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Opinião: No centenário da FPF, três décadas foram de João Silva

Opinião: No centenário da FPF, três décadas foram de João Silva

É facto que os jogadores são vistos como os principais, por vezes os únicos, protagonistas do desporto rei. Mas o futebol vai muito além disso.


O futebol é feito de adeptos,adeptos ferrenhos,treinadores de bancada. É feito de passes, remates, fintas, “reviengas”, bolas na barra, golos no último minuto, defesas fantásticas e corações aos pulos durante um penalti.

Mas o futebol também é feito de pequenos génios, fora dos holofotes da ribalta. Pequenos não por serem inferiores em relação aos grandes que pisam o relvado, mas sim pela importância social que a sociedade lhes dá.

Um desses pequenos génios era, sem dúvida, o Mestre João Silva.

João Silva, antigo massagista do CF”Os Belenenses” e da seleção Nacional, está, impreterivelmente, relacionado com a FPF: integrou a comitiva da seleção do século no mundial de 66, foi ao México 86 e viu, do banco, em Riade, sermos campeões do Mundo sub-20.

João Silva era brilhante, amava o próximo com uma subtileza e humildade que lhe era característica. Gostava, amava, o que mais fazia.

Infelizmente não tive o privilégio de privar com o Mestre, nisso invejo o meu pai.

O meu pai foi atleta do nosso clube em Rugby, durante a década de 80. Conhecia – o tanto do departamento médico do nosso clube, como era seu vizinho. Fala dele como uma pessoa de uma bondade extrema, de uma dedicação que hoje em dia, infelizmente, não se vê. Inúmeras foram as lesões que o meu pai teve, mesmo já não sendo atleta do clube. Recorreu sempre ao Mestre. Que sempre recusou receber alguma recompensa pelo bem que lhe fazia.

Fazem falta pessoas como João Silva: dedicado, solto de qualquer interesse além do bem dos seus atletas. São pessoas como essas que nos deixam saudades e nos fazem crer que conseguimos ter um mundo melhor, tanto desportivo como Humano.

João Silva é uma daquelas figuras que conseguiram, com as suas atitudes, com a sua dedicação ao outro, livrar-se da lei da morte.

Na altura, na 4a feira, na Gala do Centenário, não percebi porque não o homenagearam, mas hoje, com distanciamento de causa, começo a perceber: há pessoas, que pelo que fizeram, que pelo que deram ao outro, pela marca que deixaram, não precisam de prémios para serem lembrados diariamente.

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