Finalmente chegou um dos filmes mais aguardados do ano e dos últimos tempos, a adaptação da obra de Stephen King, “IT“. Como já tinha dito na antevisão, as minhas expectativas estavam altas, esperava um bom filme, fiel ao livro e que me deixasse com aquele nervoso miudinho, típico dos filmes de terror.

E será que foi isso que aconteceu? Já lá vamos.

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Antes de tudo, acho que os actores, tanto os mais novos como os mais velhos e especialmente Bill Skarsgard como Pennywise estão absolutamente fantásticos. As representações estão credíveis, os miúdos transmitem aos espectadores os seus medos na perfeição.

Um dos meus maiores receios era que não explorassem devidamente as fragilidades de cada um dos sete miúdos e não demonstrassem a indiferença dos adultos durante o filme. Ficou provado logo desde o primeiro minuto que não era preciso recear, os medos das crianças foram muito bem retratados, conseguiram explorar os receios de cada um deles e a forma como Pennywise se transfigura de acordo com os receios mais ocultos de cada um é simplesmente incrível.

Skarsgard está terrivelmente assustador, credível e demoníaco. E o Clube dos Falhados (que são as sete crianças que sofrem de abusos por parte de miúdos mais velhos, na escola, que acabam por ver os seus destinos a cruzarem-se e tornam se bons amigos) está magnifico.

Agora, quanto às minhas expectativas, confirmaram-se. O filme é o retrato típico das obras de King, cuja ideia é deixar os leitores, neste caso são os espectadores, nervosos e perturbados, não é criar o medo por ser assustador, mas sim criar o medo de forma psicológica. O terror presente no filme é psicológico, deixa nos desconfortáveis logo desde início, com uma morte esperada, mas que ao mesmo tempo é inesperada pela forma como acontece.

Se forem ver o filme, com esperanças de saltarem e gritarem das cadeiras, ficam desde já avisados que talvez não vá acontecer. O filme deixa-nos arrepiados com o momento em que Pennywise ataca a primeira vez e saímos do filme ainda arrepiados, a sentirmos-nos nervosos.

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Na minha opinião, o filme é uma adaptação magnifica do livro de King (apesar desta ser apenas primeira parte, uma vez que o livro tem mais de 1000 páginas) que chega, ironicamente, 27 anos depois da minissérie, digo ironicamente, porque Pennywise aparece de 27 em 27 anos.

Ao longo do filme navegamos numa montanha-russa de emoções fortes, começamos por adorar o pequeno Georgie (Jackson Robert Scott), tememos Pennywise logo de seguida e depois sentimos-nos próximos dos três amigos e principalmente de Bill (o irmão de Georgie), odiamos os rufias e voltamos a adorar Ben e Beverly. Mas as emoções continuam, começamos a ver o medo a crescer, a tensão a formar-se e ao mesmo tempo, laços de amizade a criarem-se.

O filme tem momentos de comédia para aliviar um pouco o medo que sentimos, só que logo de seguida voltamos a ter medo. Não conseguimos deixar de nos sentir próximos dos miúdos, odiamos os adultos e a sua indiferença perante tantos desperecimentos e acima de tudo odiamos e ao mesmo tempo tememos Pennywise.

Em suma, na minha opinião, é um dos melhores filmes do ano, podia estar mais assustador, ter mais jumpscares, causar gritos aos espectadores, mas isso não faz parte da essência de King. O filme é sem dúvida de terror psicológico, fiel à obra do escritor, deixa-nos com medo, arrepiados e nervosos.

As personagens estão maravilhosas e são o ponto mais alto do filme, especialmente os miúdos, que nos conseguem transmitir as emoções mais fortes, fazendo-nos navegar num mar de emoções durante as 2 horas de filme. Pennywise tem o guarda-roupas ideal, a combinação da sua maquilhagem e o balão vermelho encaixam perfeitamente e para quem tiver medo de palhaços é de facto assustador.

Recomendo vivamente uma ida ao cinema para ver esta adaptação de terror, que há muito que era esperada.

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