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Crítica – Três Cartazes à Beira da Estrada

Três Cartazes à Beira da Estrada é um dos filmes que anda a receber atenção por parte do público nesta época de prémios do cinema. Escrito e realizado por Martin McDonagh, este toca em vários problemas sociais americanos da actualidade, alguns abordados em plano principal, outros comentados de forma subtil. O filme não procura uma solução para os mesmos, ambiciona apenas falar sobre eles.

Uma jovem é violada e assassinada. A investigação não leva a lado nenhum e as autoridades não se esforçam para mais. Uma mãe, sem medo de consequências, desafia a polícia e questiona as leis e os valores do Estado. Abuso de poder, injustiça, desigualdade e até racismo, são os vários temas abordados pelo filme. Somos deixados a pensar no que vimos e é-nos transmitida a importância da reflexão sobre estes problemas. Assim, a crua realidade dos EUA é retratada, realidade esta que nem sempre transparece nos meios de comunicação.

O Argumento é mesmo muito bom. A forma como toca em vários assuntos, os retrata e comenta, atribui grande qualidade ao filme e à sua história. Algumas pontas soltas são deixadas em aberto, de forma propositada, alertando para a existência de determinadas situações na sociedade e relembrando a importância da sua abordagem e resolução. Como já foi referido, não há a procura de soluções para estes problemas. O filme tem apenas a intenção de falar sobre eles e mostrar sem pudores que, infelizmente, nem sempre se faz justiça. A ambiguidade e a ideia de deixar o espectador sem respostas são frequentes nesta história, e são utilizadas de forma inteligente.

O Enredo é muito bem construído, contando uma história que acontece num mundo quotidiano, que à primeira vista parece tranquilo, mas que é violento e ainda muito antiquado na sua raiz. Cada momento é gerido de forma a dar a informação necessária nos momentos certos e a enaltecer o desempenho dos actores. Para além disto, há também a constante sensação de imprevisibilidade. O filme nunca faz aquilo que estamos à espera, tanto no que toca à sua ambiguidade, que não esperamos em determinados momentos, como no rumo de cada personagem. Ainda que tenhamos conhecimento das suas motivações, da sua personalidade e dos seus valores, estas tomam decisões que nos surpreendem.

A construção das personagens e o desenvolvimento psicológico das mesmas é bastante interessante. Através do seu comportamento, o filme explora a forma como o ser humano, quando deparado com tragédias e ausência de justiça, se escondem dos problemas reais e tentam a todo o custo, viver a sua vida normal. Em paralelo, mostra também o alcance que alguém consegue ter, quando movido pelo luto e pela sede de justiça. O elenco é sublime na sua actuação, havendo destaque para Frances McDormand (Mildred) e Sam Rockwell (Dixon), dois actores que têm, sem qualquer tipo de dúvida, um desempenho excelente.

Três Cartazes à Beira da Estrada merece definitivamente todas as atenções que está a receber. Comentando a verdadeira realidade americana actual, que tantas vezes é ignorada, o filme utiliza a ambiguidade e a imprevisibilidade para demonstrar a falta de respostas e a ausência de justiça que ainda existe nas pequenas cidades americanas. O argumento, da autoria de Martin McDonagh é, sem dúvida, o que o filme tem de melhor. Algumas questões são intencionalmente deixadas em aberto, não tendo como objectivo procurar soluções, mas sim falar sobre as mesmas. A forma como vários assuntos são abordados, de forma concreta ou subtil, enriquece filme e a sua história. As personagens são bastante interessantes a nível psicológico, não só pela sua imprevisibilidade, mas também por mostrarem a facilidade como alguém evita os problemas a acontecer, e o que um indivíduo é capaz de fazer para procurar justiça. No entanto, há uma questão deixada em aberto: ainda que seja importante encarar a realidade, vale mesmo a pena fazer o que for preciso pela justiça?

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Depois de meses sem ser encontrado o culpado no caso de homicídio da sua filha, Mildred Hayes (vencedora do Oscar® Frances McDormand) faz uma jogada ousada ao alugar três cartazes à entrada da cidade com uma mensagem polémica dirigida a William Willoughby (nomeado para Oscar® Woody Harrelson), o respeitado chefe de polícia da cidade. Mas quando o seu adjunto Dixon (Sam Rockwell), um menino da mamã imaturo com uma inclinação para a violência, se envolve, a batalha entre Mildred e a lei de Ebbing, descontrola-se.
  • Miguel Ângelo
  • Joana Maria

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