adversários. O problema é quando são vários adversários e aí, sim, a dificuldade aumenta drasticamente! Se já tiveres um skill level capaz de reagir a tempo, nunca chega a ser frustrante, acabando por conseguires eliminar facilmente inimigos, com quase o dobro do teu nível. Este nível aparece sempre que selecionas um inimigo, ao estilo dos jogos Souls, podes bloquear um inimigo na mira, um conselho, usa aqui bem o lock, até porque, em alguns casos, pode ser uma desvantagem, e ao fugir de um inimigo locked, acabas por ser apanhado por outro que te esteja a atacar também. É preciso uma certa inteligência de combate para te safares que nem um boss nos combates de Vampyr.  

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–  A outra opção que tens é estares a marimbar-te para os seres humanos e toca a matar todos os NPCs, aumentando assim o teu nível. Isto porque beber o sangue dos NPCs aumenta drasticamente a experiência, e a experiência faz aumentar o nível ao estilo do belo RPG. Podes aumentar o teu nível em safe houses, que normalmente tem uma cama para poderes passar o dia, pois como um belo vampiro que és, o sol acaba por te matar. Também há um sítio onde podes construir os teus dotes vampíricos… faz lembrar um pouco o The Last of Us ou mesmo o Evil Within, onde tínhamos uma mesa para melhorar as armas. Obviamente que eliminar os NPCs  vai diminuir a dificuldade do jogo, mas, a meu ver, também tira grande parte do divertimento do mesmo.

Continuando a falar no motor de combate, o ritmo de combate é rápido, até porque temos um pseudo teleporte que basicamente é uma esquiva, mas que serve também para subir para sítios altos. E temos uma grande quantidade armas que podemos usar, desde facas, a bastões, ou pistolas… neste caso não achei que tenham vacilado: temos realmente uma grande oferta neste departamento, havendo armas de uma ou duas mãos.

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A nível gráfico, o jogo está bonito, enquadra bem o ambiente londrino da época, acabando por pecar em duas partes.

Primeiro as expressões dos personagens são muito fracas ou inexistentes. Eu acabei de jogar o Detroit Become Human que “sofre” de um realismo brutal e, quando passo para este jogo, uma pessoa que diz que está feliz tem a mesma expressão que uma que diz que está a morrer! Podiam ter trabalho melhor isto.

O segundo aspecto é que, apesar do jogo ter um mapa até generoso, notei um pouco de repetição de cenários… nada muito escandaloso, mas podia estar um pouco melhor. A verdade é que tens, muitas vezes, a sensação de “já aqui estive” durante o jogo.

Claro que este jogo tem inúmeras influências, muitas delas nos mais conhecidos filmes de vampiros. Desde Fright Night, ao Entrevista com o Vampiro; o Vampires e até mesmo o Drácula (como é óbvio), ah… e o Crepúsculo… ahahah, estou a brincar… não tem nada de Crepúsculo, porque no jogo é só mesmo vampiros a sério!

O simples facto dele sugar ratos para saciar a tua sede, faz-me lembrar logo um filme, aliás muita coisa no jogo vai lembrar-te filmes. Principalmente os inimigos: desde humanos que caçam vampiros, aos monstros que parecem lobisomens, aos mais comuns vampiros… aqui vais encontrar um pouco de tudo.

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Resumidamente, Vampyr é um jogo baseado na sua história, é tipo aquele bolo acabado de fazer, que não podemos comer tudo de uma só vez senão ficamos mal dispostos. É antes um bolo que se vai comendo aos poucos, até ficar saciado. Tem um motor de combate muito inspirado no Bloodborne, apesar de não ser tão preciso, o que não deixa de ser bastante competente, principalmente quando a batalha não é de todo a parte mais forte do jogo. Também consegue passar bastante bem a sede de sangue do personagem, e o sistema de desenvolvimento do jogo também é bastante competente. Pena não terem adicionado mais movimentos e ataques vampíricos, pois poderiam apimentar mais um pouco o jogo e agarrar ainda mais os jogadores que apreciam mais das secções de luta.

Finalmente temos um jogo de vampiros e, na minha opinião, um bom jogo, com umas boas horas de gameplay. Da minha experiência podes demorar umas 15 a 20 horas para completar o jogo. Se quiseres optar pelo 100%, porque tens bastantes side missions, este tempo pode subir para umas 50 horas ou mais. O estúdio Dontnod fez um trabalho soberbo, com o orçamento apertado que tinham e claro que esperamos por uma sequela com outro tipo de orçamento. A verdade é que é fácil comparar Vampyr com vários títulos, porque bebe de muitos, mas difícil é encontrar um com grandes semelhanças.

8

Vampyr

  • Mf Gaming 8
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