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Crítica: “O Jardim da Esperança” (The Zookeeper’s Wife)

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Niki Caro (“A Domadora de Baleias“, “North Country – Terra Fria“) apresenta-nos o drama, baseado no livro homónimo da escritora e poetisa norte-americana Diane Ackerman, de 2007. No livro temos os diários nunca publicados de Antonina Zabinska, que nos contam a história verídica dela e do marido (que era director do jardim zoológico de Varsóvia), quando a invasão nazi chega à Polónia, no final de 1930 e como salvaram 300 judeus do gueto da cidade.

É importante referir que O Jardim da Esperança é o titulo independente que mais dinheiro facturou no primeiro terço de ano nos EUA (já tendo ultrapassado os 10 milhões de dólares). No fim de semana de estreia em Portugal contou com 7.492 espectadores. Destaque ainda para o facto de ser um filme cuja personagem principal é uma mulher.

O filme, demonstra-nos desde logo um gesto admirável de humanidade por parte de Jan Żabińsk (Johan Heldenberghe Antonina Żabińsk (Jessica Chastain), quando Varsóvia foi invadida pelo exército alemão. Destaca-se desde logo também a importância da coragem que algumas pessoas tiveram ao combater o puro ódio que se fez sentir naquela altura, contra os judeus. 

Desde logo temos uma paz abalada e o dia-a-dia dos protagonistas muda radicalmente quando começam os bombardeamentos, que vêm causar o caos na cidade e no zoo, chegando por um lado a matar alguns animais e a libertar outros que acabam por fugir para as ruas de Varsóvia. Seguem-se as perseguições aos judeus e a outros discriminados, pois como sabemos os nazis são conhecidos pela sua ideologia discriminatória, xenófoba, racista e inumana, tendo sido causadores de um dos maiores crimes contra a humanidade, o Holocausto. Essa perseguição, acaba por criar o “Gueto de Varsóvia”, para onde todas essas “minorias” são colocados, contra a sua vontade e onde não têm condições mínimas de sobrevivência.

É nesse momento que surgem Jan e Antonina, que vão acolhendo pessoas (judeus) nas instalações do Zoo, mantendo-os escondidos nas celas livres enquanto estes aguardavam uma nova localização para fugirem ao destino cruel que iriam ter se permanecessem em Varsóvia.

O filme, é um bonito exemplo de quão boas podem ser as pessoas em momentos de pânico e de crueldade desumana. Demonstra-nos como é possível ajudar o próximo colocando a nossa própria segurança em risco. No entanto, apesar de ser uma excelente mensagem para os espectadores e de poder ser um fantástico relato de um dos momentos mais tristes da historia da humanidade, perde-se um pouco ao não demonstrar a urgência que havia naquela altura. As personagens parecem demasiado calmas e relaxadas ao longo do filme, enquanto deveriam estar nervosas e preocupadas. A imagem que passa a quem está assistir é que havia todo o tempo do mundo para ajudar, quando na verdade não havia.

Existe durante todo o filme uma enorme serenidade e facilidade em fugir aos percalços do inimigo (nazis) que é incrivelmente descuidado nas suas sucessivas inspecções ao Zoo, o que felizmente, permitiu salvar tantos judeus do seu terrível destino.

É de referir que ainda assim, o filme tem momentos absolutamente brilhantes, como o bombardeamento ao Zoo, que consegue passar a imagem aos espectadores do quão perturbador foi. Foi capaz de nos mostrar alguns casos chocantes de guerra. E alguns momentos de dança entre Chastain (que tem uma actuação fantástica ao longo do filme) e o inimigo estão bem conseguidos. Assim como a relação entre ela e uma jovem judia que foi sexualmente abusada, que está sem duvida bem conseguida.

Apesar desses momentos, o filme perde-se um pouco e como tal não se consegue igualar a filmes como A Lista de Schindler (1993), A Vida é Bela (1997) ou O Pianista (2002). Ainda assim, vale a pena uma ida ao cinema, porque é sempre bom vermos a bondade que existiu na humanidade num momento tão negro da nossa história.

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