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Crítica: ‘Darkest Hour’ (A Hora Mais Negra)

Crítica: ‘Darkest Hour’ (A Hora Mais Negra)
‘Darkest Hour’ retrata Winston Churchill (Gary Oldman) num dos momentos mais difíceis da sua vida e do mundo, ao ser confrontado com o domínio Nazi às portas da Grã-Bretanha.

Começando por dizer o óbvio, Gary Oldman tem aqui uma prestação de se tirar o chapéu (um dos muitos que o próprio Churchill usava). O actor, que nas últimas semanas, tem coleccionado prémios que reconhecem a sua interpretação do político britânico, é um dos candidatos mais fortes a ser Oscarizado na categoria de Melhor Actor Principal no início de Março.

Em ‘Darkest Hour’, a interpretação de Oldman é tão irrepreensível que quando começa o filme podemos facilmente esquecermo-nos de quem é que está no ecrã a fazer de Sir Winston Churchill. Os gestos, o temperamento, e o discurso são marcas indissociáveis do antigo primeiro-ministro do Reino-Unido, e Oldman consegue captar tudo isso nos 125 minutos que o filme dura.

Este tipo de interpretações biográficas que roçam a cópia costumam sair beneficiados na época dos prémios e é o que tem acontecido neste caso, apesar disso não tirar brilho ou menosprezar ao esforço e trabalho que Oldman coloca neste filme.

Joe Wright, realizador de ‘Pride & Prejudice’ e ‘Anna Karenina’, regressa assim à realização depois do fracasso que foi ‘Pan’, a prequela de Peter Pan de 2015 que ficou a seu cargo. Wright volta ao topo com um filme que aborda os primeiros dias de Churchill como primeiro-ministro do Reino-Unido. Churchill foi convidado para formar governo pelo Rei Jorge VI, uma vez que o parlamento pediu a demissão de Neville Chamberlain do cargo por não se revelar capaz de proteger o reino perante a ameaça forte de Adolf Hitler.

Sir Winston Churchill em poucos dias teve de converter o seu partido político a reagir à ameaça adversária e a enfrentá-la nos olhos, invés de se sucumbir a uma negociação com Hitler. Para tal, o antigo primeiro-ministro teve de recorrer a sua retórica e ao seu diálogo. A escrita neste filme ficou sob Anthony McCarten, o escritor responsável por ‘A Teoria de Tudo’, conseguindo oferecer-nos mais e melhor neste filme, pois ao contrário de ‘Dunkirk’, ‘Darkest Hour’ é um filme de actores e de diálogos, não contendo em si grandes planos de acção. Por isso, se o guião não fosse forte o suficiente, dificilmente algo se destacaria.

Uma sugestão para um serão bem passado será ver ‘Darkest Hour’ e logo a seguir assistir a ‘Dunkirk’. O facto dos dois filmes terem sido lançados num espaço de tempo tão curto entre ambos (cerca de 6 meses) e de se situarem no mesmo tempo histórico, permite a que ambos os filmes saíam a ganhar com as comparações. ‘Darkest Hour’ explica-nos o porquê, ‘Dunkirk’ mostra-nos como foi.

Os restantes actores correspondem de forma digna os seus papéis, mas nenhum consegue ofuscar o brilho de Gary Oldman e o fumo dos seus 400 cigarros. Ben Mendelsohn como Rei Jorge VI, apesar das poucas cenas que tem, apresenta a qualidade a que o actor já nos habituou, Kristin Scott Thomas na interpretação de Clementine Churchill a servir de contraponto ao seu marido e Lily James que teve um ano em grande com a sua Debora em ‘Baby Driver’ e agora com Elizabeth Nel, a secretária pessoal de Churchill.

‘Darkest Hour’ é um filme que demonstra os tempos terríveis que se viviam e a dificuldade da tomada das decisões da altura. Apesar de ser uma bela peça biográfica, o filme não será um marco no género dos dramas políticos. Se assim se tornar, será pela excelente exibição de Gary Oldman. A língua inglesa ajudou Churchill a ganhar a guerra, e ‘Darkest Hour’ ajudará Gary Oldman a ganhar o seu merecido prémio em Março.

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