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MEO Marés: Seal trouxe a elegância, James a intensidade e o público fez o resto

Da estreia dos Vizinhos ao regresso dos britânicos James, passando pelos sucessos de Diogo Piçarra e pela voz inconfundível de Seal, o segundo dia de MEO Marés mostrou que a mudança para a Praia do Aterro Norte, em Leça da Palmeira, não retirou identidade ao festival. Pelo contrário: abriu um novo capítulo perante milhares de pessoas que encheram o recinto.

MEO Marés: Seal trouxe a elegância, James a intensidade e o público fez o resto
Tiago Ferreira/CA Notícias

Depois de um primeiro dia marcado pelo regresso dos Da Weasel, o MEO Marés voltou a abrir as portas da Praia do Aterro Norte, em Leça da Palmeira, Matosinhos, para o segundo dia do festival.


Desde cedo, o recinto voltou a ganhar vida. Muitos festivaleiros aproveitaram para explorar as zonas de restauração e a habitual “caça” aos brindes, enquanto outros se dirigiam ao Palco MEO.

A responsabilidade de inaugurar o palco principal coube aos Vizinhos. A entrada fez-se ao som de “Pobre ex-namorado” deu o mote de um concerto que se previa animado. O ambiente tornou-se ainda mais festivo com “Sentir o Sol”, dos Quatro e Meia, e com o tema original “Daqui Ninguém Me Tira”, acompanhado por um público já bastante participativo.

Sem deixar cair o ritmo, a banda interpretou o tema “Na Próxima Vida”, uma colaboração entre os ÁTOA e os brasileiros Atitude 67, imediatamente seguida por “Já não saio”.

A breve interpretação de “O Melhor Dia Para Casar”, de Quim Barreiros, arrancou gargalhadas e muitas palmas, servindo de introdução para “Casar é Para Esquecer” e “Vizinha do Primeiro Andar”, dois dos temas mais acarinhados do repertório da banda.

Um dos momentos mais especiais do concerto aconteceu com “Pôr do Sol”. O tema ganhou um simbolismo particular ao ser interpretado precisamente quando o sol começava a descer sobre o Atlântico, pintando o céu de tons dourados e alaranjados. A combinação entre a paisagem natural e a música criou um dos quadros mais bonitos do início do festival.

MEO Marés: Seal trouxe a elegância, James a intensidade e o público fez o resto
Tiago Ferreira/CA Notícias

À medida que o sol desaparecia no horizonte, o recinto do MEO Marés enchia-se para receber Diogo Piçarra. A ovação fez-se ouvir ainda antes de subir ao palco e prolongou-se quando os primeiros acordes de “Dialeto” deram início a um espetáculo pensado ao detalhe, com uma forte componente visual e uma produção que acompanhou a intensidade de cada canção.

Sem perder tempo, o cantor avançou para “Já não falamos” e “Até ao fim”, dois temas imediatamente acompanhados por milhares de vozes, antes de um dos momentos mais celebrados da atuação: a entrada de Carolina Deslandes para interpretar “Anjos”. A surpresa levou o público ao rubro e mereceu uma das maiores ovações do concerto, com os dois artistas a demonstrarem a cumplicidade construída ao longo dos anos.

A energia aumentou com “Chuva” e “Só Existo Contigo”, que transformaram a Praia do Aterro num enorme coro. Sem deixar cair o ritmo, Piçarra cantou os temas com “Não te odeio”, “Tu e eu” e “Porta 43”, antes de interpretar “Trevo (Tu)”, canção originalmente gravada pelas brasileiras ANAVITÓRIA e que continua a ser um dos momentos mais acarinhados dos seus concertos.

Já na reta final, o artista voltou a surpreender ao chamar a palco Bispo para intrepretar o tema “Monarquia” e ainda houve tempo para “Paraíso”. Os últimos minutos foram de celebração. “Amor de Ferro” colocou novamente o recinto a cantar em uníssono, ao encerrar um concerto onde não faltaram emoção, proximidade e uma enorme cumplicidade entre artista e público.

Mais do que um desfile de êxitos, Diogo Piçarra apresentou um espetáculo equilibrado, alternando momentos intimistas com explosões de energia. A qualidade vocal, a presença em palco e a facilidade com que comunica com o público voltaram a confirmar porque continua a ser um dos artistas portugueses mais acarinhados da atualidade, deixando a Praia do Aterro preparada para receber um dos grandes nomes internacionais desta edição do MEO Marés: Seal.

MEO Marés: Seal trouxe a elegância, James a intensidade e o público fez o resto
Tiago Ferreira/CA Notícias

A noite já se tinha instalado sobre a Praia do Aterro quando Seal subiu ao Palco MEO para aquele que era um dos concertos internacionais mais aguardados desta edição do MEO Marés. Sem recorrer a grandes efeitos cénicos, o cantor britânico apostou na força da sua voz, numa banda irrepreensível e numa produção visual sóbria, oferecendo um espetáculo onde a emoção esteve sempre em primeiro plano.

A atuação arrancou com “AIKIN (All I Know Is Now)”, seguida de “The Beginning”, dois temas que prepararam o público para uma viagem pela carreira de um dos artistas mais marcantes da pop e da soul contemporâneas. A ligação com os festivaleiros foi imediata e, entre sorrisos e palavras de agradecimento, Seal mostrou-se visivelmente agradado com a receção portuguesa.

Os primeiros grandes aplausos da noite surgiram com “Dreaming in Metaphors” e, sobretudo, “Future Love Paradise”, um dos clássicos da sua discografia. O público acompanhou cada refrão, enquanto a voz inconfundível do britânico enchia o recinto com a mesma intensidade que o tornou uma referência mundial há mais de três décadas.

Os primeiros acordes de “Kiss From a Rose” foram suficientes para arrancar uma das maiores ovações do festival. Centenas de telemóveis iluminaram a Praia do Aterro enquanto milhares de vozes acompanhavam um dos temas mais icónicos da música dos anos 90. O silêncio respeitoso que antecedeu o aplauso final demonstrou bem o impacto emocional da interpretação.

Após uma breve saída de palco, Seal regressou para o encore com “Crazy” para a despedida. O tema, um dos maiores sucessos da sua carreira, encerrou um concerto de grande classe, com o público completamente rendido à elegância e ao carisma do artista britânico.

Mais do que um desfile de êxitos, Seal ofereceu um espetáculo de enorme maturidade artística.

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Tiago Ferreira/CA Notícias

Já passava da 23h30 quando os britânicos James subiram ao Palco MEO para encerrar o segundo dia do festival. Sem grandes artifícios, mas com uma presença em palco avassaladora, a banda liderada por Tim Booth ofereceu um espetáculo intenso, emotivo e profundamente envolvente, demonstrando porque continua a ser uma das referências do rock alternativo britânico.

O concerto arrancou com “Johnny Yen” e “Five-O”, dois temas que serviram para lançar a atmosfera da noite. Desde os primeiros minutos, Tim Booth mostrou a energia que o caracteriza, percorrendo o palco de um lado ao outro, dançando ao ritmo da música e estabelecendo uma ligação constante com o público.

A atuação ganhou outra dimensão com “Waltzing Along” e “Ring the Bells”, dois clássicos recebidos com entusiasmo pelos fãs mais antigos, antes de “Stay” e “She’s a Star” transformarem a Praia do Aterro num enorme coro. A elegância das melodias, aliada à voz inconfundível de Booth, criou um dos momentos mais envolventes da noite.

A reta final reuniu alguns dos maiores hinos da carreira dos James. “Getting Away With It (All Messed Up)” foi cantada praticamente do princípio ao fim, enquanto “Born of Frustration” fez regressar a intensidade característica da banda, com Tim Booth a incentivar constantemente o público a participar.

Ainda houve tempo para “Nantucket”, antes de os James escolherem “Sometimes” para encerrar a noite. O tema, um dos mais emblemáticos da discografia da banda, foi recebido com uma longa ovação e cantado por milhares de festivaleiros até ao último acorde.

Sem recorrer a grandes efeitos visuais, os James provaram que a força das suas canções continua intacta. A entrega de Tim Booth, a qualidade dos músicos e a capacidade de transformar cada concerto numa experiência emocional fizeram da passagem da banda britânica pelo MEO Marés um dos pontos altos desta edição, encerrando o segundo dia com uma atuação que ficará, certamente, entre as mais marcantes do festival.

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Tiago Ferreira/CA Notícias

A tarde começou com Joana Almeirante, que apresentou um concerto delicado e intimista no Palco Super Bock. A cantora navegou entre o pop e o folk, conquistando um público atento através de interpretações emotivas e de uma relação muito próxima com quem assistia.

Mais tarde, foi a vez de Bluay assumir o protagonismo. Um dos nomes mais relevantes da nova geração do hip-hop nacional, o artista transformou o recinto num enorme coro coletivo.

Já depois da uma da manhã, Insert Coin encerraram o palco com um espetáculo dedicado aos videojogos e à cultura pop. A banda voltou a reinventar bandas sonoras clássicas em versões rock, proporcionando um final de noite descontraído, onde muitos festivaleiros permaneceram para dançar antes do regresso a casa.

O Palco Coca-Cola Samba voltou a ser um dos espaços mais animados do recinto. Durante toda a tarde, os DJ mantiveram o ambiente quente entre atuações, preparando terreno para o Papo de Samba, que trouxe clássicos brasileiros, percussão e muita dança. O espaço acabou por se transformar numa autêntica roda de samba improvisada, onde dezenas de festivaleiros aproveitaram para prolongar a festa.

Já no Palco SAPO Comédia, o humor voltou a conquistar o público. O Tasqueiro, Rui Pedro Martins, Inês Honrado, David Silva e Fernando Rocha garantiram gargalhadas ao longo de toda a tarde e noite, com sessões praticamente lotadas.

Fernando Rocha, um dos humoristas mais acarinhados pelo público português, protagonizou um dos momentos mais concorridos do palco, arrancando sucessivas ovações com histórias do quotidiano contadas ao seu estilo muito próprio.

O MEO Marés prepara-se para encerrar a edição de 2026 este domingo, dia 19 de julho, com Ozuna, Danny Ocean, Calema e Soraia Ramos como destaque no Palco MEO. Por sua vez, Edmundo Inácio, Deixem o Pimba em Paz e Kiko is Hot assumem o Palco Super Bock.

Leia também: MEO Marés: Da Weasel encerraram em apoteose uma noite para recordar

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