David Correia tem 21 anos, é estudante universitário e está prestes a lançar os seus primeiros poemas em livro. Intitulada “Entre o Sono e o Sonho”, a obra reúne poemas de vários autores contemporâneos.
O livro será lançado no Grande Auditório do Convento São Francisco, em Coimbra, a 21 de outubro. O lançamento desta antologia trata-se de uma parceria entre o Chiado Grupo Editorial e a Câmara Municipal de Coimbra.
O CA Notícias aproveitou para conversar um pouco com o jovem poeta não só sobre o livro, mas também sobre si mesmo.
CA Notícias: Antes de mais pode começar por me falar um pouco sobre si.
David Correia: Chamo-me David Correia , tenho 21 anos, sou natural de Mirandela, e resido em Frechas, uma pequena aldeia que pertence ao concelho de Mirandela, e é verdadeiro local onde todos os dias sinto-me “inspirado” muito pela paisagem única que esta aldeia proporciona.
CA: Pode-me falar um pouco sobre esta nova obra? De que se vai tratar esta obra?
David Correia: Esta nova obra no fundo retrata poesia contemporânea, elaborada por vários autores, dos mais diversos temas da atualidade, mais concretamente o amor, a amizade, até mesmo o sofrimento.
É uma obra cujo o objetivo é dar “voz” a quem a escreveu, é dar a “liberdade” de exprimir tudo o que se sente, mas também é dar a conhecer um pouco do autor, considero esta obra caracterizada pela generosidade e partilha.
CA: Há quanto tempo está envolvido na escrita de poemas? Esta é a primeira obra que escreve?
David Correia: Estou envolvido há muito pouco tempo, tudo isto começou quando eu apresentei um projeto há Editorial Chiado e passado uma semana fui contactado por e-mail a pedir participação na próxima edição do livro: “Entre o Sono e o Sonho” onde quem iria fazer toda a seleção dos poemas seria Gonçalo Martins (CEO, da Editorial Chiado).
É a minha primeira obra, apesar de escrever desde sempre mas sempre senti aquele receio da opinião dos leitores, poderiam não gostar e então tudo o que escrevia guardava no portátil e ficava ali entre mim e uma “máquina” que “guardava” todos aqueles sentimentos.
CA: Porquê poesia ?
David Correia: Na minha opinião é muito mais fácil exprimir tudo o que se sente através da poesia do que por um “texto normal” , a poesia sai sempre bem se for com sentimento
CA: Qual considera ser o “impulso” que o leva a escrever? O seu trabalho tem alguma vertente “pessoal”?
David Correia: O meu passado, sem dúvida. Comecei a escrever na minha pior fase como adolescente, era bastante humilhado na escola por ser obeso, e até chegou ao ponto de ser agredido em plena sala de aula por colegas de turma.
E era bom chegar a casa, sentar-me em frente a um portátil e escrever, porque era nesse momento em que me sentia seguro, em que sabia que ali ninguém me poderia fazer mal. Sentia-me compreendido apesar de tudo o que escrevia não passar de um simples programa de bloco de notas.
Com o tempo fui “crescendo”, aprendi a ganhar coragem para enfrentar o mundo, e decidi continuar a escrever não só poemas mas também textos porque tudo o que passei certamente existem mais adolescentes que estão a passar pelo mesmo, e compreendo a dor deles porque eu também a tive. E os textos servem para isso mesmo: ajudar todas essas pessoas a superar, a terem a ajuda necessária, porque por vezes pode parecer fácil denunciar um caso destes. Na altura eu fi-lo e infelizmente não resultou, como ainda acontece hoje em dia a muitas pessoas.
CA: Além da escrita e da universidade tem algum outro projeto que considere relevante?
David Correia: Não, não tenho algo em concreto, para além do objetivo de me formar na área em que atualmente estudo e vir a ser um grande profissional.
CA: O que espera que os seus leitores tirem do seu trabalho?
David Correia: Espero que gostem do meu trabalho porque é feito com uma entrega total e principalmente é feito com coração. No fundo eu não quero ser considerado um autor qualquer mas sim uma voz amiga que compreende quem está a ler o meu trabalho.
CA: Que projetos tem para o futuro, no que toca à escrita?
David Correia: O meu próximo projeto vai passar por editar um livro, será um romance, que em parte será o “espelho” do que passei, só que numa versão diferente, e além disso irei continuar a escrever poemas e publicá-los.
Se o futuro permitir irei trabalhar na área que pretendo mas também como “passatempo” irei continuar sempre a escrever. Para quem escreve, o facto de passar a vida a escrever não é uma profissão, porque quem o faz, faz isto de tal maneira e de tal gosto que se torna parte de um dia-a-dia, ou seja um “passatempo”.