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Crítica: “Mãe!” (Mother!)

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O mais recente filme de Darren Aronofsky,  da Paramount Pictures, estreou esta quinta-feira nas salas de cinema portuguesas e é uma montanha-russa de metáforas, emoções e dúvidas.

Começando pelo início, o filme traz-nos a história de um casal que vive uma existência aparentemente idílica num paraíso isolado. A dada altura, o relacionamento entre os dois é testado quando outro homem e outra mulher surgem inesperadamente e interrompem aquela que parece ser uma vida tranquila. À medida que mais e mais convidados chegam, a mulher é forçada a rever tudo o que sabe sobre amor, devoção e sacrifício.

Como já tinha mencionado na antevisão, o filme é de extremos, ou se gosta ou não se gosta, o problema é saber em qual dos grupos estamos. É um filme um tanto controverso, mas que traz temas grandes e importantes para a sociedade de hoje em dia. Um dos grandes temas abordados ao longo da história, para quem estiver atento, são as grandes massas que se formam, seja à volta da religião ou à volta de um escritor de quem se gosta muito, ou seja à volta de uma grande vitória ou de uma grande perda.

Ao longo das duas horas de filme, são-nos apresentadas inúmeras metáforas, que estão extraordinariamente bem conseguidas, principalmente, por nenhuma personagem ter um nome. Em nenhum momento ao longo do filme, ficamos a saber o nome de uma personagem, o que leva as metáforas a outro nível, principalmente se quisermos mergulhar naquilo que é a religião actualmente.

Podemos dizer, que o filme é um mergulho em águas profundas, num momento estamos na superfície a boiar pacificamente como de repente, no momento seguinte vamos até ao fundo sem percebermos muito bem o que se passou, entrando logo a seguir numa tempestade que acaba por nos levar a bom porto no fim. A história começa calma, mas mal aparece o primeiro visitante começa a mudar e a partir daí é possível aos espectadores, começarem a ver que há mais ali do que parece.

Javier Bardem está fabuloso no filme, mas a grande protagonista é sem margem para dúvidas Jennifer Lawrance que transmite aos espectadores todas as emoções que está a sentir sem precisar de falar. Conseguimos ver a sua alegria, a sua dúvida, o seu sofrimento e a sua tristeza e desilusão na perfeição.

É, em suma, um filme bem conseguido, que nos traz uma mensagem muito fácil de perceber, a dificuldade é encontrar as pequenas mensagens que se escondem em cada detalhe do filme. É preciso uma mente aberta para o ver e não ter expectativas criadas. No fim, segue-se um período de reflexão, em parte para percebermos se gostamos ou não, mas também para ver se conseguimos encontrar todas as pequenas mensagens que nos são dadas.

Infelizmente, nos últimos 30 minutos de filme, há um enorme exagero nas cenas, que na minha opinião era desnecessário e é um tanto despropositado, mas, tirando isso é um bom filme com uma boa mensagem, que não irá deixar ninguém indiferente. No entanto, avisamos que talvez seja boa ideia ter a mente aberta antes, durante e após o filme, uma vez que Aronofsky não é o realizador mais fácil de compreender.

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