E à terceira foi mesmo de vez. Quando na antevisão nos referimos à sabedoria popular para dizer que: “à terceira é de vez”, também parece correcto dizermos que “a cavalo dado não se olha o dente”. E não olha, mesmo! Um golo quase caído do céu num jogo em que o Tondela acabou por se superiorizar ao Belenenses em várias fases do jogo. A sorte que faltou em tantas jornadas do ano passado, sorri agora à turma de Julio Velázquez, que enfrenta assim a paragem do campeonato com um novo alento concedido pela grande arrancada de Gerso.
O “onze” apresentado pelo timoneiro “azul” não espantou ninguém. Face às opções de que dispunha, era expectável que optasse por esta equipa inicial. Gerso talvez devesse ter sido titular em vez de Sturgeon e a opção pelo duplo pivot com Palhinha e Rosell não resultou. De todo. O Belenenses desde logo mostrou ao que vinha: à procura do erro do adversário. Uma estratégia diametralmente oposta à exibida a temporada passada, os homens do Restelo optaram por um jogo muito mais directo queimando várias etapas da fase de construção de jogo. O Tondela esteve por cima e criava perigo pelos seus extremos, com especial incidência em Wagner, que pôs a cabeça em água aos defensores azuis que, muitas vezes, andaram aos papéis perante o brasileiro. No meio-campo era notório que Rosell estorvava Palhinha e vice-versa. A manutenção do duplo-pivot defensivo prejudicou a construção de jogo a partir de trás e o jogo interior da equipa. Era muitas vezes Miguel Rosa que levava a equipa para a frente pegando no jogo no meio e visando a baliza. Tanto a meio como na ala, Rosa foi a unidade em maior destaque na equipa azul nos primeiros 45 minutos. Andric tentou segurar jogo e tabelar com os companheiros, mas teve sempre muito desapoiado no último terço. De salientar dois remates perigosos do Belenenses e uma perdida clamorosa de André Sousa que não aproveitou o brinde de Pica. As equipas foram para o intervalo com o Tondela por cima e a procurar o golo com mais intensidade e soluções.
No regresso dos balneários Dinis Almeida fez a sua estreia pelo Belenenses substituindo o lesionado, Gonçalo Brandão. Logo no início da segunda metade, Wagner trocou as voltas a Dinis e ia fazendo o golo. O Belenenses aproveitou para ganhar um maior entrosamento e moldou-se melhor à equipa do Distrito de Viseu, ainda que sem grandes resultados práticos. O jogo passou a estar mais dividido com a equipa visitante a dispor de algumas ocasiões de ataque, mas não muitas. As bolas paradas eram, sem dúvida, o maior foco de perigo criado pelos jogadores do conjunto lisboeta. Algumas tentativas com remates de longe que não surtiram grande efeito. Andric viria a lesionar-se – aumentando assim o lote de jogadores entregues ao departamento médico – e Vítor Gomes aproveitou para fazer a sua estreia. Sturgeon passou para o centro do ataque e o 4-3-3 manteve-se. Só com a entrada de Gerso, jogador veloz e criativo, é que o Belenenses conseguiu aproveitar o balanceamento para o ataque da turma de Petit e o facto do jogo estar partido. Foi após um passe de Vítor Gomes e a desmarcação rápida do 10 dos “azuis” que, após o cruzamento do mesmo, Sturgeon – a meias com o jogador do Tondela – viria a fazer o resultado final. Depois do golo, só deu Tondela. Mais ocasiões de golo, mais qualidade nas transições e mais posse de bola, que só não resultaram em golo porque Hugo Ventura não deixou. O guarda-redes do Belenenses engatou e fez uma belíssima exibição salvando a equipa por diversas vezes. Até ao fim, deu para os adeptos visitantes sofrerem muito e para Domingos Duarte ser expulso.
Com esta vitória Julio Velázquez pode respirar fundo e aproveitar o balão de oxigénio caído do céu. Porém, se o Belenenses almeja realizar uma época tranquila, é bom que o técnico espanhol aproveite esta paragem para melhorar – e muito! – a prestação da equipa que parece amorfa, sem ideia de jogo e com pouquíssimas soluções ofensivas.