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Bob Dylan – O Nobel da Música é dele

Bob Dylan subiu ao palco da Altice Arena na noite de quinta-feira para apresentar as suas músicas ao público português. E foi isso mesmo que ele fez, de forma exímia. Não lhe peçam é para fazer mais do que isso.

Altice Arena cheia para receber o Nobel da Literatura, passavam dez anos desde a última vinda de Dylan a Portugal, e a expectativa para rever a lenda viva do Folk e do Rock era grande. Maior do que aquela que Dylan gostaria que fosse. Isto porque, uma boa parte do público que esteve presente no recinto (e muito dos que gostariam de ter ido), não conhecia verdadeiramente o trabalho do compositor e o seu feitio. Por isso mesmo, à saída do espectáculo, foi normal ouvirem-se críticas (e muitas) ao facto de Dylan não ter dirigido uma única palavra ao público ou por não ter feito a vontade de tocar clássicos como “Like a Rolling Stone” ou “Mr. Tambourine Man”. Mas o músico norte-americano não foi lá para conviver nem para fazer vontades, foi para apresentar a sua música e, mais importante ainda, foi genuíno.

Pode-se não gostar, e quem pagou bilhete para o ver tem obviamente todo o direito de criticar a “altizez” do artista, mas a verdade é que se excluirmos a parte da educação e de ter subjugado alguns dos seus êxitos no alinhamento, não há dúvida alguma que o concerto foi bom e que estava interessado em estar ali connosco. Não será isso mais interessante do que os efeitos da maquinação sobre artistas e bandas que os fazem fazer sempre o mesmo em todos os concertos, para não falharem determinados critérios de qualidade?

O que tivemos na quinta-feira foi um homem em palco, auxiliado por uma banda irrepreensível, que ao fim de quase 60 anos de carreira continua apaixonado pela música e pela criação artística, e isso notou-se em vários momentos mas em particular na interpretação de “Blowin’ in the Wind”, música incluída no álbum “Freewheelin’ Bob Dylan” de 1963, que Dylan apresentou com uma roupagem tão diferente que se tornou irreconhecível para muitos dos presentes. Numa música com mais de 50 anos, o músico continua a encontrar maneiras de a inovar.

Num palco com poucos efeitos de luz e sem ecrãs presentes, a melhor maneira de assistir ao concerto era com os olhos fechados, sentindo cada nota tocada efusivamente pela banda ou cada palavra entoada na voz cada vez mais grave (mas melhor do que muitos previram) de Bob Dylan. O alinhamento focou-se nos álbuns mais recentes, tendo sido parcas as visitas à discografia inicial do compositor. Os maiores momentos, ou os mais aplaudidos, foram as passagens por faixas como “It Ain’t Me, Babe”, “Highway 61 Revisited”, “Don’t Think Twice, It’s Alright”, “Tangled Up in Blue”, “Love Sick” ou quando Dylan saiu pela primeira vez do piano para cantar “Why Try to Change Me Now”.

Numa altura em que tudo parece padronizado e politicamente correcto em palco, Bob Dylan é a maior Rock Star que podemos ter. Ele faz as coisas à maneira dele e isso é bom. Se gostava que ele tivesse dito “Olá” ou “Obrigado”? Sim, por regras básicas de educação, mas não é isso que invalida um espectáculo. Se gostava de ter ouvido mais faixas dos primeiros álbuns da sua carreira? Sim, mas não me importo minimamente por ouvir um dos maiores ícones da música chegar aos 76 anos e ainda encontrar motivos para tocar e não se conformar com o estado das coisas e o passado. Quem gosta, gosta, quem não gosta, não gosta. O Bob não se importa, vai continuando a fazer o que mais gosta.

Setlist

Things Have Changed
It Ain´t Me, Babe
Highway 61 Revisited
Simple Twist of Fate
Summer Days
Make You Feel My Love
Honest With Me
Tryin’ to Get to Heaven
Don’t Think Twice, It’s Allright
Pay in Blood
Tangled Up in Blue
Soon After Midnight
Early Roman Kings
Desolation Row
Spirit on the Water
Thunder on the Mountain
Why Try to Change me Now
Love Sick

Encore
Blowin’ in the Wind
Ballad of a Thin Man

https://canoticias.pt/entretenimento/musica/bob-dylan-uma-carreira-recheada-de-obras-primas/

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