Dia 21 de Maio de 2011, num sábado solarengo que contradizia com o momento negro desportivo que se abatia tanto na nossa equipa como na equipa do Varzim, jogava-se a manutenção na… Segunda liga.
Fomos poucos, muito poucos, os que foram apoiar a nossa equipa até Varzim. Eu próprio só decidi ir na véspera, capacitei-me que em momento algum deveria deixar de apoiar o meu clube, aquele clube que o meu avô teve gosto e fez questão em me fazer sócio.
Se conseguíssemos sair do buraco eu queria lá estar para festejar, se caíssemos queria ver de perto o meu clube a cair nos campeonatos amadores.
Era tudo ou nada. Quem perdesse, embora nenhuma das equipas descesse automaticamente, ficava em muitos maus lençóis.
Começou mal, muito mal o jogo. Aos 42 minutos, pior altura para se sofrer um golo, Salvador Agra abre o marcador para o Varzim. Ao intervalo estávamos mais nos campeonatos amadores que na segunda divisão.
Eram minutos de muito, muito sofrimento, muita dor, muita angústia, de ver o nosso clube, impotente, a cair.
Começou a segunda parte e Miguel Rosa, já naquela altura nosso jogador, embora emprestado, faz aos 51 minutos o empate, num golo que ecoou a grito de raiva. A equipa galvanizou-se e André Almeida aos 75 minutos, assistido pelo mesmo de sempre, Miguel Rosa, marcou o golo da tranquilidade.
Ganhámos mas não foi fácil. Ganhámos mas sofremos muito. Ganhámos e fizemos a festa pela manutenção na segunda divisão. Isso demonstra, muito bem, o período negro que passávamos: nós, adeptos de um dos clubes mais históricos, mais galardoados de Portugal, a festejar a manutenção no campeonato secundário português.
Posto isto, justifica-se a quinta feira passada ter sido tão especial para mim.
Entrei em êxtase com os golos de Carlos Martins, senti-me, outra vez, grande, um dos maiores de Portugal.
Senti que bem la no céu, estivessem onde estivessem, Artur José Pereira, Mariano Amaro, Pepe e Matateu estariam contentes pelo seu legado, pela sua raça, pelo seu orgulho belenense, estar de regresso ao Estádio do Restelo.
Senti de novo o frenesim dos grandes jogos na bancada, via-se nos olhos das pessoas que estavam contentes, orgulhosas, saudosistas, de ver o seu clube de volta.