Informação retirada do site MaisFutebol em virtude da impossibilidade da Comunidade Azul de assistir ao jogo.
Duas formas de olhar o jogo, estilos radicalmente antagónicos, processos opostos, um ponto para cada lado. A prova, mais uma, de que não há uma ideia absoluta no futebol e que há vários caminhos para tocar o sucesso.
Belo jogo na Mata Real entre duas equipas, já se percebeu, com poucos dados em comum.
O caminho do Paços: cuidado, atraente, a privilegiar sempre a procura pelo futebol rendilhado de Diogo Jota e André Leal. Intenção de assumir o controlo do jogo e da bola, de forma a alimentar o ponta de lança Bruno Moreira.
Os pacenses reagem muito bem à perda de bola e têm um lateral esquerdo – Hélder Lopes – capaz de correr três vezes os 90 minutos. Intensidade boa, pois.
O caminho do Belenenses: organizado e racional, assente numa estrutura experiente – muito bom jogo de Gonçalo Brandão – e num meio-campo bem povoado. Atacar sim, mas através de um futebol direto e á procura da velocidade de Sturgeon e Kuca. O cabo-verdiano esteve, desta vez, desinspirado.
Tudo isto resultou num jogo riquíssimo, para todos os gostos, sempre com a dúvida devidamente regada. Nem as reviravoltas no marcador faltaram.
Marcou primeiro o Belenenses no dealbar da partida, com o longilíneo Tiago Caeiro a encostar de primeira um bom cruzamento da esquerda. A vantagem deu ainda mais sentido ao jogo do Belenenses, mas o Paços jamais abdicou da sua identidade.
De penálti, Bruno Moreira chegou ao seu oitavo golo na Liga e fez o empate, ainda numa fase inicial do jogo. Equilíbrios repostos, dados novamente lançados e nova procura pela felicidade.
Com a expulsão (justa) de Carlos Martins no início da segunda parte, tudo apontava para uma ofensiva final e decisiva do Paços. E com o golo de André Leal, a 15 minutos do fim, pensava-se que o pano correra sobre a peça e que tudo estava sentenciado.
Assim não quis o Belenenses. A jogar com dez – numa espécie de 5x3x1 -, os azuis responderam de imediato com um extraordinário golo de André Sousa: remate de primeira à entrada da área. E aí sim, acabou o jogo.
A partir de determinado momento, os homens do Restelo não quiseram jogar mais, apostaram na perda de tempo e o Paços reagiu mal. Com irritação e menos futebol do que seria desejável para quem queria vencer. Contas feitas, os caminhos de Paços e Belenenses foram dar ao mesmo ponto. Um para cada lado.