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Colonização portuguesa no Brasil é um dos temas da exposição “Baixa dos Sapateiros”

, Colonização portuguesa no Brasil é um dos temas da exposição “Baixa dos Sapateiros”

“Baixa dos Sapateiros”: Residência artística em Lisboa inspira alguns trabalhos da nova exposição de Tiago Sant’Ana.

Nascido em Santo Antônio de Jesus, município considerado a capital do Recôncavo Baiano, Tiago Sant’Ana imprime suas raízes na maioria dos trabalhos como artista visual e performático. Em “Baixa dos Sapateiros”, individual que inaugura no dia 21 de novembro, no mês da Consciência Negra, na Simone Cadinelli Arte Contemporânea, não será diferente. A ideia central parte da imagem histórica dos sapatos como símbolo de libertação pós-abolição negra no Brasil. Essa abolição, oficiosa e sem reparação, era simbolizada pelo gesto de pessoas negras poderem calçar sapatos – tal qual a população branca.
         O título, “Baixa dos sapateiros”, remete a uma região de mesmo nome em Salvador, na Bahia, local em que muitas pessoas negras recorriam para confeccionar seus sapatos. “O nome surge com essa proposta de falar de um lugar em que muitas pessoas iam desejando essa representação da liberdade, que eram os sapatos”, informa o artista. “Era uma geografia que simbolicamente envolvia uma expectativa por essa promessa de cidadania para as pessoas negras, que nunca chegou completamente até hoje”, completa.
         Considerado um dos pontos altos da exposição, as esculturas com sapatos  ̶de açúcar cristal estabelecem um paralelo com o complexo sistema de exploração da cana-de-açúcar e a chegada de muitos engenhos na região do Recôncavo. Clarissa Diniz é responsável pela curadoria da exposição, que conta com vídeo, fotografias, objetos e instalações em torno do tema.
         “O açúcar aparece com recorrência em meus trabalhos como uma tática de aproximar o debate sobre colonização com a atualidade, sobretudo para falar a respeito de racismo e da violência contra a população negra”, afirma Tiago, que foi um dos artistas indicados ao Prêmio PIPA 2018 e realizou recentemente a exposição solo “Casa de purgar” (2018), no Museu de Arte da Bahia e no Paço Imperial, no Rio de Janeiro.
         Um dos trabalhos que estará presente na mostra é a série de proposições de performance, resultado de uma residência artística de Sant’Ana por dois meses em Lisboa, Portugal. Nessas obras, o artista trabalha com os imaginários sobre a colonização portuguesa no Brasil.
         No andar superior da galeria, o artista cria um núcleo formado por um vídeo e uma fotografia que são compostos a partir da presença de homens negros descalços que carregam consigo pares de sapato a tiracolo. Para realização do trabalho, o artista usou como locação um antigo casarão no centro de Salvador.
“Tiago integra este momento recente da arte brasileira no qual as questões centrais relativas à formação social do país são tratadas por aqueles que, histórica e contemporaneamente, experimentam as violências e contradições desse percurso.
Trata-se de uma arte que não mais tematiza – de um ponto de vista distanciado, folclorizante ou cientificista – essa história, mas a reconta, reencena criticamente, escancara suas feridas abertas e performa suas possibilidades de transformação. Como a obra de Sant’Ana, esses trabalhos têm a capacidade de falar sobre processos complexos como a escravidão ao, por sua vez, propor situações nas quais seus sujeitos (como, por exemplo, os negros) ocupam outra posição diante da narrativa.Com isso, reposicionam a história do Brasil e, em especial, rearranjam, no presente, sua arte. Com Baixa dos Sapateiros, Tiago Sant’Ana nos traz mais um capítulo desse recente momento social, político e cultural da arte produzida no (e a partir do) Brasil”, analisa a curadora, Clarissa Diniz.
Até o final do ano, o artista segue com a agenda cheia: Histórias Afro-Atlânticas, MASP e Instituto Tomie Ohtake (vídeo “Apagamento #1”), até 21 de outubro; In Loqus, SESC Santo Amaro (exibição do vídeo “Anunciação”), de 24 a 27 de outubro; Adorno Político, no Espaço de Intervenção Cultural Maus Hábitos em Porto/Portugal (exibição da obra “Passar em branco”) ,de 8 de novembro a 23 de dezembro; Panapaná, Galeria Archidy Picado (curadoria de Tiago Sant’Ana e Raphael Fonseca), exposição que abre no dia 9 de novembro.

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