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Da Rocha descreve o seu primeiro álbum como um misto de emoções

Da Rocha lançou o seu primeiro álbum e falou CA Notícias sobre o seu projeto.

Com apenas cinco anos fundou a sua primeira banda, começa a estudar Musica no conservatório a partir dos 6 e aos 12 escreve a sua primeira letra.  DA ROCHA é músico e compositor. Inspirado pelo RAP, Hip pop e R&B, lança este ano o seu primeiro álbum, um trabalho coeso e atual que conta com as colaborações de Rita Cruz e Bambino, nomes incontornáveis do panorama musical português.

O álbum “Erro Ortugráfico” conta com 11 músicas, onde a batida sensual é da responsabilidade de Beatoven, Holly Hood e Here´s Johhy, os mesmos produtores de trabalhos de artistas como Jimmy P., Regula ou Diogo Piçarra.

Da Rocha descreve o seu primeiro álbum como um misto de emoções

CA Notícias (CA): Como descreves o teu álbum, “Erro Ortugráfico”?

DA ROCHA (DR): Como descrevo o meu álbum…hum…um misto de emoções muito fortes contadas na primeira pessoa. Como eu costumo dizer, é um disco para se ouvir da 1 às 11 e não de outra forma, pois o CD conta  uma história;então desde as letras ao tipo de produção, este disco só faz sentido se for ouvido na sua totalidade e não como “singles” de música solta. Este é o meu primeiro álbum, já gravei mais de 100 músicas e sempre tentei apelar à consciência e à procura do som perfeito mas até hoje nunca o encontrei nem o consegui fazer. Sou super perfecionista no que toca ao que amo e, neste caso, a música. Poderia ter feito um álbum clássico de Boom Bap, é a minha praia, no entanto considero-me mais que rapper (com o maior respeito ao rap, sendo a minha terra mãe), considero-me músico e quero sempre superar a minha fasquia. Quem me quiser ouvir a fazer rap tem a mixtape “Segredo Dos Deuses” que lancei em 2014, quem me quiser ouvir cantar noutro tipo de produção tem o “Erro Ortugráfico” (assim como posso aparecer num CD de Rock ou qualquer outro estilo musical…eu amo música). Este álbum está completamente focado em histórias de amor transcritas para folhas e pautas. Posso assegurar que está um disco de amor para a atualidade de 2017.

CA: Que influências tens?

DR: Tenho milhentas. Tenho 28 anos e, desde muito novo comecei a ouvir rap. Consumi quase todo o Rap português de 94/95 a 2017, ao mesmo tempo muito rap francês e espanhol. Sempre ‘curti’ muito Jazz, Funk, Soul, Blues, Rock. Enfim, sempre ouvi todo o tipo de música e artistas, desde Dr. Dre a Ray Charles, de Nina Simone a BIG, Guns and Roses, Eric Clapton, Mos Def, Talib Kwely, Nas, Nach, Orichas, Soprano, Sefyu, Psi4,  Xutos e Pontapés, Rui Veloso, Mayra Andrade, Dino, Dealema, Sam, enfim…milhentos. Em 2008 vim morar para Lisboa fazer e estudar música e som, nessa altura conheci muitos colegas de profissão e fomos trocando experiências e vivências. Isso fez crescer muito a minha música e este álbum. No entanto, aprendi muito sobre a História do Rap na margem sul com “Pais Grandes” e isso influenciou muito o meu pensar acerca do rap e do seu significado. A veracidade deste trabalho juntamente com toda a musicalidade, são influência dos meus 28 anos de vida.

CA: Como começaste neste ramo musical?

DR: Comecei muito cedo na música. Com 5 anos tive uma banda de garagem com os rapazes da escola 4 (hahaha). Com 6 anos fui para o conservatório aprender viola e piano, canto e educação musical. Com 12 anos escrevi a minha primeira letra e, nunca mais parei de escrever até aos dias de hoje. Em 2004 comecei a gravar os meus primeiros sons no velho Covil, tinha um grupo que se chamava “Puro Sentimento”… mas uns queriam mais que outros e a coisa acabou por não se dar (amigos até hoje!!). Comecei a descer para o Algarve até que fui para lá… Entre Portimão e Quarteira conheci rappers fenomenais. Comecei a sair nas mixtapes férias no Algarve e em 2004 os Factos Reais também fizeram umas mixtapes onde saí com uns sons. Em 2005 juntei-me ao Suarez, e fomos com o “Visão De Um Estranho” para a estrada. Tocamos até 2009. Em 2008 lancei o meu primeiro EP de Originais “Asma – Fantasma”. Quando vim para Lisboa em 2008  conheci outra tanta gente boa que me influenciou a este percurso.

CA: Quais foram os trabalhos que fizeste anteriormente que te levaram a editares o teu próprio álbum?

DR: Não foram trabalhos anteriores que me levaram a tomar esta decisão. Este disco poderia ter sido “apadrinhado” por duas editoras, no entanto os timings delas não eram os meus. Estaria numa lista de espera de quase dois anos, coisa que eu não queria. Então decidi fazer edição de autor (prejudicando-me ou não…). Hoje em dia com a Internet só não faz quem não quer (feliz e, infelizmente). Depois tive duas promotoras, mas preferi seguir sozinho a parte da promoção. Mato o porco, levo-o para o talho, no talho corto-o, levo-o para o restaurante, no restaurante faço uns lombinhos com um molho incrível e umas batatas a murro, depois do prato feito levo-o à mesa acompanhado de um bom vinho, depois volto para o balcão para tirar a conta e ainda passo a fatura. Faço-me entender?!

Da Rocha descreve o seu primeiro álbum como um misto de emoções

CA: Porquê o nome Da Rocha?

DR: Ui…nunca ninguém me tinha perguntado essa…toda a gente me chama Bicas. Quando era puto queria ser Rocha como o meu pai…Então eu ia para o café do largo com ele e toda a gente me chamava “Bicas” (da parte da mãe). Eu detestava que me chamassem Bicas e, como é óbvio “apertavam” comigo (estamos a falar de quando tinha 3 ou 4 anos…)…tanto me chamaram Bicas, que, certo dia um dos sábios do café chamou-me Rocha e aquilo suou-me mal…”-Não sou Rocha, sou Bicas” disse…
Em 2011 o velho Rocha faleceu na oficina onde trabalhava, com 1,75€ no bolso e uma chave com um corta-unhas como porta chaves, infeliz da vida que teve e do trabalho que tinha…do que não me conseguiu dar como qualquer pai sonha para um filho… Foi nesse dia que decidi que só faria música. Morra pobre, morra rico, ao menos posso dizer que morro feliz e fiz o que quis toda a minha vida. E vou levá-lo comigo nesta viagem. Então, para o meu primeiro álbum, tenho o nome do meu pai.

CA: Como foi a tua vida, até te aperceberes que querias só viver da musica?

DR: Como a de qualquer jovem da minha geração…Tinha escola, fazia judo, natação, atletismo…cresci em Beja, no Alentejo e ali as crianças andavam na rua a brincar, todos nos conhecíamos …a minha vida antes de decidir ser músico era super “saudável”, mas soube desde os 15 anos que levaria a música comigo para a vida…

CA: Quais os músicos com quem mais gostaste de trabalhar?

DR: Tirando um ou outro, todos. Aprendi muito com o Suarez e o SP.

CA: Quais são os que gostarias de trabalhar?

DR: Cheguei a uma fase da minha vida que não tenho interesse em trabalhar com muita gente…queres que conte outra vez a história do porco? Mas nunca se sabe…

CA: Como foi a participação da Rita Cruz?

DR: Com a Rita foi e é tudo muito natural. É o meu braço direito em tudo o que faço, na música e fora dela, então é tudo muito fácil.

CA: E o Bambino?

DR: Com o Bambino aprendi muito. Temos 7 sons gravados, só saiu um no meu álbum…os outros estão na lista de espera a ver o que fazemos deles…O Bambino é um dragão do Rap que infelizmente as escolas de hoje desconhecem. Isto é, muita gente que hoje faz rap não sabe sequer quem é o Bambino ou o legado dele,.O Bambino é um leão de palco com 40 anos e muitos de 20, não conseguem ter o mesmo suor e dedicação. Estamos a falar de um dos homens mais humildes que conheço e com maior amor à música, assim como um dos rappers mais incompreendidos da atualidade. O Bams não é só o “Não sabe nadar”, é a história do Rap em Portugal. Foi e é uma honra poder trabalhar com este senhor.

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