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Critica: “A Cabana (The Shack)” de Stuart Hazeldine

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O muito aclamado livro de William P. Young, “A Cabana”, lançado em 2007 teve a sua adaptação para o cinema este ano, pelas mãos de Stuart Hazeldine. Ora, o livro teve um sucesso estrondoso em todo o mundo, quando foi publicado e é um livro que questiona a religião num momento de perda. Pode ser lido por quem acredita em Deus, por quem está a passar por momentos de crise de fé e até mesmo por aqueles que não acreditam em Deus.

O filme começa com a personagem principal Mack Phillips (Sam Worthington) a mostrar-nos a sua infância através de um sonho. Podemos ver que a sua mãe sofria de abusos físicos por parte do pai e que ele (Mack) a dada altura lhe tentou fazer frente mas acabou por ser vitima dos mesmos abusos. Temos então desde logo uma personagem com uma infância difícil e repleta de abusos físicos.

Logo no momento seguinte vemos Mack a acordar e há, para mim, uma falha temporal, pois não conseguimos ver o que se passou no desenrolar da sua infância e como o superou. Mack é casado com Nan (Radha Mitchell), com quem tem 3 filhos, duas raparigas e um rapaz. Vemos, naquela fase inicial a proximidade e o espirito familiar existente entre eles.

 Logo depois das apresentações iniciais, vemos que Mack vai acampar com os 3 filhos enquanto Nan tem de trabalhar. Tudo corre bem na viagem, mantendo-se as tradições de família. No entanto, no dia de partirem, Missy (Amélie Eve), que é a filha mais nova do casal, está calmamente a pintar sentada perto do pai, quando Kate (Megan Charpentiere Josh (Gage Munroe), os filhos mais velhos do casal, estão no lago a andar de canoa e Kate põe-se de pé a chamar o pai e a canoa vira. Mack corre para ajudar os filhos e salvar Josh que ficou preso por baixo da canoa. Quando já se encontram os três em segurança, Mack volta para a sua carrinha e vê que Missy não está lá. É aqui que tudo corre mal. A menina desapareceu e começam as buscas por parte da policia e do FBI, que infelizmente não encontram a menina com vida.

Ao longo de todos estes momentos, nunca temos uma noção temporal dos acontecimentos, parecendo tudo demasiado rápido e confuso.

Vemos então Mack a ir junto com a detective de helicóptero para uma cabana no topo da montanha onde tinham estado a acampar, para encontrar o vestido que a filha tinha naquele dia e manchas de sangue, chegando à conclusão de que a menina está morta. Segue-se o funeral da pequena Missy e logo depois voltamos a ter Mack, que é de facto o grande protagonista no filme, sozinho em casa. É aqui que entra a parte da crença. Mack recebe uma carta no correio, no meio de uma tempestade de neve, que não tem selo nem deixa qualquer rasto. Essa carta diz lhe que nesse fim de semana alguém vai estar na cabana onde foi encontrada Missy.

Como seria de esperar em qualquer filme, Mack pede ao seu amigo e vizinho a sua carrinha e vai até à cabana. Tem um momento de raiva e desespero quando lá chega, pois o que esperava encontrar era o assassino da filha e o que encontra é uma cabana vazia. Quando volta para o carro para se ir embora aparece Jesus (Avraham Aviv Alush), que lhe diz para o seguir.

Vemos então uma nova cabana, rodeada de flores e de cores, que tornam o filme num cenário incrível que leva os espectadores a sentirem se hipnotizados com as cores e a beleza do cenário. Mack conhece Deus, que é uma mulher negra (Octavia Spencer) e conhece Sarayu (Sumire Matsubara) e embarca numa batalha para recuperar a fé que perdeu no momento em que perde a filha.

A viagem espiritual de Mack, acaba por ser um sucesso, como seria expectável, depois de um longo percurso e de provas, que certamente arrancam uma lágrima em diversos momentos àqueles que são mais dados à fé e à religião. Não só a viagem espiritual, para reencontrar a fé, de Mack corre bem, como consegue ainda voltar a unir a família e a recuperar os laços que tinha com Kate, a sua filha mais velha, que durante todo esse tempo, se sentia culpada pela morte da irmã.

É um filme que sem duvida fará todo o sentido e arrancará algumas lágrimas aos mais crentes em Deus. Mas que fará com que alguns menos crentes pensem no seu caminho, se valerá a pena começarem a crer em Deus ou em outro ente religioso. Faz nos pensar que de facto não cabe a nenhum de nós julgar o outro pelos seus actos, julgar o certo e o errado, pois nenhum de nós é superior ao outro para ter direito de o fazer.

Apesar de não nos dar qualquer noção temporal ao longo de todo o filme, focando-se em Mack em quase todo o filme, não permitindo o desenvolvimento de qualquer outra personagem, tem uma fotografia absolutamente extraordinária. Os actores têm representações fabulosas, embora alguns demasiado curtas, como foi o caso de Amélie Eve. Não é um filme que vá levar espectadores em massa para o ver, apesar de ter conseguido 5.248 espectadores no fim de semana de estreia, vigorando entre os mais vistos desse fim de semana, mas que sem duvida vale a pena para quem leu o livro ir ver e para todos aqueles cuja fé está tremida ou que procuram um novo caminho religioso.

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