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Tensão é o prato do dia entre SAD e clubes

Tensão é o prato do dia entre SAD e clubes
 O advento das SAD em Portugal foi causado pela necessidade de trazer mais transparência ao futebol. No entanto, a coabitação entre clubes e respetivas sociedades, quando estas estão sob “controlo externo”, tem sido marcada por relações difíceis.

Se atentarmos aos escalões profissionais, detetamos sinais de fumo em diversos clubes. E nunca há fumo sem fogo, conforme atestam os casos de Belenenses, Beira-Mar, Olhanense e Atlético, cujas relações entre clube e SAD têm-se destacado pela negativa, com acusações de incumprimento e ameaças de tribunal, enquadrados num plano desportivo de pouco vigor, futebolisticamente e financeiramente falando.

O Belenenses viveu na época passada diversos sobressaltos entre o líder da SAD, Rui Pedro Soares, e o presidente do clube, António Soares, com o projeto imobiliário do Restelo em pano de fundo. Chegado ao escalão maior, 2013/14 trouxe no Restelo uma instabilidade que a subida de divisão na época anterior tinha apagado. “Os terrenos deviam ser afetos à vertente desportiva”, afirmou Rui Pedro Soares, com o líder do clube, António Soares, a ripostar que “não devia meter-se onde não é chamado”. Eis um exemplo das relações internas do clube do Restelo.

Desconhecimento

Recém-saído da 1.ª Liga, o Olhanense não navega por águas mais calmas. O projeto desportivo do italiano Igor Campedelli valeu a descida à 2.ª Liga, após uma época que contou com três treinadores. A decisão de utilizar o Estádio do Algarve afastou os sócios da equipa – houve assistências na ordem dos 300 espectadores – e o desconhecimento do futebol nacional motivou a falta de entendimento entre os líderes algarvios. No entanto, a descida veio alterar o paradigma e os erros do passado parecem identificados para não serem repetidos.

Abundam exemplos de dificuldades nas relações entre clubes e SAD. O Atlético é paradigmático (ver peça em baixo), mas também o Beira-Mar não consegue estabilizar. A gestão de Mijad Physiar foi marcada por rivalidades e lutas internas, que só a entrada de Omar Scafuro veio acalmar. Contudo, correm processos em tribunal que envolvem burla.

Fundos estrangeiros, representantes de empresários e desfasamento da realidade portuguesa são apontados como as causas principais para as relações difíceis entre clubes e SAD, um mal que o Estoril soube contornar, sendo dos poucos exemplos de sucesso em Portugal.

Raios x às SAD em Portugal

Belenenses. O início da SAD azul não foi isenta de problemas. Na sua génese, os sócios do clube doRestelo contestaram o processo, acusando a direção de ter excedido as suas funções. A entrada de Rui PedroSoares na SAD belenense veio constituir um novo fôlego para os lisboetas, com a injeção de capital num clube que não tinha condições de honrar os seus compromissos. A convivência inicial foi pacífica – motivada pelos resultados desportivos, com a subida à 1.ª Liga – mas recentemente tem dado sinais de fragilidade, com os terrenos do Restelo no olho do furacão.

Beira-Mar. A SAD aveirense ganhou forma na temporada 2011/12, com a entrada em cena do milionário iraniano Mijad Physiar, proprietário de 85% das ações.

No entanto, a ausência do líder da SAD aurinegra do país não trazia muita tranquilidade, terreno ideal para promover lutas internas, com acusações de parte a parte sobre o projeto desportivo e infraestruturas do clube. Em março deste ano, Omar Scafuro comprou a posição do magnata iraniano e assumiu a presidência da SAD, mantendo relações mais estabilizadas com o líder do clube, António Cruz.

Olhanense. Criada em 2013/14, o ano 1 da SAD algarvia – sob o comando do italiano Igor Campedelli – foi um desastre. Uma equipa descaraterizada por inúmeros reforços e três treinadores valeram a descida de divisão, para além do afastamento dos sócios, indignados com a decisão da SAD em jogar no Estádio do Algarve. A relação entre o presidente, Isidoro Sousa, e o líder italiano foi difícil mas, no início desta época, veio o reconhecimento:“Foram cometidos erros na época passada, por desconhecimento do futebol português, que não queremos repetir”, frisou o líder da SAD.

Estoril. A SAD estorilista é dos poucos exemplos de sucesso emPortugal. Em 2009, o clube vivia em agonia e o espetro da falência era real. O empresário João Lagos assumiu os destinos e “alugou” a empresa aos brasileiros da Traffic. Com relações de extrema saúde entre clube e SAD, os canarinhos têm subido degraus no futebol português, passando da 2.ª Liga a sensação nas duas últimas épocas, com a qualificação para as competições da UEFA. O sucesso desportivo, a valorização de ativos e a consolidação do projeto desportivo fazem doscanarinhos um exemplo a reter.

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