António Soares diz que “o legado do Belenenses é demasiado pesado”, explicando que as verbas que existiam no banco foram usadas para pagar as despesas correntes do clube. “Não sobra dinheiro ao final do mês. É assim e vai continuar a ser durante muitos anos, por isso é melhor que o atual presidente se prepare para esta realidade”, elucida o ex-líder dos azuis do Restelo, respondendo assim às afirmações de Patrick Morais de Carvalho, em entrevista a Record.
Soares afirma que esse dado “pode facilmente ser explicado pela empresa que é responsável pela contabilidade”, e exige ao novo e recém-empossado presidente que este resolva os problemas do clube, algo que a sua direção se preocupou em fazer durante os quatro anos de mandato. “Em 2010, recordo que não existia dinheiro e tínhamos 5 dias para pagar 90 mil de imposto de selo do Bingo sob pena de a sala encerrar”, refere o ex-presidente.
Ao nosso jornal, António Soares contraria mais uma vez a versão de Patrick Morais de Carvalho, agora em relação à documentação que este diz estar em falta. “Como é óbvio, todos os contratos estão no clube. Quer os que foram assinados ao longo dos últimos anos quer os que estavam, e continuam a estar, em vigor”, diz Soares, revelando que mostrou total disponibilidade para prestar esclarecimentos acerca dos dossiês mais complexos. “Reuniu-se comigo na tarde do jogo com o Ac. Viseu [n.d.r.: dia 29 de outubro, para a Taça da Liga], numa sessão onde estiveram presentes vários dos vice-presidentes cessantes e outros da atual direção. Respondemos a todas as questões colocadas.”
PER está pago
O ex-presidente fez questão de clarificar ainda que os pagamentos do PER (denominado Processo Especial de Revitalização) foram liquidados. “Deixámos as 6 prestações, que venceram no final de outubro de 2014, saldadas. A sétima prestação que vencia no final desse mês só não foi paga porque houve um atraso da entidade que explora o Bingo do Belenenses, que não tinha, até 31 de outubro, pago a mensalidade de setembro que deveria ter sido liquidada no passado dia 5 de outubro. Uma vez recebida, essa verba permitirá colocar o PER em dia”, refere Soares.
O antigo presidente dos azuis do Restelo conclui a análise com um esclarecimento: “Nas últimas 48 horas do meu mandato resolvi um questão pendente com o Banif e que deixou a prestação de outubro do principal credor paga. E o valor a pagar à EPAL é de 4.864,41 euros, não existindo nenhuma fatura de 17 mil euros em falta, além dos valores relativos à instalação do relvado sintético no Campo Major Batista, inferiores a 200 mil euros, terem ficado garantidos por receitas angariadas pela direção.”
Pretende auditoria mas com início em abril de 2005
Patrick Morais de Carvalho quer determinar a herança que recebeu, realizando a breve prazo uma auditoria às contas do clube. Esta decisão, expressa pelo atual líder em entrevista a Record, tem a concordância de António Soares, mas só se a auditoria começar em abril de 2005. E o próprio explica o porquê deste entendimento. “Foi nessa altura que começou a hecatombe do Belenenses, o que praticamente acabou com a instituição. Para mim, não faz sentido avaliarmos só os últimos quatro anos – nos quais a minha direção esteve à frente do clube – mas sim o que também está para trás”, considera Soares, que chegou ao cargo em 2010.
Garantia de que há contratos assinados nas modalidades
António Soares desmente Patrick Morais de Carvalho, dando a garantia de que as modalidades não são reguladas por contratos verbais. “Essas afirmações são falsas, com exceção da situação do ex-treinador de andebol, Pedro Alvarez, que queria ver contemplada uma cláusula que lhe permitisse sair para o estrangeiro, algo que a direção não concordou”, diz Soares, acrescentado que os dados estão todos na posse da nova administração. “Toda a documentação, receitas e despesas, está na contabilidade do clube e foi exclusivamente entregue pelo ex-vice-presidente Luís Bettencourt ao atual vice-presidente com o pelouro das modalidades”, garante o engenheiro.