Crítica Cinema – “Colette”

Um filme realizado por Wash Westmoreland.

“Colette” é realizado por Wash Westmoreland, que realizou “Still Alice” em 2014. Neste filme traz-nos a história de Colette, uma mulher que depois do casamento se viu obrigada a escrever para o seu marido, mas sem revelar que era ela a escritora. Depois de atingir o sucesso, encontra finalmente uma voz e revela que é ela a criadora da personagem Claudine, que se tornou um modelo a seguir para todas as raparigas que liam as suas obras.

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O grande ponto alto deste filme é o regresso de Keira Knightley aos cinemas, em mais um papel que lhe encaixa na perfeição. Knightley entrega-se por inteiro a este papel e apresenta-se aqui numa das suas melhores interpretações de sempre. Também Dominic West tem uma excelente prestação, mas ainda assim fica um pouco na sombra da protagonista.

Este é um filme cheio de glamour, com cenários deslumbrantes e um guarda-roupa bastante bem pensado e adaptado a todos os momentos desta história. É interessante pensar nas alterações a nível de vestuário que a própria Colette apresenta, consoante o sucesso e o poder que vai ganhando.

Ao longo do filme, temos uma clara transformação na personagem principal. Este torna-se, então, um filme sobre a identidade de género, a orientação sexual e também sobre a emancipação da mulher e a busca por um estatuto de igualdade. Ao mesmo tempo que aborda temas tão importantes e controversos, apresenta sequências com algum humor, que resultam bastante bem.

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A coerência do filme é também um ponto a favor. A história está bem contada e sem pontas soltas. Temos sempre indícios que sustentam as grandes revelações. No entanto, existem alguns sub-plots que se tornam menos interessantes e que apenas servem para desacelerar o ritmo do filme.

O facto de “Colette” apresentar o processo de escrita da criação de Claudine também é bastante interessante, pois temos a presença de elementos suficientes para este filme ser uma homenagem à literatura, aos escritores que escreviam na sombra de alguém e também é um filme perfeito para todos aqueles que adoram ler.

O resultado de “Colette” é um filme bastante equilibrado e coerente, que sabe quando podem existir momentos de humor, não se tornando forçado, e, acima de tudo, com grandes prestações.

Crítica Cinema – “Colette” - CA Notícias
Crítica Cinema – “Colette” 1
“Colette” é um filme realizado por Wash Westmoreland, que traz o regresso de Keira Knightley aos cinemas no papel de Colette, a célebre criadora de “Claudine”, um sucesso da literatura.
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4
80%

Colette

Depois de se apaixonar e casar com o autor e editor Henry Gauthier-Villars (Dominic West), mais conhecido por “Willy”, Sidonie-Gabrielle Colette (Keira Knightley) troca o campo pelas ruas e salões artísticos da Paris do virar do século XIX. Colette começa logo a trabalhar na editora de Henry, onde se torna um dos seus escritores fantasma. Quando Colette publica a série “Claudine”, romance semiautobiográfico que definiria um novo tipo de arquétipo – o adolescente -, a obra torna-se um sucesso e uma sensação cultural. Com isto, Willy e Colette tornam-se um casal celebridade da Belle Époque, mas a recusa de Willy em reconhecer a autoria de Colette leva ao fim do casamento de ambos. Colette esforça-se por alcançar a sua liberdade e voz artística, vindo a tornando-se numa das figuras mais celebradas da literatura francesa, e escrito dezenas de obras, entre as quais Chéri (1920) e Gigi (1944), que viria a inspirar o filme de Vincente Minnelli e o musical da Broadway. Colette seria nomeada para o Prémio Nobel da Literatura em 1948.
  • Joana Maria

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