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Análise Gaming – “Resident Evil 2” (2019)

"Resident Evil 2" lançado nesta semana é uma nova abordagem ao título original da Capcom de 1998 e acaba por cumprir e até exceder as nossas expectativas. Recomendando para qualquer fã de Survival Horror.

“Resident Evil 2” lançado nesta semana é uma nova abordagem ao título original da Capcom de 1998 e acaba por cumprir e até exceder as nossas expectativas. Recomendando para qualquer fã de Survival Horror.

O mês de Janeiro terá sido o melhor mês de sempre para os fãs de Survival Horror , pois foi nesse mês que “Resident Evil 2”, “Silent Hill”, “Resident Evil 4” e “Resident Evil 7”  chegaram pela primeira vez às lojas. Os títulos são considerados como marcos do Survival Horror e demonstram bem a progressão do género nos últimos 20 anos. Durante este período assistimos à época dourada, como também assistimos à quase morte do género nos videojogos. No entanto, em 2019 poderemos estar perante o ressurgimento do género.

Muito disso se deve aos últimos dois jogos da série Resident Evil. Se em 2017 a Capcom não se importou de refazer o conceito da série, oferecendo uma abordagem mais próxima dos jogos de terror da actualidade como “Outlast” em “Resident Evil 7”, e descobriu afinal o que os fãs realmente querem. Os fãs querem munições limitadas, querem viver um ambiente aterrador, querem sentir medo, em contraste com o que a Capcom lhes deu no 6º título numerado da série.

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Com as lições tiradas do grande sucesso comercial e crítico que foi “Resident Evil 7”, a Capcom atirou-se de cabeça a um dos jogos mais adorados da empresa: “Resident Evil 2”. O remake é uma amálgama do que melhor a empresa fez no 2º, 4º e 7º jogos da saga principal, tornando-se este o título que melhor incorpora os elementos que gostamos na série.

“Resident Evil 2” em 2019 é a actualização de um jogo de outros tempos, e isso sente-se. A quantidade de backtracking necessário e os puzzles que têm de ser resolvidos para passar às próximas secções já não é tão natural como em 1998 (apesar de, pessoalmente, não ver grande problema com o backtracking). Agora há títulos que resolvem essas partes mais “aborrecidas” através de micro-transacções. “Resident Evil 2” orgulha-se do design original e altera o suficiente para trazer surpresas aos jogadores que conhecem o original mas respeita o que deve ser respeitado.

A gestão do inventário continua aqui a ser tão essencial como nos primeiros títulos da série, e uma boa gestão faz a diferença na nossa progressão. Guardar o progresso acontece apenas nas máquinas de escrever, e não automaticamente em qualquer checkpoint que exista pelo caminho (em Hardcore ainda existem as mal-fadadas Ink Ribbons).

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Neste jogo a campanha é dividida em duas partes, com cada personagem principal a seguir o seu caminho. Podemos escolher começar a nossa experiência tanto com Leon Kennedy, que chega a Racoon City para se apresentar ao trabalho no seu primeiro dia na esquadra da cidade, ou com Claire Redfield, que também se encontra na cidade com o objectivo de encontrar o seu irmão, Chris.

Inicialmente escolhi a campanha de Leon, e depois de a terminar peguei na campanha da Claire, mas qualquer jogador pode fazer o contrário. Mas uma coisa é certa, se querem jogar este jogo têm de ter a noção que só completando as duas campanhas é que chegam a um final condigno com a história.

Tendo isso em conta, cada campanha tem uma duração entre 6 a 8 horas de jogo. Para além das duas campanhas, é possível experimentar as duas campanhas por ordem contrária ou os modos bónus como The 4th Survivor ou The Tofu Survivor, o que acaba por significar que há muito por jogar mesmo quando se termina a história do jogo. E se ainda não o tiverem feito, podem sempre jogar em Hardcore, indicado para jogadores experientes, pois os zombies são muito mais complicados de matar e volta a trazer a necessidade de utilizar ink ribbons para guardar o progresso no jogo.

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Uma das grandes dúvidas que vejo ser colocada em relação a “Resident Evil 2” é se este Remake é idêntico ao original. Aquilo que posso dizer é que se jogaram o original, irão adorar este e serão surpreendidos na mesma medida que os novos jogadores (ou até mais) devido à recolocação de itens, organização do mapa e até na alteração de alguns acontecimentos na história.

Uma das maiores diferenças em comparação com o original de 1998 prende-se com o facto de já não haver loadings entre as diferentes áreas do mapa, o que acaba por melhorar significativamente a fluidez do jogo. Outra que achamos relevante é que o remake é mais um shooter que o original, isto porque agora temos mira manual. Apesar de ser recomendado não gastarmos todas as munições com os zombies que vamos encontrando pelo caminho, a verdade é que este remake dá mais possibilidade de sermos pro-activos em relação aos inimigos do que fugir deles apenas. Em relação à história também existem alterações, mas verdade seja dita, a trama continua a não ser o melhor ponto do jogo.

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Visualmente impressiona logo na cutscene inicial, e perdura essa sensação até final. Desde a caracterização das personagens e zombies até aos cenários que visitamos durante o jogo, pois desta vez não são só imagens paradas. A utilização do som também é realizada de forma exímia, e sem querer estragar a experiência, sugerimos que experimentem o jogo com um bom sistema de som ou com headphones.

Ao iniciar o jogo é difícil não sentir algum receio pelos caminhos que decidimos atravessar sem grande inventário que nos ajude. Com o tempo essa sensação vai diminuindo, até que damos de caras com os Lickers. Aí voltamos a temer cada escolha que fazemos. Quando já nos habituamos a esses inimigos, conhecemos o pouco amável Tyrant, e a partir daí só queremos não voltar a encontrá-lo. É nesta montanha-russa que o jogo nos quer levar até final, temendo ouvir os passos do Tyrant. É Survival Horror, é suposto termos medo, é suposto sentirmo-nos impotentes em diversos momentos.

Nem tudo é perfeito neste remake. Os puzzles não apresentam um grande desafio para resolvê-los, o ritmo do jogo é inconstante em algumas fases do jogo, o comportamento dos inimigos nem sempre é regular e o diálogo… Bem o diálogo é aquilo que esperamos em Resident Evil, a roçar o ridículo em todos os momentos, tal como a história em si. São aspectos que não acabam por matar uma das melhores experiências que a Capcom desenvolveu nos últimos anos.

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Este remake de “Resident Evil 2” não só é obrigatório para os fãs da série, como também o é para os fãs de Survival Horror ou para quem tem saudades de jogar jogos de outra época. Este “Resident Evil 2” não tem Remake no seu título e essa circunstância tem significado, pois este jogo é praticamente um título novo por si. “Resident Evil 2” é tudo o que esperamos da série, e ainda mais. 

 

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