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Sérgio Godinho falou-nos um pouco de “Nação Valente” e do gozo que o processo criativo lhe dá

Sérgio Godinho falou-nos um pouco de “Nação Valente” e do gozo que o processo criativo lhe dá

Sérgio Godinho regressa aos originais depois de “Mútuo Consentimento”, em 2011. Com 72 anos, Sérgio continua um entusiasta pela música e pela literatura e continua a mostrar a todos o quão bom é a fazer boa música. “Nação Valente” chegou às lojas hoje, dia 26/01 e é o novo disco de originais de Sérgio Godinho.

O seu discurso é fluído e deixa logo transparecer o entusiasmo e a felicidade que sente com este seu novo trabalho, que nos deu a conhecer um pouco melhor ao longo da nossa entrevista. Godinho afirma que é o processo criativo que lhe dá mais gozo fazer e que não existe nada melhor do que poder sentir as vibrações do público durante os seus concertos.

Leiam abaixo a entrevista em exclusivo à CA Notícias e saibam mais sobre Sérgio Godinho e do seu novo álbum, “Nação Valente”:

CA Notícias (CA) – Em “Grão da Mesma Mó”, podemos refletir sobre “ser um exemplo”, o Sérgio sente o peso de poder ser considerado um exemplo para outros?

Sérgio Godinho (SG) – Ninguém é exemplar, temos de jogar sempre de acordo com os nossos valores e com a nossa educação. Eu não quero ser um exemplo para ninguém, isso transmite um espirito de missão, demasiada responsabilidade, isso não está no meu ADN, não faz parte de quem eu sou.

(CA) –Nação Valente” é um reflexo da imagem que tem de Portugal?

(SG) – É um desejo e uma afirmação de que somos um povo valente e quero muito que sejamos uma nação que se possa orgulhar de si mesma. A música “Nação Valente” é uma canção que expõe o pós troika, expõe o viver acorrentado a algo e ainda os problemas que ainda não estão resolvidos. Mas em geral, é uma canção muito positiva e é um disco muito positivo, mas eu tenho uma visão positiva, sou sempre um otimista.

(CA) – O que há de novo neste novo álbum e o que há do Sérgio Godinho a que estamos habituados?

(SG) – Bem, do Sérgio há um universo muito pessoal e a voz, como é óbvio. Para além disso, quis fazer parcerias e tornar os universos deles meus, sentir que as canções se tornaram minhas. Foi um projeto desafiante e muito interessante. É sem dúvida um disco muito pessoal meu e os artistas com quem trabalhei consideram que as músicas se tornaram de facto minhas.

(CA) – Voltando a “Grão da Mesma Mó”, podemos considerar a música uma referência aos partidos políticos, uma vez que podem ser considerados “farinha do mesmo saco”?

(SG) – Não creio que possa ser vista só assim. É uma canção da vida, de valores e de interrogações, e as respostas estão em quem a ouvir. É quem a ouve que se vai interrogar, pensar e depois tirar as suas conclusões sobre ela.

(CA) – Com tantos anos de carreira, e tantos sucessos, o que o motiva a continuar a fazer tão boa música?

(SG) – O que me motiva é o meu gozo de criar, eu sou uma pessoa extremamente criativa, adoro o processo criativo e criar algo novo. Sou muito exigente comigo mesmo, adorei o processo de escrita do meu livro, tenho gozo em estar nos palcos em concertos. Quando estou em palco posso partilhar algo meu com o público e sentir a sua vibração, assim como o público sente a nossa vibração, e digo nossa porque eu trabalho com mais músicos. Esse processo todo é o que me dá mais motivação e mais gozo em continuar.

(CA) – Não fica cansado de tocar os seus grandes êxitos nos concertos, para ir ao encontro das expectativas do público?

(SG) – Vou deixando repousar um ou outro sucesso entre concertos, mas é sempre um enorme prazer. Um concerto deve-se fazer com músicas novas mas também com os sucessos que acabam por ser intemporais. Para mim é sempre um enorme gosto partilhar com o público ambas as músicas.

(CA) – Músicas como “O Primeiro Dia” atravessam gerações atrás de gerações, como é que isso o faz sentir?

(SG) – As músicas como essa falam de nós como pessoas, falam de emoções que vivemos e de interrogações que fazemos, acabam por ser músicas mais genéricas. Como acabam por ser músicas mais próximas, fazem sentido em todos os momentos e em todas as épocas, são intemporais. Vão indo e vão vindo consoante os momentos que vivemos ao longo da nossa vida.

(CA) – Já conta com mais de 45 anos de carreira, começa a pensar em afastar-se da música, ou ainda é cedo para isso?

(SG) – Acabei de fazer um novo disco que é a prova de que não penso em afastar-me da música tão cedo. Este trabalho está a ser muito bom, estava a sentir falta e é a música que me dá gozo e depois os concertos.

(CA) – Diz em “Grão da Mesma Mó” que ainda há muito para fazer. O que considera que lhe falta fazer, depois da música e da literatura?

(SG) – Ora bem, fiz um segundo romance e estou agora a revê-lo e deverá sair durante este ano. Entretanto com o lançamento do meu disco, as divulgações e promoções tenho menos tempo para o rever, mas aos poucos vai indo. Também vou começar com os ensaios e os concertos. Mas eu quero estar sempre dentro de caminhos criativos, preciso de estar sempre presente nesses caminhos, é o que me dá mais prazer e às vezes parece mesmo que chega a ser uma necessidade física.

(CA) – Como têm sido as reações a “Nação Valente” até agora?

(SG) – Têm sido muito positivas, as melhores mesmo. Os críticos estão super entusiasmados com ele e têm dado notas muito positivas ao disco. Os meus amigos que já tiveram oportunidade de ouvir também têm gostado muito. Estou muito contente por isso.

(CA) – Em sete anos, este é o seu primeiro disco de originais. Sente-se feliz e otimista com este regresso aos originais?

(SG) – Depois de terminar o meu novo romance, senti que já estava a precisar disto e então decidi mergulhar com todo o empenho. Achei que este era o momento ideal para o fazer. Estou muito contente com o resultado final.

(CA) – Quando escreve músicas como “O Primeiro Dia” consegue imaginar logo o impacto que vão ter?

(SG) – Não, acho que sinto que a música deu certo, mas ao longo da história da música não há linhas que nos indiquem o que vai ser bom e o que vai ser mau, vão surgindo sempre surpresas. No entanto, com o “Primeiro Dia” senti que ia no caminho certo e que iria ser uma excelente música. Às vezes escrevemos músicas e conseguimos ter logo a perceção de que vão ser um sucesso, mas essa perceção nem sempre está presente e por vezes acabamos por ser surpreendidos.

(CA) – Está ansioso pelos concertos que já tem marcados no Capitólio, em Lisboa e na Casa da Música, no Porto?

(SG) – Estou sim, vai ser o momento em que vou poder levar as canções ao público, vou poder partilhar e sentir as vibrações com o público. Até agora o trabalho foi no estúdio, foi a compor e foi na promoção do disco. Nesse momento vai ser a altura de a levar para o público, de partilhar com o público o meu trabalho, que tanto gozo me deu a fazer. Estou muito entusiasmado com os concertos, com mostrar as nossas vibrações e sentir as vibrações do público.

Sérgio Godinho vai estar nos Armazéns do Chiado, em Lisboa no dia 02/02 para um concerto grátis, às 18:30 que terá também uma sessão de autógrafos. Podemos depois contar com mais quatro concertos, dois em Lisboa, nos dias 23 e 24 de Fevereiro, no Capitólio, e dois no Porto, nos dias 3 e 4 de Março, na Casa da Música.

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