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Crítica – Chama-me Pelo Teu Nome

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Chama-me Pelo Teu Nome é realizado por Luca Guadagnino e é mais um dos filmes da época de prémios deste ano, caminhando em direcção aos Óscares. Uma história apaixonante, com um argumento que ousa quebrar algumas regras e uma realização bastante interessante. Este é, sem dúvida, um dos melhores filmes da época, com potencial a ganhar o prémio da academia.

Algures no norte de Itália, a história de Elio e Oliver é contada como se se passasse num paraíso isolado, onde elementos históricos, artísticos, intelectuais e simbólicos enriquecem o espaço, tanto a nível estético como em termos de storytelling, dando sentido ao que acontece. A presença constante da história e da arte, através de estátuas da época clássica que representam a anatomia masculina de forma artística, reforçam as simbologias sexuais e a força erótica que caracteriza o filme, explorando a carga erótica nas mesmas obras. Os pêssegos, o sumo de pêssego e a árvore que cria este fruto servem de símbolo sexual de desejo, quase como as maças de Adão e Eva, para além de representarem a homossexualidade.

Estes elementos, sempre associados aos protagonistas, em conjunto com imagens belíssimas que captam na perfeição a atmosfera italiana e a influência de uma natureza viva, rica e fértil, dão ao filme um ambiente bastante envolvente e cativante, sendo quase como um paraíso, como referido anteriormente. A fotografia do filme é, por isso, belíssima, utilizando o melhor da estética destes elementos e das paisagens italianas, conferindo uma paleta de cores recheada de tons fortes.

O argumento é bastante interessante. Arriscando mudar um pouco as regras da narrativa, o filme não possuí uma estrutura demasiado definida. Vários são os momentos em que o argumento se limita a representar um momento quotidiano pura e simplesmente pela sua beleza, ainda que com os seus elementos simbólicos, como explicado no parágrafo anterior. As personagens vivem tranquilamente à deriva, com o calor do Verão de 1983 que exibe corpos e trás ao de cima desejos escondidos, da mesma forma que se levantam do fundo do mar as estátuas afundadas. Por vezes, o enredo não progride pois há intensão de representar uma vida quotidiana sem grandes acontecimentos, e a forma como esta ideia é utilizada, vem intensificar a presença do erotismo e da sexualidade no filme.

Tudo isto é enaltecido por uma realização muito boa por parte do italiano Guadagnino. Em conjunto com o argumento da autoria de James Ivory, baseado no romance de André Aciman, é contada uma história apaixonante de forma original, organizada e económica.

É também importante falar da utilização da música nesta longa metragem. Escolhidos de forma cuidada, os ritmos dos anos 80 preenchem o filme de forma divertida, permitindo que as letras das músicas expressem o estado emocional das personagens, mencionando o que realmente querem dizer, mas que se sentem inibidos para o fazer. Ainda que o clima e o ambiente que se vive os soltem, há ainda uma certa necessidade de discrição.

Chama-me Pelo Teu Nome é um dos preferidos na corrida aos Óscares. Com um tipo de cinema bastante rico em elementos artísticos e simbólicos, a história de Elio e Oliver é contada como se se passasse num paraíso isolado, de forma envolvente e apaixonante. Com uma atmosfera erótica, o cenário italiano é filmado de modo a enaltecer o seu modo de vida e a sua beleza visual. O argumento não segue uma estrutura rígida, nem tem pressa em contar a história. Vários são os momentos banais representados, com o único propósito de mostrar uma vida quotidiana onde as personagens se encontram à deriva, deixando os seus corpos expostos ao calor e os seus desejos à flor da pele. Um filme belíssimo que nos dá a sensação que estamos mesmo no Verão de 83, em Itália.

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