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NÉLSON RENASCE EM BELÉM

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Há uma estrela em Belém que guia os passos de uma jovem e destemida equipa de futebol. Não é a estrela da sorte, embora a sua companhia se revele animadora e determinante. É a estrela do talento que, amiúde, faz a diferença nos resultados que a equipa tem conquistado. E, além do talento, a experiência de alguns jogadores é uma espécie de auxiliar de memória num jogo que se define pelas rotinas. Por exemplo, Nélson. Quando foi contratado pelo Belenenses, generalizou-se a ideia de que o internacional português viria terminar a sua carreira a Portugal e tinha escolhido Belém como um navio, saído de uma tempestade, procura um porto de abrigo. Essa é uma das falsidades que o tempo costuma derramar nos caminhos mais ínvios. A de que um jogador não se pode relançar aos 32 anos de idade. A carreira de Nélson é um fulgurante desmentido. Há vida futebolística depois dos trinta anos. No Belenenses, Nélson está a renascer e todos os sonhos ainda são possíveis. É o que confirma um dos laterais mais polivalentes do futebol português numa entrevista exclusiva ao site da Makefoot.

Pergunta – Quando chegou ao Belenenses sentiu a desconfiança das pessoas de que regressava a Portugal para iniciar a curva descendente da sua carreira?

Nélson – Estamos todos habituados a isso. Quando um jogador dobra os trinta anos, generaliza-se a ideia de que entrou em declínio e que não permitidos os mesmos sonhos que a um jogador de vinte anos. Então se interrompemos uma carreira internacional, nos melhores campeonatos do Mundo e regressamos ao nosso país, então é porque estamos mesmo a meter os papéis para a reforma…

P – É assim que se sente, um pré-reformado do futebol?

Nélson – Pelo contrário. Sinto-me na minha segunda adolescência futebolística. No Belenenses, sinto que renasci para o futebol e principalmente sinto que tudo ainda é possível. Recuperei a alegria de jogar, de treinar, daquele dia-a-dia de um jogador de futebol.

P – Os seus últimos anos não foram fáceis…

Nélson – Exactamente por isso, decidi que precisava de uma pausa, precisava de um sítio onde pudesse recuperar a alegria, o entusiasmo. Nos últimos anos, com lesões, com perdas pessoais muito dolorosas e com a injustiça das pessoas, que senti na pele, fui perdendo esse entusiasmo, aquele empolgamento que precisamos para treinar e para jogar. Precisava de voltar à casa de partida e isso seria voltar a Portugal.

P – Porque é que escolheu o Belenenses, que é um clube a tentar restabelecer-se como um dos mais representativos do país?

“Assinar pelo Belenenses foi a melhor coisa que podia ter acontecido.”

Nélson – Exactamente porque me identifiquei com esse desejo de reabilitação. Porque eu também procurava reabilitar-me e escolhi o Belenenses porque senti que seria o casamento perfeito.

P- E foi o casamento perfeito?
Nélson – Mesmo sabendo que não há casamentos perfeitos, sinto que não podia ter escolhido melhor. Assinar pelo Belenenses foi a melhor coisa que podia ter acontecido, já que encontrei aqui o ambiente de que precisava para recuperar o gosto pelo futebol. Essa foi a minha primeira grande conquista no Belenenses.

P – Mas não vai ficar por aqui?

Nélson – Claro que não. Tenho a mesma ambição que os meus colegas, muitos deles ainda jovens e cheios de garra. E com muito talento. É uma coisa que constato, que há muito talento neste plantel e nesta equipa. E uma vontade enorme de vencer.

P – Surpreende-o muito a carreira que a equipa tem protagonizado?

Nélson – Um bocadinho. Não estava à espera que a equipa estivesse no quarto lugar da classificação, nesta altura do campeonato. Porque tem muita juventude, embora o talento esteja lá. Quando assinei pelo Belenenses ninguém me disse que o objectivo da equipa seria andar nos lugares de cima do campeonato. Mas sabia que seríamos uma equipa muito difícil de bater.

P – O seu companheiro de equipa, Matt Jones disse, numa entrevista publicada num diário desportivo, que o Belenenses pode ganhar a qualquer adversário. Concorda?

“Lito Vidigal passa muito bem a sua mensagem.”

P – O seu companheiro de equipa, Matt Jones disse, numa entrevista publicada num diário desportivo, que o Belenenses pode ganhar a qualquer adversário. Concorda?

Nélson – Claro que concordo. Eu acho que sei o que ele quis dizer. Este plantel tem o entusiasmo e a garra suficientes para lutar pela vitória em qualquer campo e contra qualquer adversário. Nisso, estamos completamente de acordo. Sabemos que há equipas melhores do que a nossa mas para nos vencerem terão de dar o seu melhor. Por isso, também acho que podemos ganhar a qualquer adversário, no campeonato. Sem dúvida.                           

P – Ainda não falou do treinador e da sua intervenção…

Nélson – Porque estava à espera que me perguntasse…

P – Então, o que acha da intervenção de Lito Vidigal como treinador do Belenenses?

Nélson – Tem sido decisiva. Tem uma forma de passar a mensagem que os jogadores compreendem e aceitam. Uma liderança muito tranquila mas muito definida. Todos sabem quem é que manda e sobretudo todos acreditam naquilo que nos está a ser pedido. Não é daqueles treinadores que precisa de gritar com os jogadores para afirmar a sua autoridade.

P – O plantel percebe o que o treinador lhes pede, portanto…

Nélson – Não só percebe, como executa. Como disse, existe muito talento nesta equipa e neste plantel, mas é um talento que ainda procura o seu espaço no futebol e que precisa de alguém que possa explicar as coisas com clareza. É isso que define o trabalho de Lito Vidigal, a forma clara como explica aos jogadores o que pretende deles. A mensagem passa de uma forma que é aceite por todos.

P – Sabe que, no início da temporada, não houve grande alinhamento entre o treinador e a SAD em relação aos jogadores contratados…

Nélson – Mas isso é um assunto que não diz respeito aos jogadores. Não sei se houve ou não alinhamento. O que sei é que a SAD cumpre com as suas obrigações e o treinador trata toda a gente da mesma forma, sendo justo e coerente. O que nós percebemos, no balneário, é que todos contam. E isso é o mais o importante na forma como se pretende construir um grupo. Somos um grupo forte, unido e temos uma liderança que todos aceitam.

Fonte: Makefoot

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