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Antevisão: Quando a bola é o menos importante

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Há momentos na vida em que a isenção é complicada. São-nos postos cenários dantescos de destruição, de desgraça e de uma desolação tal que, seja quem for, não consegue colocar-se à margem. Quanto mais perto, mais se sente. É a lei da vida, a lei do ser humano. Na última semana, a região Norte e Centro de Portugal foi devastada pelos incêndios que, mais uma vez, voltaram a causar perdas incalculáveis. De vidas. Sobretudo de vidas. Não apenas das que se perderam naqueles dias, mas das que também se desmoronaram. Em poucas horas o que foram anos de trabalho, suor e investimento foram reduzidos a cinzas. O negro tomou conta do que outrora foi verde e a desgraça assolou este “cantinho à beira-mar plantado”. Não é tempo de apontar o dedo, uma vez que nem dez mãos chegariam para o fazer. É tempo de ajudar. De perceber que o que foi não volta, mas o que está tem de resistir. Nestas alturas, tudo é secundário. É assim com a política, com a religião e com o futebol, três dos maiores porta-estandartes do quotidiano português. A união é a chave mestra que abre um horizonte ainda enublado, mas possivelmente azul. E foi essa união que faltou, foi essa pouca consciência que pesou e foi essa mesquinhez que ditou – pela enésima vez – que a instituição Belenenses ficasse mal vista.

A Belenenses SAD recusou adiar o jogo deste Domingo frente ao Tondela, região que também foi devastada pelo fogo e que, por esse motivo, os jogadores não foram capazes de treinar em condições. Sejam as razões que forem, se a bola não rolasse Domingo, rolaria para a semana, ou para a outra. A solidariedade não. Essa vai-se perdendo, esfumando. Sobretudo quando não se aproveitam oportunidades para dar as mãos em torno da mesma causa. As desculpas podem existir, as atenuantes nunca serão demais para “inglês ver”, mas o verdadeiro acto está feito. O que se seguiu são “politiquices”. Aproveitamento da situação (como também o fez o Clube Desportivo Tondela), tentativa de esmorecer o acontecimento, ou sucessivos comunicados que só são vistos quando se está entre “a espada e a parede”. Tudo serviu para adensar uma guerra que já vai longa e à qual não se avizinha fim. No fundo, a verdadeira catástrofe passou para segundo plano e tudo o que sobrou foi o nome de uma instituição quase centenária colocada na lama por uma administração que gere o seu futebol profissional. A maior parte dos  adeptos do Belenenses não se revêem, nem se reverão nunca em tomadas de posição similares à referida.

A bola rolará Domingo. O Belenenses procurará os 3 pontos e, assim que o apito inicial se der, tudo deve ficar para trás. Para a história fica um dia em que se voltou a colocar os interesses desportivos acima da solidariedade. É o que fica do que passa.

Esta antevisão foi diferente. As condições assim o exigiam. Os acontecimentos assim o ditaram. O site sempre primou pela isenção e pela defesa do que se acredita. Os valores, esses, continuam intactos e nenhum jogo de futebol fará alterar isso.

Um singelo depoimento e os melhores votos de um futuro menos ensombrado pela desgraça para todas as vítimas dos incêndios em Portugal.

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