Muito antes das transferências milionárias, dos salários luxuosos, dos empresários de futebol. Muito antes da seleção entrar em campo todos os meses, dos jogos da Liga à noite e da febre dos novos ídolos, vazios de conteúdo e personalidade moldável ao dinheiro que lhes pagam ao final do mês, existiu Matateu.
Matateu, Sebastião Lucas da Fonseca. Tudo nele era força.
Lembramos Matateu com saudade, o jovem Moçambicano que em 1951 rumou ao CF”Os Belenenses” e que três semanas depois marca dois golos ao Sporting na vitória por 4-2.
Em 291 jogos no Campeonato Nacional, Matateu marcou por 217 vezes.
No tempo em que não havia Eusébio, Matateu era a figura de proa do panorama futebolístico português. Tanto que foi considerado pelo Pantera Negra como o seu ídolo.
Matateu, infelizmente, não teve o mediatismo das estrelas portuguesas que vieram a seguir. Não por ser do CF “Os Belenenses”, como muitos teimam em dizer, mas sim porque os meios de comunicação eram escassos e rudimentares no seu tempo. Não havia televisão na altura. Mesmo hoje é muito difícil termos acesso a imagens de Matateu a jogar. Esse facto por um lado, jogou contra Matateu, por outro lado foi a seu favor: dentro do mediatismo permitido naquela época, Matateu rebentou a escala.
Um jornalista inglês chamou-o de Oitava Maravilha, aquando de um jogo da seleção portuguesa.
Infelizmente, dada a minha idade, nunca o vi jogar, mas o meu avô contava-me imensas histórias dele.
Descrevia-o como um monstro, corria ao minuto 90 como se o jogo tivesse acabado de começar, tinha um pontapé de levar tudo à frente.
Bebia sempre a sua “cervejinha” ao intervalo, e talvez fosse isso que fazia com que aguentasse os 90 minutos.
Tenho pena, muita pena, de não o ter visto jogar, essa oitava maravilha, no tempo em que as estrelas jogavam pela cor da camisola, não do dinheiro.