Hoje, dia 2 de junho, é o 2.º dia de exibição das Marchas Populares na Altice Arena. Após a noite de ontem, em que se apresentaram as Marchas “A Voz do Operário” (Infantil), Olivais, Belém Alcântara, Mouraria, Bica, Lumiar, Carnide e Alto do Pina, conheça agora as nove marchas que hoje animarão o público lisboeta, os seus temas e os padrinhos.
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1.ª – Marcha dos Mercados (extra-concurso)
Tema: Os Três Santos Populares nos Mercados
Madrinha: Maya
Padrinho: Sérgio Rossi
«Junho, já se sabe, é mês de santos e nos bairros isso significa mais cor e alegria. As ruas enchem-se para celebrar estas festas populares, com origem em rituais pagãos e abençoadas, mais tarde, por Santo António, São Pedro e São João. As Marchas são indispensáveis nas Festas de Lisboa, apesar de nem sempre terem sido como hoje as conhecemos. Começaram por ser as “Marchas ao Flambó”, que, organizadas por cada bairro, mercado ou local onde se festejasse o Santo António, se exibiam pela cidade de Lisboa, com passagem obrigatória pelo Rossio e Praça da Figueira, para serem apreciadas pela multidão que aí se aglomerava. A tradição foi-se mantendo, com pequenas alterações, e com o surgimento de novos apontamentos, como os arraiais. Quem não tem memória ou vivência destas festas? “Rapaziada do meu bairro, haja paz e alegria. Não se batam”. Faz parte da cultura do nosso país, da nossa cultura, tão caraterísticas da cidade como os mercados. Por isso, este ano, a Marcha dos Mercados escolheu como tema “Os Três Santos Populares nos Mercados”, para engrandecer o sentido popular da festa, enaltecer e dignificar os Mercados de Lisboa.»
2.ª – Marcha da Penha de França
Tema: Penha de França Apregoa “Lisboa Está na Moda”
Madrinha: Salomé Caldeira
Padrinho: Rui Andrade
Classificação 2017: 10.º lugar (ex-aequo com a Marcha da Mouraria)
«Apregoar a Penha de França a Lisboa, com os seus pregões populares, numa cidade mais cosmopolita e virada para o mundo, transporta-nos para o futuro da nossa cidade. É a Lisboa turística, dos pregões digitais e dos likes. É a Lisboa cosmopolita e está na moda. É a Lisboa alfacinha, que é a de todos nós! Esta é a nossa “Canção de Lisboa” e nós gostamos disto: “- Ó Evaristo? Anda cá ver isto?” Dá um like ao Santo António!!! Partimos assim numa viagem ao imaginário de mostrar Lisboa ao mundo e do orgulho de viver numa cidade cada vez mais visitada e reconhecida como a capital mais cool da Europa. Vamos percorrer as tradições, como ir ouvir o fado, apanhar o elétrico na Sé em direção ao Castelo para avistarmos o Tejo, a sua ponte, o Padrão e a Torre, numa recordação da conquista de novos mundos, e acabamos num tuk-tuk, a viajar pela moderna Lisboa, subimos à nossa Penha de França e descemos ao rio em direção a Oriente, onde podemos encontrar o Pavilhão do Conhecimento, o de Portugal, a Torre e a Ponte Vasco da Gama terminando no Atlântico, onde mostramos a Lisboa como é ser bairrista na Penha de França.»
3.ª – Marcha de Campo de Ourique
Tema: Campo de Ourique, És do Tempo da Pinguinha
Madrinha: Rita Ribeiro
Padrinho: Fernando Pereira
Classificação 2017: 16.º lugar
«Campo de Ourique é um bairro pitoresco que remonta ao séc. XVI como subúrbio de Lisboa, bairro rural onde proliferavam hortas e várias quintas com vinhas espalhadas por toda a encosta. A qualidade das vinhas e do vinho era tão boa que, durante séculos, Lisboa só bebeu o seu próprio vinho. Era, como chamamos hoje, um vinho de marca. Estas propriedades eram exploradas, na sua maioria, por gentes originárias do norte do país e abasteciam os mercados ambulantes espalhados pelo bairro, pela vizinhança e, mais tarde, por toda a capital. Ao antigo mercado da Praça da Ribeira, a mercadoria chegava transportada por carroças e sabe-se, que em tempos, na Rua Silva de Carvalho, existiu uma estalagem de recolha de carroceiros. Por tudo isto, a Marcha de Campo de Ourique tem o tema “És do Tempo da Pinguinha”, onde os homens irão representar os carroceiros e as mulheres surgirão com fantasias estilizadas, inspiradas nas uvas e vinhas. Na cenografia, levaremos uma adega típica de Campo de Ourique antigo, bem como as carroças de transporte das uvas, enquanto os arcos serão uma fantasia entre as rodas de carroças e os paus das vinhas com uvas e folhas. Apresenta-se assim a Marcha de Campo de Ourique, cheia de raça e gajé, ao generoso público de Lisboa, numa alegoria a um tema bem popular e bem atual, unindo tradição e modernidade!»
4.ª – Marcha do Bairro Alto
Tema: Barbeiros do Bairro
Madrinha: Sónia Brazão
Padrinho: Flávio Gil
Classificação 2017: 2.º lugar (Melhor Desfile da Avenida)
«Este ano, a grande Marcha do Bairro Alto enaltece como fonte de inspiração uma das profissões mais respeitadas e prestigiadas da história de Lisboa: o Barbeiro. Ele trabalha com rigor e cuida da imagem do homem na sua barbearia, ponto de passagem obrigatório, também para o convívio. Muito presentes nas ruas do Bairro Alto e em toda a cidade de Lisboa, as barbearias são um elemento tradicional da cidade. Com esta homenagem, a Marcha do Bairro Alto volta a aliar a inovação às tradições lisboetas.»
5.ª – Marcha da Graça
Tema: A Graça Vai ao Arraial, Pintada num Vitral!
Madrinha: Carla Andrino
Padrinho: Mário Rui
Classificação 2017: 7.º lugar
«A tradição das Festas de Lisboa mistura-se com a história da própria cidade. Quem vive num dos bairros típicos dirá, com toda a certeza, que desde sempre se lembra de ver, no mês de junho, os Arraiais a invadirem as ruas estreitas da capital. E não estará muito errado. Na Graça não é diferente! Estas festas, dedicadas aos Santos Populares, existem há vários séculos e sempre seguiram, mais ou menos, os mesmos moldes. Arraiais que se prolongam pela noite fora, música e dança. Foi sempre assim que, em Lisboa, se celebraram os Santos Populares. Por outro lado, temos o vitral: composição decorativa feita com pedaços de vidro de diversas cores. Em Portugal, a utilização do vitral está associada à construção de mosteiros e sés. A cor era um elemento essencial para os vitrais que, através da luz que vinha de fora, despertavam a curiosidade das pessoas em relação às histórias contadas em forma de ilustração. Nos finais do séc. XVI, a Arte do Vitral entrou num período de acentuada decadência, tanto em Portugal como no resto da Europa. O seu tempo terminara e o gosto dos homens levou à marginalização de uma das formas mais eloquentes das artes decorativas. A ideia da Marcha da Graça, este ano, é a de juntar estes dois fenómenos que, apesar de afastados no tempo, muito têm em comum. Juntar o popular, o gótico e o contemporâneo, mantendo a traça comum dos dois temas: A cor e a luz. O objetivo é, também, criar uma ligação entre o Vitral e o povo e as vivências do bairro da Graça e da cidade de Lisboa. Tal como os vitrais, que são compostos por peças de tamanhos e cores diferentes, também os bairros são compostos, cada vez mais, por pessoas de extratos sociais, religiões, etnias e nacionalidades diferentes. Mas, tal como os vitrais, todas estas pessoas, apesar de diferentes, estão ligadas e unidas na formação de um todo. Este é o propósito da Marcha da Graça 2018. Muita cor, luz e alegria, aliando tradição e inovação. Esperamos que seja do agrado de todos!»
6.ª – Marcha da Bela Flor – Campolide
Tema: Bela-Flor e Campolide, um Casamento de Santo António
Madrinha: Liliana Santos
Padrinho: Pedro Sousa
Classificação 2017: 14.º lugar (Melhor Composição Original)
«Em 1958, pela primeira vez, “26 casais ficaram unidos pelo matrimónio na Igreja de Santo António” e nascia assim mais uma “incontornável tradição popular de Lisboa”, os “Casamentos de Santo António”. No ano em que se celebra o 60.º aniversário desta tradição, Bela-Flor e Campolide casam também com a bênção do Santo António, padrinho deste amor entre bairros, nesta edição do Concurso de Marchas Populares de Lisboa. Antes bairros “rivais”, Bela-Flor e Campolide, “rapaz trigueiro”, acabaram por ceder ao espírito conciliador de Santo António milagreiro, e, por altura dos Santos Populares, em 2016, apresentando-se pela primeira vez a concurso como Marcha da Bela Flor – Campolide, tornaram-se “eternos namorados”. Agora, em 2018, apresentam assim, unidos, a sua homenagem à tradição alfacinha dos “Casamentos de Santo António”, procurando contar a sua história de amor – que é também a de tantos casais lisboetas – em jeito de agradecimento ao santo casamenteiro. “Loucos de amor na madrugada”, Campolide pede a mão à Bela Flor que prontamente aceita e é nos Santos Populares, quando este amor começou, que se celebra à maneira lisboeta, no Arraial de Campolide. Durante a exibição da Marcha da Bela Flor – Campolide, os bairros casam finalmente e, de branco, recebem a bênção do Santo António porque o santo da união e do Amor, digno desse nome, não faz distinção se são homens, se são mulheres ou se são bairros de Lisboa. Afinal, o amor é de todas as cores e “Até parecia mal/ Viver de costas voltadas/ Devendo ser um casal”. A Marcha da Bela Flor – Campolide apresenta-se assim em 2018, celebrando o 60.º aniversário dos “Casamentos de Santo António” e o amor em todas assuas formas.»
7.ª – Marcha do Bairro da Boavista
Tema: Da Minha Janela Eu Vejo… Lisboa.
Madrinha: Custódia Gallego
Padrinho: Diogo Martins
Classificação 2017: Não participou
«O bairro da Boavista nasceu no ano 1938, tendo sido planeado e edificado junto a Monsanto, pulmão de Lisboa e o local mais alto da cidade, com 227 metros de altitude. Nasceu junto ao forte de Monsanto, ponto de onde se avista toda a cidade. Com esta paisagem panorâmica em fundo, este ano decidimos aliar as tradicionais varandas debruadas em ferro forjado, uma das imagens de marca de Lisboa, com as vistas dos miradouros, que estão de novo em destaque, como é o caso do revitalizado miradouro de Monsanto, uma das janelas que o bairro tem sobre a cidade.»
8.ª – Marcha de Alfama
Tema: Alfama Não Tem Outra Canção!
Madrinha: Pimpinha Jardim
Padrinho: João Baião
Classificação 2017: 1.º lugar (Melhor Figurino e Melhor Musicalidade)
«Nas ruas e travessas de uma Alfama antiga, um local protagonizava a convivência genuína de um bairro então pulsante de movimento e vida, acompanhando o seu percurso histórico e social: a taberna. Com palavras trocadas pelos balcões, as tabernas transformavam-se em verdadeiros retiros de espírito para aqueles que viviam no bairro, tornando-se a sua visita, tal como as esperadas e inesperadas conversas, um gesto comum do quotidiano. A velha taberna era o refúgio de final do dia, entre tragos que esvaziavam os copos que retornavam à mesa suspensos pelo decreto de uma nova rodada. Por detrás do reduto do seu balcão, o afamado “taberneiro”, homem de labuta desdobrada pelo dia, era, por vezes, fiel confidente de histórias que prefaciam o final de mais uma tarde. Nascemos e crescemos ao som de “guitarras que estavam sempre à mão”, em “copos que ensinam menos vontades” e “só servem as saudades“, “em vielas com tabernas e fadistas”. E hoje, ainda que diferente, prezamos em honrar o “berço do fado”. Hoje em dia ouvem-se certamente outros sons em Alfama. Mas ontem como hoje, ao fado só o “ouve quem o tem no coração”. Alfama segue, pois, igual. Sem cheirar a fado, mas sem conhecer outra canção.»
9.ª – Marcha de Benfica
Tema: Parque Silva Porto
Madrinha: Carla Janeiro
Padrinho: Gonçalo Salgueiro
Classificação 2017: 19.º lugar
«Este ano a Marcha de Benfica homenageia o Parque Silva Porto, mais conhecido por “Mata de Benfica”, plantado em 1880, séc. XIX, por ordem de João Carlos Ulrich, de modo a embelezar a Quinta da Feiteira. A história do Parque, que é hoje um espaço público com diversos equipamentos para usufruto da população, onde o contacto com a natureza e o meio envolvente é privilegiado, começa com Ulrich e continua com César Augusto de Figueiredo, que adquire a propriedade pouco depois da sua florestação e manda que sejam colocados portões de ferro e construído um murete encimado por grades de ferro forjado, de forma a delimitar o bosque. Por influência do vereador municipal, Alberto Marques, em 1911, César Augusto cede à Câmara Municipal de Lisboa a “Mata da Feiteira” com a condição de criar um espaço acessível a todos os cidadãos. Nascia, assim, uma importante área de lazer para a população. Ali se fizeram festejos, luminárias, bailes e concertos patrocinados pela Câmara Municipal de Lisboa. Mais tarde, o parque é batizado pelo nome Silva Porto, de forma a homenagear o pintor António de Carvalho Silva Porto, pintor naturalista do séc. XIX. Costa Mota (sobrinho), cria um busto do pintor que é colocado à entrada do parque. Próximo desse busto existe um quiosque de autoria de José Alexandre Soares que é rodeado por painéis de azulejo de Arte Nova de José António Jorge Pinto intitulados: “A Fonte”, “Mal Me Quer”, “Bem Me Quer”, “Muito”, “Pouco”, “Nada”, “O Bosque” e “A Caça”. A herança cultural e natural do espaço é recordada na Marcha de Benfica, que estende o tributo a Vasco Santana, filho de Benfica.»
Ilustração: Rui Sousa