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North Festival: Europe provam na Maia que o rock está longe do prazo de validade

O segundo dia do North Festival confirmou o sucesso da sua nova casa, na Cidade Desportiva da Maia, este sábado, ao reunir um público multigeracional. O cartaz ficou marcado pela elegância calorosa da brasileira Liniker, os veteranos The Waterboys e a energia contagiante dos Europe, que fecharam a noite em apoteose com o clássico “The Final Countdown”.

North Festival: Europe provam na Maia que o rock está longe do prazo de validade
Tiago Ferreira/CA Notícias

Se o primeiro dia do North Festival serviu para testar os cantos à nova casa na Cidade Desportiva da Maia, este sábado foi o dia da confirmação absoluta. O recinto encheu-se cedo de um público heterogéneo: casais jovens de sotaque brasileiro, veteranos do rock com t-shirts gastas pelo tempo e famílias inteiras prontas para passar o testemunho às gerações mais novas.


A tarde começou a desenhar-se sob o signo da descoberta. O Palco JN Rock à Moda do Porto foi o ponto de encontro para quem quis apoiar o talento emergente. Os Vulcões Semi Porreiros, os Pilot e os Times of Trouble não se fizeram cerimónias e entregaram atuações energéticas, colhendo aplausos de uma plateia que soube valorizar a prata da casa.

Liniker foi a primeira artista a subir ao palco principal pelas 20h20. Por esta hora, o sol ainda espreitava timidamente sobre o relvado da Maia, mas a atmosfera aqueceu instantaneamente. A cantora brasileira arrancou com “Caju”, tema que dá nome ao novo álbum, lançado em 2024 e que conta com as parcerias de Anavitória, Melly, Lulu Santos, Pabllo Vittar e Tropkillaz.

A voz de Liniker, grave, aveludada e capaz de extensões vocais impressionantes, ecoou pelo recinto com uma clareza cristalina. Seguiu-se “Tudo” e “Calmô” recebida com os primeiros passos de dança de um público rendido à elegância dos arranjos. Liniker dialogou constantemente com a plateia, expressando a sua felicidade por cantar em Portugal e transformando o concerto num espaço seguro de afeto e afirmação.

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Tiago Ferreira/CA Notícias

Com a noite já instalada, os veteranos The Waterboys trouxeram a herança mística do rock britânico dos anos 80. Liderados pelo eterno “capitão” Mike Scott — de chapéu e pose de trovador—, a banda escocesa não precisou de artifícios visuais para prender a atenção: a música e a poesia das letras trataram de tudo.

A abertura com “Don’t Even Have To Say His Name” funcionou como um rastilho instantâneo. Seguiram-se canções como “Where the Action Is” e “Glastonbury Song”, que destacou o virtuosismo do pianista da banda, num autêntico festim de boogie-woogie. “How Long Will I Love You?”, “Medicine Bow” ou “This Is the Sea” não faltaram no alinhamento.

O concerto avançou com uma cadência perfeita. Mike Scott, cuja voz mantém a mesma rugosidade poética e desafiadora de sempre, guiou a banda por caminhos mais experimentais antes de desbravarem o caminho para o hino maior.

Quando os primeiros acordes de piano de “The Whole of the Moon” ecoaram, gerou-se um momento de pura catarse coletiva. Milhares de braços ergueram-se e o refrão foi cantado com uma força que arrepiou até os menos confessos. Despediram-se do North Festival, deixando o palco lavado em aplausos e a promessa cumprida de um rock que não envelhece.

North Festival: Europe provam na Maia que o rock está longe do prazo de validade
Tiago Ferreira/CA Notícias

Os cabeças de cartaz da noite tinham uma missão clara: fechar o segundo dia em modo de celebração absoluta de estádio. E os Europe não falharam. Longe de serem um mero exercício de nostalgia, os suecos apresentaram-se na Maia como uma das bandas de hard rock mais em forma da atualidade.

“On Broken Wings” e “Rock the Night” abriram as hostilidades do concerto, mas a musculada “Walk the Earth” ficou claro que o guitarrista John Norum vinha disposto a dar uma lição de solos pesados. Mas os olhos do público estavam postos em Joey Tempest. O carismático vocalista correu o palco de ponta a ponta, saltou, interagiu com as primeiras filas e mostrou uma forma vocal invejável em temas rápidos como “Sign of the Times” e “Hold Your Head Up”.

O concerto teve espaço para todas as dinâmicas. A balada “Carrie” foi um dos momentos mais bonitos da noite. Seguiram-se as cavalgadas sonoras de “Superstitious” e “Cherokee”, preparando o público para o inevitável final. Às primeiras notas de “The Final Countdown”, a Cidade Desportiva da Maia tremeu. O hino gerou saltos, abraços e um coro ensurdecedor que pôde ser ouvido fora das portas do recinto, encerrando a noite com uma descarga de adrenalina pura.

No dia 07 de junho, último dia do festival, será dedicado às guitarras e às atmosferas mais densas, começando logo às 19h20 com a energia do rock nacional dos Linda Martini. Às 20h50, os escoceses Mogwai tomam as rédeas do espetáculo com as suas imponentes paisagens sonoras de pós-rock, preparando o público para o momento mais aguardado do festival: o regresso dos históricos The Cure, liderados por Robert Smith, que sobem ao palco às 22h45 para fechar mais uma edição.

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Europe e The Waterboys lideram segundo dia do North Festival

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