Análises

The Last of Us Parte I (PlayStation 5) | Análise Gaming

The Last of Us Parte I é a nova tentativa da Sony e da Naughty Dog para oferecer a experiência definitiva do jogo de 2013 que marcou uma geração de consolas, aproveitando agora as superiores condições tecnológicas da PlayStation 5,

Mal foi anunciado em Junho no Summer Game Fest, a reação pública em relação a este remake de The Last of Us foi, na melhor das hipóteses, mediana. Primeiro porque o título tem apenas 9 anos de idade (nem sequer entra naquele limite mental de 10 anos que se costuma utilizar na interner para classificar se um jogo já é retro ou não), e depois porque o valor deste remake coloca-o na mesma gama de preços que qualquer outra grande produção original.

Para quem, como eu, não estava totalmente convencido com a decisão de se refazer um jogo que ainda hoje se consegue jogar muito bem (seja na sua versão remasterizada na PS4 ou na original da PS3), à medida que nos íamos aproximando da semana de lançamento de The Last of Us Parte I, a PlayStation ia comunicando todas as melhorias e alterações que o remake tinha em relação ao original, de forma a converter os agnósticos em crentes.

O que posso dizer desde já é que o tempo que passei com The Last of Us Parte I foi excelente. E as minhas dúvidas iam-se dissipando minuto a minuto. Ou seja, já não pensava no “Será que este remake faz sentido?”, mas pensava sim na diversão que estava a ter e no quão imerso estava novamente nesta trama.

Em The Last of Us Parte I somos imersos numa civilização devastada, em que infetados e sobreviventes andam descontrolados, e controlamos Joel, um protagonista combalido, que é contratado para tirar ilegalmente Ellie, uma rapariga de 14 anos, de uma zona de quarentena militarizada. Porém, o que começa por ser um trabalho simples depressa se transforma numa viagem brutal que percorre o país.

De forma resumida, sem querer estragar a história aos jogadores que irão experienciar The Last of Us pela primeira vez (e que sortudos são!), esta é a premissa que encontramos no jogo, e à primeira vista até pode parecer bastante banal, visto que nas últimas décadas não foram poucas as obras a explorar este tipo de ideias: mundo pós-apocalíptico, zombies, pessoas piores que os monstros, etc. Mas o que faz The Last of Us destacar-se das demais obras é na forma como entrega essa história. Se Uncharted é considerado por muitos como o videojogo mais próximo de uma grande produção Hollywoodesca (que o digam Tom Holland e Mark Whalberg), The Last of Us é o que de mais próximo que temos com uma obra de culto do cinema. A Naughty Dog esmerou-se e quis revolucionar na altura a forma como as personagens interagem umas com as outras e como isso impacta o jogador.

E é exactamente nesse ponto que este Remake acerta em cheio. Na autenticidade do universo em que estamos mergulhados e nas interpretações visuais e sonoras do que acontece em The Last of Us. As animações que vemos em The Last of Us Parte I são das melhores que podem ser vistas num videojogo e isso ajuda a contar a história de Joel e Ellie. Os novos modelos das personagens e as suas expressões faciais estão dentro do patamar que vimos em 2019 com o Parte II. Os movimentos subtis que as personagens fazem acabam por dar mais peso a cada cena.

Para além das personagens, também é possível observar um trabalho mais detalhado nos cenários e nos objectos presentes neste universo pós-apocalíptico americano. A comparação da vegetação do jogo original para este demonstra bem o esforço que foi feito para recriar de forma fiel o que foi desenhado para o original.

O que também foi retocado em The Last of Us Parte I foi a inteligência artificial. É possível notar que no jogo original alguns dos confrontos eram pré-definidas, devido às limitações existentes da PS3, mas que neste remake isso já não ocorre. A tecnologia de inteligência artificial é das áreas que mais tem evoluído desde 2013 e por isso a Naughty Dog agora conseguiu converter esses momentos em pré-definidos em momentos mais dinâmicos devido às novas ferramentas existentes e o hardware da PS5. Com isso o jogador muito dificilmente irá passar o jogo da mesma forma exacta como fez no original, porque os inimigos reagem consoante várias variavés que são analisadas no momento.

A experiência sonora do jogo também foi melhorada, principalmente com a utilização do Áudio 3D que ajudam claramente a acentuar o perigo ou calma que Joel e Ellie podem estar a viver no momento.

The Last of Us Parte I integra também o excelente DLC Left Behind que aborda os eventos que mudaram a vida de Ellie e da sua melhor amiga Riley, recriado de forma fidedigna.

Em relação às melhorias de qualidade de vida do jogo, temos agora muitas mais opções de accesibilidade que permitem que mais jogadores possam experiementar o jogo. Foi adicionado também um novo modo Speedrun que certamente fará as delícias dos jogadores que adoram speedruns. Para além disso também é possível mudar a roupa de Joel e Ellie neste jogo, com várias skins que referenciam outros títulos exclusivos da plataforma da Sony.

Apesar das adições que a Naughty Dog implementou neste remake ficou-me um amargo de boca por ver confirmado que não temos o modo online Factions em The Last of Us Parte I. Pelo que o estúdio já revelou, iremos ter um jogo multijogador baseado nesse modo, mas só iremos ter mais novidades em 2023. Visto que vai ser um jogo novo de raíz, não consigo entender porque não foi incluído o modo Factions neste remake, mesmo que fosse apresentado sem melhorias.

Para além disso, desengane-se quem pensa que a jogabilidade foi copiada do The Last of Us Parte II para este remake. Não é possível, por exemplo, rastejar como a Ellie consegue fazer no II. A Naughty Dog quis recriar o jogo original da forma mais fiel possível, por isso não esperem contar com algumas das mecânicas de jogabilidade do segundo jogo neste remake. Por um lado percebo, a introdução dessas mesmas mecâncias poderia quebrar o próprio jogo ou irritar alguns dos fãs mais saudosistas, no entanto acredito que esta edição teria muito mais a ganhar se oferecesse a possibilidade de jogar como no original e a possibilidade de jogar como no Parte II, criando assim novas maneiras de abordar os encontros com os clickers e ajudar nos speedruns, por exemplo. Se era fazível? Isso não sei, e por isso, apenas realço que eu gostava de ter visto isso implementado.

 

Mas é impossível ficar indiferente à questão que muitos colocam por essa internet fora: “Mas o remake vale o dinheiro dum AAA novo?”. E é uma pergunta complicada de responder. Primeiro porque o dinheiro tem valores diferentes para cada pessoa. Segundo porque não tenho conhecimento de orçamentos e relatório de contas da Sony e da Naughty Dog para claramente afirmar qual deveria ser o valor do jogo. E, por último, e mais importante, porque isso dependerá muito do jogador em questão. Dando o meu ponto de vista totalmente pessoal, o valor é excessivo. Devido ao facto de já ter jogado muito bem o jogo na PS3 e na PS4 e porque não achei as adições suficientes para me fazer sentido o valor comercial do título. Mas isto sou eu, que já joguei bem mais que uma vez The Last of Us. Mas se a pergunta for feita por alguém que nunca jogou, então a minha resposta já será no sentido de “Claro que vale a pena!”, porque The Last of Us Parte I é a melhor versão do jogo original, que por si só já era marcante.

 

 

The Last of Us Parte I é, actualmente, a derradeira forma de experienciar um videojogo que é não só uma experiência obrigatória para qualquer jogador, mas que também foi transformativo. The Last of Us é um daqueles títulos que, para bem ou para o mal, gostando-se ou não, marca uma época e é possível fazer comparações entre o antes e depois do lançamento do jogo original. Como tal, este remake, por associação, é obrigatório também. Pelo menos para quem ainda não jogou The Last of Us, para os restantes as adições e melhorias neste remake poderão não ser suficientes para regressarem a esta história. Mas verdade seja dita, The Last of Us Parte I é na sua essência um excelente jogo e o início da história de Ellie e Joel não perdeu o seu impacto nestes 9 anos de intervalo. 

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