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Crítica Cinema – ‘Cuidado com a Mamã e o Papá’ (‘Mom and Dad’) 

Crítica Cinema – ‘Cuidado com a Mamã e o Papá’ (‘Mom and Dad’) 

‘Cuidado com a Mamã e o Papá’ (‘Mom and Dad’) parece ter surgido de uma mente perturbadamente criativa que colocou a questão: e se o instinto de proteção que os pais têm para com os seus filhos se invertesse?
O escritor e realizador Brian Taylor não se fica pela pergunta e procura mostrar, através do humor negro, a resposta num filme descomplexado que deambula entre o socialmente inaceitável e o assustadoramente divertido.

Algo que é notório à partida é a escolha em ignorar o instinto que muitos escritores têm de tentar justificar todas as razões pelas quais a sua história ganha corpo. Mom and Dad’ não procura isso. Parece, aliás, evitá-lo propositadamente, afirmando: “Nós não queremos saber. Esta é a premissa, aconteceu e estas são as consequências.” Esta escolha acaba por parecer acertada, pois não dá azo a que existam inconsistências ao tentar explicar algo que exigiria uma explicação imensamente rebuscada.

Não enveredando pela complexidade da história, o filme acaba por se focar na ação que daí resulta. E a maneira como o faz captura perfeitamente a perturbação mental que caracteriza os seus protagonistas. A mudança repentina dos ângulos, da distância e da estabilidade da filmagem transmitem o transtorno impiedoso que regula os seus comportamentos. A própria banda sonora evoca os acessos de raiva incontrolável através do recurso a sons estridentes e desconcertantes, bem como também puxa pela vertente humorística ao ser adequadamente desadequada a algumas situações.

Depois temos as performances, onde claramente se destaca Nicholas Cage (o pai), num estilo já característico que parece cómico sem querer, mesmo quando (provavelmente) é essa a sua intenção.
Nas restantes personagens, apenas uma nota para mais um exemplo de que este filme “não quer saber” quando alguém que foi caracterizada como a típica filha rebelde adolescente (Anne Winters) tem um rasgo de genialidade que não se parece coadunar com o enquadramento que lhe foi dado até ao momento. Isto acontece, unicamente, para providenciar mais um momento de humor – e a frontalidade com que Mom and Dad’ usa esta despreocupação com o ter um fio condutor credível acaba por apaziguar o ser extremamente crítico que costumo ser ao assistir a um filme.

Algo que gostei especialmente foram as esporádicas cenas em que o filme parece ameaçar tornar-se num cliché ‘true love conquers all’, para depois esfregar a brutalidade da sua comédia negra na cara de quem por algum momento sequer acreditou que isso ia acontecer.

Em sentido inverso, algo que não gostei foi a inexistência de um final concreto. Se por um lado parecia claro que não ia existir um final feliz, por outro lado havia potencial para um culminar ou brutal ou cómico. E enquanto eu aguardava ansiosamente por perceber que rumo é que o filme iria tomar, ele parece não tomar rumo nenhum. Sim, por vezes um final em aberto que deixe algumas questões por responder é algo que encaixa perfeitamente. Temos vários exemplos de grandes filmes que já o fizeram. Mas este não foi o caso e, de facto, o final ‘soube a pouco’ por ter finalizado uma maratona de ação com uma cena que parece inacabada.

Em suma, temos um filme que fez o que quis e o que sabe, não se preocupando com mais do que isso. Isto é visível quer no humor negro que nos apresenta, quer na falta de enquadramento que nos dá.
Acaba por ser uma experiência que dividirá opiniões: algumas pessoas vão estar entretidas e coladas ao ecrã, e outras completamente transtornadas e com vontade de sair da sala por estarem a brincar com coisas que “não se brincam”. Especialmente se este último grupo de pessoas forem Mães e Pais.

 

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