MEO Marés: Da Weasel encerraram em apoteose uma noite para recordar
O MEO Marés arrancou esta sexta-feira em força na sua nova casa, a Praia do Aterro Norte, em Leça da Palmeira, Matosinhos. Foram os Da Weasel que fecharam a primeira noite do festival, mas antes já Dealema, Myke Towers e Plutonio tinham aquecido um recinto que respondeu em massa ao arranque da edição de 2026.
O MEO Marés escreveu, esta sexta-feira, dia 17 de julho a primeira página da sua nova história na Praia do Aterro Norte, em Leça da Palmeira, Matosinhos. Depois de várias edições em Vila Nova de Gaia, a expectativa era elevada com a mudança de recinto, mas bastaram poucos minutos para perceber que o público respondeu à chamada. Desde o final da tarde, os festivaleiros foram ocupando o novo espaço, descobrindo o recinto e enchendo progressivamente a frente do Palco MEO.
Pontualmente às 18 horas, os Dealema tiveram a responsabilidade de inaugurar o palco principal. Bastaram os primeiros versos de “Mais Uma Sessão” para confirmar que muitos dos presentes conheciam de cor o repertório da banda portuense.
Seguiu-se “Bom Dia”, num arranque que rapidamente aqueceu um recinto ainda a compor-se, mas já repleto de fãs que acompanharam Maze, Mundo Segundo, Expeão e DJ Guze desde o primeiro momento. Sem recorrer a grandes efeitos cénicos, os Dealema apostaram na força das palavras e das batidas, numa atuação onde o protagonismo pertenceu inteiramente à música.
Temas como “Escola dos 90”, “Família Malícia”, “Brilhantes Diamantes”, “Nada Dura Para Sempre” e “Paixão Que Fulmina” também não faltaram no repertório.
A pista de dança de Myke Towers
Pouco passava das 19h30 quando o público recebeu uma enorme ovação para Myke Towers, um dos artistas mais aguardados da noite. O porto-riquenho entrou em palco ao som de “DEGENERE”, lançando desde o primeiro minuto a energia que marcaria todo o espetáculo.
Sem dar tempo para respirar, seguiu-se “LALA”, um dos maiores êxitos da sua carreira. O refrão ecoou por todo o recinto, acompanhado por milhares de vozes e por uma multidão com os telemóveis erguidos para registar o momento. A festa prosseguiu com “Girl” e “Si Se Da”, que mantiveram o público a cantar e a dançar, enquanto Myke Towers percorria constantemente a largura do palco, incentivando a plateia a responder às suas chamadas.
Sem grandes pausas entre músicas, o concerto ganhou um ritmo quase frenético. “HORA CERO”, “Los Bo”, “MIB” e “BURBERRY” sucederam-se numa sequência que levou o público a acompanhar cada batida, enquanto o palco era preenchido por efeitos de fogo, colunas de fumo e visuais sincronizados.
Coube a “La Falda” fechar um concerto de cerca de hora, com confettis a colorirem o céu e o público completamente rendido. Sem recorrer a longos discursos, Myke Towers deixou que fossem as músicas a falar por si e confirmou porque continua a ser um dos maiores nomes da música urbana latina.
Tiago Ferreira/CA Notícias
Às 21h30, Plutonio entrou em palco perante uma enorme moldura humana – que não arredou pé da frente de palco apesar do frio que começava a notar-se – e confirmou, uma vez mais, porque é um dos nomes maiores da música urbana portuguesa. Recebido por uma enorme ovação, abriu o concerto com “Luxemburgo”.
Sem perder tempo, seguiu para “Lisabona” e “Casa Melhor”, que rapidamente transformou a frente do palco num coro coletivo. A energia manteve-se em alta e o rapper revisitou algumas das histórias que marcaram o seu percurso.
O momento mais emocionante chegou com “Meu Deus”, acompanhada por um mar de luzes dos telemóveis que iluminou todo o recinto. Durante largos segundos, apenas se ouviu a voz do público, que fez questão de cantar cada palavra.
“PIÑA COLADA” e “UH LA LA LA”, gravadas com Lon3r Johny, fizeram subir novamente a temperatura, enquanto a inesperada interpretação de “Alô”, de Dillaz, foi recebida com entusiasmo e surpresa pelos fãs.
Já na despedida, “Somos Iguais” tornou-se um dos momentos mais simbólicos da noite. O rapper convidou o público a cantar consigo o refrão, criando uma verdadeira comunhão entre palco e plateia. O concerto terminou com “Interestelar” e “Cafeína”, dois dos temas mais populares do seu repertório.
Tiago Ferreira/CA Notícias
Era o concerto mais aguardado do primeiro dia e isso notava-se muito antes de a banda subir ao palco. A frente do recinto encheu-se completamente durante a mudança de cenário, enquanto milhares de pessoas aguardavam pelo regresso da “Doninha”.
Quando começaram os primeiros acordes de “A Essência (Vem Sentir)”, o público explodiu numa das maiores ovações da noite. Sem perder intensidade, seguiram-se “Força (Uma Página de História)”, “Jay” e “Dúia”, mostrando uma banda em excelente forma, liderada por um incansável Pacman e por um Virgul.
Depois de um interlúdio protagonizado por DJ Glue, os Da Weasel iniciaram uma sucessão de clássicos que fez viajar diferentes gerações. “Carrossel (Às Vezes Dá-me Para Isto)”, “Dialectos de Ternura”, “GTA”, “Bomboca (Morde a Bala)” e “Casa (Vem Fazer de Conta)” foram recebidas como autênticos hinos, cantados praticamente do princípio ao fim.
A reta final elevou ainda mais a intensidade. “Re-Tratamento” fez tremer a Praia do Aterro. “O público do Norte é lixado”, disseram, sem medos.
Mas o momento mais especial estava reservado para o encore. Após uma longa ovação, os Da Weasel regressaram ao palco acompanhados por uma orquestra dirigida pelo maestro Rui Massena, que deu uma nova dimensão aos últimos temas do concerto. Os arranjos sinfónicos envolveram “Adivinha Quem Voltou”, acrescentando uma carga épica ao regresso da banda, antes de “Selectah” ganhar novas texturas através da fusão entre cordas, metais e a sonoridade característica do grupo.
O encerramento fez-se com “Tás na Boa”, numa interpretação onde milhares de vozes acompanharam cada palavra, selando uma atuação que dificilmente sairá da memória dos festivaleiros.
Tiago Ferreira/CA Notícias
Se o Palco MEO reuniu as maiores multidões, o Palco Super Bock não ficou atrás. Elisa abriu a programação com a delicadeza que caracteriza a sua voz, interpretando temas como “Medo de Sentir”, “Na Ilha” e outras composições do seu repertório.
Já perto das 23 horas, Bandidos do Cante deram um dos concertos mais singulares do dia. Misturando tradição alentejana com novas sonoridades, criaram um espetáculo onde o público acompanhou as palmas e alguns dos refrões mais conhecidos.
A fechar a noite, DJ Carolina Torres transformou o espaço numa pista de dança ao ar livre, prolongando a festa até perto das duas da manhã.
Já o Palco Comédia voltou a provar que o humor tem lugar num festival de música. Pedro Almeida, Pedro Rodas Silva e Pedro Paupério arrancaram gargalhadas logo ao início da tarde, enquanto Centro de Emprego e Guilherme Duarte apresentaram-se ao final do dia. O Palco Coca-Cola Samba encheu o recinto de ritmos brasileiros, percussão e muita dança.
Este sábado, dia 18 de julho, o Palco MEO recebe os Vizinhos, Diogo Piçarra, o britânico Seal e James, uma das bandas mais emblemáticas do rock alternativo britânico. No Palco Super Bock, atua Joana Almeirante, Bluay e Insert Coin. O humor regressa ao Palco Comédia com atuações de O Tasqueiro, Rui Pedro Martins, Inês Honrado, David Silva e Fernando Rocha.
O encerramento do festival, no domingo, dia 19 de julho, traz o dia mais aguardado desta edição. O Palco MEO junta Soraia Ramos, os irmãos Calema, o venezuelano Danny Ocean e o porto-riquenho Ozuna. No Palco Super Bock sobem ao palco Edmundo Inácio, Deixem o Pimba em Paz e Kiko Is Hot, enquanto o Palco Comédia recebe Luccas Otávio, Lourenço Nunes, Hugo Silva, João Pinto e Dagu.
Os bilhetes estão à venda nas plataformas habituais.