Crítica: Bohemian Rhapsody (2018)

Um filme de Bryan Singer

Bohemian Rhapsody é o novo filme de Bryan Singer, sobre o percurso da emblemática banda britânica Queen e da vida do vocalista Freddie Mercury, aqui interpretado por Rami Malek. 2 horas e 14 minutos de puro entretenimento para os maiores fãs da banda, mas que não chega a verdadeiramente a mergulhar nos acontecimentos, oferecendo uma história resumida e superficial.1 (1)

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A ascensão do grupo e a sua reunião triunfante na véspera do Live Aid, onde Mercury guiou a banda por uma das maiores actuações da história do rock, é relata em paralelo ao estilo de vida corrosivo do cantor. Durante todo este processo, o músico que desafiou estereótipos e quebrou convenções para se tornar um dos artistas mais amados do mundo, luta contra uma doença mortal. O enredo tenta ser épico e passar mensagens de união, conquista e amor à música de forma divertida, mas falha no mais importante: a substância.

Torna-se evidente uma certa dificuldade em explorar a fundo a carreira da banda. O argumento apresenta uma estrutura narrativa que em vez de assumir um ponto de vista diferente e olhar para a banda de forma mais minuciosa, resume os momentos mais importantes da carreira dos mesmos e compila alguns dos seus êxitos mais marcantes. A montagem é rápida e abrupta, impedindo o desenvolvimento de um ritmo fluído e coeso, acabando tudo por ser apressado e superficial. Algumas piadas vão sendo introduzidas de forma aleatória, para criar um tom de entretenimento, mas acabam por ser desnecessárias, pois evidenciam a superficialidade do filme.1 (2)

A actuação do Rami Malek é muito boa. Este consegue dar vida ao músico de forma bastante carismática, enaltecendo as suas emoções, a sua forma de ser e os seus maneirismos. Esta é, provavelmente, a melhor característica do filme, que certamente vai conseguir agradar os fãs da banda por todo o mundo, oferecendo a oportunidade de ouvir os temas mais conhecidos no sistema de som das salas de cinema. Apesar de tudo, o enredo não deixa de ser divertido, mas não consegue ser mais do que isso.1

Bohemian Rhapsody é um filme cativante, que conta uma história que provavelmente muitas gerações terão interesse em ouvir. Contudo, não consegue ir a fundo no enredo a que se propõe, não explorando acontecimentos e emoções da melhor forma. O argumento e a montagem desenvolvem uma narrativa com pouca coesão, que acaba por resumir a carreira dos Queen, de uma forma superficial, que torna evidente que muito ficou por contar.

60%
Bohemian Rhapsody é uma celebração vincada da banda Queen, da sua música e do seu extraordinário vocalista Freddie Mercury, que desafiou os estereótipos e quebrou as convenções para se tornar um dos artistas mais amados do mundo. O filme conta a história por detrás da ascensão brutal da banda através de suas canções icónicas e som revolucionário. Relata também a quase implosão da própria banda graças ao estilo de vida corrosivo de Mercury, e da sua reunião triunfante na véspera do Live Aid, onde Mercury, lutando contra uma doença mortal, guia a banda por uma das maiores atuações da história do rock. E durante este processo, cimentando o legado de uma banda que sempre foi uma família, e que continua a inspirar sonhadores e amantes da música até hoje.
  • Miguel Ângelo

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