Belenenses e Paços de Ferreira. Duas equipas para analisar. Sendo diferentes, vejo mais qualidade no Paços a meiocampo e mais no Belém no ataque. O jogo do Paços é mais “trabalhado”. Ou seja, exige taticamente mais aos jogadores. Dentro dum 4x4x2 clássico (com Seri na recuperação e passe, soltando mais Sérgio Oliveira) não pede, por princípio, largura aos alas e faz de Minhoca quase uma “reencarnação tática” do Josué do Paços de épocas atrás, na forma como também procura jogo interior e surge entrelinhas a fazer passes para os avançados.
O facto de, desde a sua primeira época no Paços, Paulo Fonseca ter mudado o sistema de 4x2x3x1 para 4x4x2, mas mantendo os princípios-bases de construção, mostra como um modelo de jogo pode viver em diferentes sistemas. Na dupla de ataque, nota para a mobilidade adaptada a terrenos centrais de Hurtado, que antes jogava na faixa. Deu uma mobilidade com desmarcação que o ataque não tinha muitas vezes na finalização das jogadas. OBelenenses não é tão forte no seu duplo-pivô à frente da defesa, mas tem melhorado a saída de bola, onde arrisca menos o passe de primeira instância (que, falhado, apanhava a equipa desequilibrada). O onze cresceu a partir da ligação com o ataque e a qualidade deste. Fredy, Miguel Rosa e Surgeon.
Os três são capazes de jogar em qualquer espaço a toda a largura, no centro ou na faixa. Não mudam a sua essência, nem ficam piores ou melhores. É raro isto acontecer numa equipa com três jogadores que jogam em trocas posicionais numa mesma linha. Na frente, a 9, Deyverson não pára de crescer, na cultura de movimentos e remate. É desta matéria que é feito o bom futebol. Boas ideias e jogadores inteligentes para as aplicar. Em qualquer dimensão. Clubes grandes ou mais pequenos. Tudo taticamente proporcionalmente adaptado.