A Guerra dos Tronos | Análise “The Long Night” #S08E03

“The Long Night” foi o nome do terceiro episódio da oitava temporada.

O último episódio de “A Guerra dos Tronos” podia muito bem fazer parte da lista dos mais aguardados de sempre, ou não tivesse este prometido uma das batalhas mais épicas, não só da série, como de sempre, tendo sido também uma das mais caras. Ou seja, era fácil de imaginar uma batalha ao estilo das que vemos em “O Senhor dos Anéis”.

“The Long Night” foi o nome do episódio, como depois foi revelado. Logo desde o início, destaca-se algo que, diga-se de passagem, não é muito positivo: a cinematografia é demasiado escura. Mas visto que os realizadores tinham afirmado que isto era propositado, descansemos um pouco. E cerca de cinco minutos após o seu início temos uma explicação para a escuridão. Melisandre regressa e ilumina tudo, incendiando as armas com a ajuda do seu Senhor da Luz. O problema da falta de luminosidade parecia estar resolvido… Mas foi sol de pouca dura, pois poucos segundos depois regressamos a uma grande escuridão e ficamos a perceber que vamos ter de esforçar a vista para ter noção de quem vai morrer ou não na batalha – e vamos ficar a temer que as nossas personagens favoritas tenham morrido e não tenhamos visto.

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Quando a batalha começa, Dothraki e Unsullied são os primeiros a enfrentar a ira dos mortos – mas pouco se vê para além das armas iluminadas com fogo. É, no entanto, de louvar o modo como a batalha começa, em que vemos os vivos a esbarrarem completamente em algo que não conseguimos ver, mas que sabemos que são os mortos.

Noutro ponto, temos Jon e Daenerys a ver tudo ao longe, até que ambos decidem montar os dragões e presentear-nos com mais uma sequela de “Como Treinares o Teu Dragão”. Decidem ajudar na batalha e abençoemos os dragões por terem sido mais uma fonte de luz e por queimarem alguns dos mortos.

Por sua vez, em Winterfell também se vive um ambiente tenso, especialmente nas criptas, onde existe muito medo, mesmo sendo este “o lugar mais seguro para se ficar”. Ainda nas muralhas, Sansa e Arya observam tudo, até que Sansa vai também para as criptas e Arya vai combater os mortos com a sua nova arma e grande habilidade para matar.

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As mortes no episódio não demoram a chegar e começamos com Edd, o antigo Patrulha da Noite, a morrer depois de ajudar Sam. É de notar que a sua morte lembra um pouco a de Pyp, que também foi atingido depois de ajudar Sam, na luta contra os Selvagens. De seguida, temos também a morte da destemida Lyanna Mormont, que comprova que os Mormont sozinhos são mais fortes que dez homens – depois de ser empurrada por um gigante, Lyanna enfrenta-o e mata-o, espetando-lhe uma faca num dos olhos.

O episódio já ia em longo andamento quando as coisas começam a correr verdadeiramente mal para Jon e Daenerys, que vão parar mesmo às mãos dos mortos. Jon volta a enfrentar o Night King… E este volta a ressuscitar os mortos. Neste momento, perdemos toda a esperança de que alguém sobreviva, pois percebe-se que afinal nem o fogo é realmente capaz de acabar com aquilo, pois estes voltam sempre a renascer. É, então, que também nas criptas os mortos começam a ressuscitar – mas menos do que seria de esperar, pelo que não tivemos nenhum banho de sangue, pois a maioria conseguiu escapar.

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Arya, dentro das muralhas de Winterfell, quase é apanhada pelos mortos, mas é salva por Beric Dondarrion e The Hound. Lembram-se que Beric foi ressuscitado pelo Senhor da Luz, certo? Pois, bem, morreu neste episódio a salvar Arya. Depois termos Melisandre a dizer à rapariga Stark que o Senhor da Luz apenas o tinha ressuscitado por um motivo e que esse motivo foi comprido. “Eu vejo uma escuridão em ti e nessa escuridão olhos me encaram. Olhos castanhos, olhos azúis e olhos verdes. Olhos que fecharás para sempre”, são palavras que Melisandre disse a Arya quando a viu pela primeira vez, há temporadas atrás, e que volta a repetir. Arya entende logo o que terá de fazer. E nós também entendemos que Arya é, na verdade, Azor Ahai, o “Príncipe Prometido”, aquele que tem como destino matar o Night King.

Ao mesmo tempo, temos Bran a “aguardar” pelo Night King, enquanto Theon dá a vida a tentar defendê-lo, mas completamente em vão. É quando achamos que tudo vai acabar para os vivos, que Arya ataca o Night King pelas costas, destruindo-o com aço valiriano – e, com ele, destrói todos os mortos.

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Noutro lado, antes disto, tínhamos Daenerys rodeada pelos mortos, depois de Drogon ter sido atacado, e Jorah Mormont a defendê-la até à morte. E com a morte de Jorah e de Lyanna, temos o fim da casa Mormont.

Este episódio foi repleto de grandes momentos de tensão e teve outros acontecimentos verdadeiramente homéricos, como seria de esperar. No entanto, é de lamentar o facto de a Batalha ter sido tão escura. Pouco importa que tenha sido a maior batalha de sempre, se pouco se viu.

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Alguns momentos foram como seria de esperar, no entanto houve muitas surpresas agradáveis, como a cena de Arya, que já vinha a ser montada desde a segunda temporada e ainda assim foi capaz de surpreender pela positiva.

Por outro lado, é estranho pensar que “A Guerra dos Tronos” ao longo de oito temporadas andou a destacar o Night King como um grande perigo e, no entanto, pareceu ter tudo acabado demasiado rápido. A questão é: será que é assim tão fácil ou será que nos próximos episódios ainda vamos ter marcas dos mortos? E, por falar em Night King, parece que tudo indica que este era um Targaryen – mas quem será mesmo?

Faltam três episódios para “A Guerra dos Tronos” terminar para sempre, o que parece ser pouco. E tendo em conta a sensação de apressamento com que este episódio nos deixou, questiono-me se no final de tudo vamos ficar felizes com o resultado.