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Microsoft Flight Simulator (PC) | Análise Gaming

Microsoft Flight Simulator levantou voo ontem e aterrou nos nossos computadores. Fique a conhecer a nossa análise a este jogo que nos permite recriar o prazer de pilotar um Boeing 727.

Análise feita por: Pedro Loureiro (It’s a Pixel Thing)

Não posso simplesmente recomendar o Flight Simulator, porque sei à partida que mais de 70% dos jogadores eventualmente interessados nele não o vão poder correr com a qualidade e performance demonstrada por essa internet fora em modo “ultra”. Mas, se realmente estiverem desesperados por um novo Flight Simulator e o quiserem jogar já neste preciso momento, ou terão de possuir um PC extremamente potente, ou deverão correr à loja de informática mais próxima para investir num SSD exclusivamente dedicado a este jogo (e aos que se avizinham), aumentar a quantidade de RAM do sistema, talvez uma nova gráfica e, quiçá, um novo processador. Ah! E uma ligação de fibra ótica para internet de alta velocidade também é aconselhável.

Flight Simulator sempre foi uma espécie de benchmark, um jogo que iteração após iteração fazia os jogadores de PC começarem a pensar em upgrades para as suas máquinas. Com o novo Flight Simulator essa tradição mantém-se. E com o aproximar a passos largos da nova geração de consolas, algo como o Flight Simulator tinha que entrar em cena e mostrar que o PC também está preparado para se equiparar, e até superar, as novas máquinas da Sony e da Microsoft.

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Vindo das mãos da Francesa Asobo Studio, que nos trouxe jogos como o Fuel (2009) e A Plague Tale: Innocence (2019), Flight Simulator é uma experiência incrível para se ter num computador. O realismo, a imersão e a profundidade de jogo oferecem uma quase infinita longevidade que muitos jogadores nunca sentiram, apesar da sensação de voar e de estar aos comandos de máquinas voadoras tão díspares sempre ter estado presente em anteriores títulos da franquia. O original Microsoft Flight Simulator, lançado há quase 38 anos, era destinado apenas a entusiastas, mas nota-se que, ao longo destas quase quatro décadas, a série lentamente abriu as suas asas para abranger um público mais vasto.

Para os mais novatos e/ou curiosos, a Asobo fez um excelente trabalho em tornar tudo tão simples ao ponto de podermos desfrutar do jogo num modo quase “arcade”, com diferentes níveis de dificuldade e uma extensa lista de parâmetros de ajuda que podem ser desativados à medida que vamos melhorando as nossas habilidades de voo, hora após hora. Sim, porque neste jogo, até o tempo voa!

Este é um título para ser experienciado, para ser vivido. Aqui não há competição nem o “passar de nível”. O tutorial é extenso, mas não ao ponto de causar exaustão. Prepara o futuro piloto para o que o espera, desde viagens, passando por exploração do gigantesco mundo de jogo e aterragens complicadas. Por falar em mundo gigantesco, a tecnologia implementada neste novo Flight Simulator foi construída a partir do motor de simulação do anterior, o Flight Simulator X, mas obviamente com bastantes melhorias. Este motor usa imagens de satélite ou capturas aéreas como base para a altura e dados das texturas dos terrenos. Estes são povoados com os mais diversos materiais e objetos através de uma IA totalmente dedicada à geração processual. Claro está que artistas de carne e osso também deram o seu contributo em locais específicos, como zonas históricas, capitais, locais turísticos ou famosas paisagens naturais.

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O mundo inteiro está à nossa espera. Todos os aeroportos existentes estão presentes, até aqueles mais remotos no interior de florestas tropicais, onde 40 foram recriados à mão. E algo que me trás imensa satisfação neste jogo é a arte de aterrar aviões. E foi por aí que comecei, completar todos os desafios relacionados com aterragens. Depois vem a imensidão de possibilidades que se abrem, a de viajar em tempo real para qualquer parte do mundo, passando pelos locais mais exóticos do planeta, com condições atmosféricas reais e com tráfego aéreo também ele real. Estamos perante mais de dois petabytes (2.000 terabytes) de dados em que a nossa ligação à internet é usada tirando proveito do “poder da nuvem” da Microsoft e da sua própria tecnologia Azure. Sobrevoar locais como o complexo das pirâmides de Gizé, a cidade perdida dos Incas de Machu Picchu, a cidade maia de Chichén Itzá, os templos de Angkor Wat no Cambodja ou até o arquipélago de Ko Phi Phi na Tailândia é algo que me enche as medidas e que Flight Simulator permite com uma qualidade e precisão de tirar a fôlego.

Ainda em relação ao clima, este é simulado de acordo com dados reais, desde tempestades à própria renderização das nuvens, com dispersão de luz e cobertura volumétrica do clima em tempo real, nuvens essas que se prolongam até perder de vista sem transições percetíveis no nível de detalhe. E aqui entra a tal potência computacional mencionada no início desta análise. E quando todos estes fatores se conjugam, o resultado é deveras especial e único.

No entanto há detalhes que dececionam. Mas, se me perguntarem, prontamente respondo que é perfeitamente aceitável que tal suceda num jogo desta escala. Fazer uma rasante à Ponte 25 de Abril é, deveras, desapontante, pois não se trata exatamente da Ponte 25 de Abril, mas sim de uma ponte genérica que os programadores e artistas lá colocaram. Mas não será isso que irá comprometer a experiência, até porque a 8.000 pés de altitude, tudo parece maravilhoso e com qualidade foto realística. Há zonas do globo onde, inclusive, podemos contemplar aves a voar em bando ou girafas a deambular em savanas.

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Também os aviões estão extremamente bem reproduzidos até ao mais ínfimo detalhe, desde o exterior ao interior, passando pela instrumentação presente nos cockpits que simplesmente funcionam como na vida real. Tal como os aeroportos, estes foram recriados virtualmente recorrendo a tecnologia “laser scan”, a documentos reais de fabrico e até a desenhos de AutoCAD. Mas é a integração de tudo isto com o serviço de mapas Bing da Microsoft que eleva este jogo a um novo nível de realismo e de liberdade. Estamos, portanto, perante um jogo de próxima geração.

Como mencionei atrás, há falhas e ausência de detalhes em áreas mais remotas, algo perfeitamente compreensível num jogo desta escala. Mesmo assim, a vossa casa até poderá ser reconhecível e estar onde realmente deve estar. Pode não parecer exatamente com a vossa casa, mas está lá. E ajustar a hora de voo para o nascer ou por do sol naquele local idílico com o qual sempre sonharam, oferece das mais incríveis experiências alguma vez proporcionadas por um videojogo.

Estamos a viver uma era de confinamento e de incertezas que nos impede de viajar, de percorrer o mundo com a liberdade de outros tempos. Flight Simulator permite fazer isso mesmo, liberdade total para virtualmente descobrirmos e visitarmos locais inacessíveis, idílicos, ou simplesmente fazer uma rasante e, porque não, aterrar na nossa rua, bairro ou cidade. Um jogo memorável de infinitas possibilidades que irá permanecer no meu disco rígido por anos e anos, como, aliás, aconteceu com alguns dos anteriores títulos da série.

 

Microsoft Flight Simulator (PC) | Análise Gaming | CA Notícias

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