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Biffy Clyro – No meio é que está a virtude

Esta sexta-feira, foi a vez dos Biffy Clyro colocarem o Coliseu dos Recreios a cantar em a uma só voz.


Simon Neil a tocar a acústica de “Machines” no Coliseu dos Recreios

Tal como Simon Neil, o vocalista dos Biffy Clyro, referiu diversas vezes ao longa da noite desta sexta-feira, já era hora de Portugal receber um concerto em nome próprio da banda escocesa. Apesar de nos últimos anos já terem sido cabeças-de-cartaz em festivais como T in The Park e nos festivais de Reading e Leeds em detrimento de nomes mais comerciais como Ed Sheeran e Pharrel Williams ou de bandas de referência como Nine Inch Nails, System of a Down ou Deftones, só agora em 2017 é que tiveram oportunidade para actuar em Portugal perante uma plateia maioritariamente só deles.

E o público apareceu, apesar de não ter sido em tão grande quantidade como no concerto de Sum 41 da semana anterior, o Coliseu dos Recreios foi palco desta estreia em nome próprio em terras lusas.

A primeira parte do espectáculo foi assegurada por Frank Carter & The Rattlesnakes, e que causou surpresa para o público presente na sala lisboeta, pois o vocalista carismático arrebatou e conquistou novos fãs com uma actuação bem conseguida, levando a plateia a dançar e saltar a níveis pouco vistos numa primeira parte de um concerto. Frank Carter anunciou durante a actuação que o novo álbum da sua banda,”Modern Ruin”, atingiu o sétimo lugar no top britânico, ficando à frente dos registos de Adele ou dos Rolling Stones. Estupefactos com a boa nova, isso terá contribuído para a boa disposição apresentada no Coliseu, levando inclusive Frank Carter a fazer crowdsurfing. Não é de espantar que voltem a Portugal num futuro próximo com outro estatuto.

Às 22 horas em ponto, os Biffy Clyro apresentam-se com “Wolves of Winter” e sem tempo a perder avançam para “Living Is a Problem Because Everything Dies”, uma das raras passagens pelo reportório pré-“Only Revolutions”. Com esta dupla de músicas, apesar de ambas terem sido bem recebidas pelo público, notou-se desde logo uma diferenciação entre as pessoas que estavam presentes. É inegável que com os lançamentos dos álbuns “Puzzle” e o já mencionado “Only Revolutions”, em 2007 e 2009 respectivamente, a banda alterou em parte a estrutura musical das suas composições, tornando as suas canções daí para a frente mais melódicas e “fáceis” de ouvir em relação às que compunham os primeiros álbuns da banda.

Portanto, os fãs do som mais melódico da banda e das composições mais directas e claras ficaram certamente satisfeitas com o que foi apresentado ontem. Músicas como “Howl”, “Biblical”, “Re-Arrange” ou “Medicine” foram entoadas em uníssono no Coliseu de Lisboa.

A outra falange de fãs (menor que a primeira) sedenta das músicas mais pesadas e do estilo mais dissonante dos escoceses poderá ter saído do espectáculo insaciada, pois só foram brindados com “Glitter and Trauma”.

No entanto, no meio é que está a virtude, pois tanto “Puzzle” como “Only Revolutions” são os albúns maiores de uma banda que já anda neste meio há mais de 20 anos. E as músicas vindas desses registos são as que conseguem juntar de forma mais conseguida estas duas vertentes dos Biffy Clyro, e obviamente foram as mais bem recebidas do concerto. Refiro-me a “God & Satan”, “Bubbles”, “Mountains”, “That Golden Rule” (que gerou o maior movimento do público nesta noite), “Machines” (momento bonito da noite) e a incontornável “Many Of Horror”, que por muitos anos que passem, dificilmente não continuará a ser o hino da banda.

Após finalmente terem tido a oportunidade de actuarem a solo em Portugal, os Biffy Clyro corresponderam claramente às expectativas geradas com os concertos anteriores em festivais (e uma primeira parte dos Muse em 2009), e em que o único ponto negativo que pode ser apontado à noite de Sexta-feira foi a escassez de músicas de “Infinity Land”, “Blackened Sky” ou até “The Vertigo of Bliss” e o esquecimento de verdadeiros hits da banda como “Who’s Got A Match” ou “The Captain”, mas isso só demonstra a força de uma banda e o bom reportório que já têm. E sendo que o concerto fazia parte da tour de apresentação do mais recente “Ellipsis”, é compreensível que a escolha das músicas da setlist tenha recaído maioritariamente sobre esse álbum.

Mencionar ainda o belo jogo de luzes trazido pela banda, e que completaram de uma forma quase perfeita a imagética que associamos a músicas como “Victory Over The Sun”.

E se o regresso for para breve, tal como anunciaram, a nova recepção será ainda melhor.

Setlist do concerto dos Biffy Clyro

Wolves of Winter
Living Is a Problem Because Everything Dies
Howl
Biblical
Victory Over the Sun
God & Satan
Bubbles
Booooom, Blast & Ruin
Friends and Enemies
Modern Magic Formula
Black Chandelier
Re-Arrange
Herex
Medicine
Glitter and Trauma
Mountains
In the Name of the Wee Man
Flammable
That Golden Rule
Many of Horror

Encore:
Machines
Animal Style
Stingin’ Belle

Setlist do concerto dos Frank Carter & The Rattlesnakes

Snake Eyes
Fangs
Juggernaut
Jackals
Lullaby
Wild Flowers
Devil Inside Me
Vampires
I Hate You

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