By oficinadosite // 22 de Maio de 2014 Imenso e quase incomparável, Amaro é um símbolo imortal do Belenenses, um dos nossos maiores – para alguns, até, o maior. Ainda hoje nos lembramos de ler a notícia da sua morte e de sentirmos a nossa alma levantar-me, com reverência e comoção. O seu palmarés pode sintetizar-se em números tão simples como expressivos: Serviu o Belenenses durante 14 anos, de 1934 (chegado do Sport Adicense, clube do bairro da Graça, que ainda hoje existe) até 1948; ganhou, no nosso clube, 1 Campeonato Nacional, 2 Campeonatos de Lisboa e 1 Taça de Portugal. Esteve presente em duas outras finais da Taça de Portugal (e estava para participar ainda numa outra quando, na véspera, soube que não podia alinhar nem continuar a sua carreia, o que foi um duro golpe para a equipa e para todos os Belenenses). Foi ainda 2 vezes Vice-Campeão de Portugal e 1 vez Vice-Campeão Nacional. Foi 19 vezes internacional, num tempo em que a Selecção Nacional (em que foi indiscutível durante uma década) jogava pouco frequentemente – muito pouco, aliás, no período da 2ª Grande Guerra Mundial. Só 3 jogadores (entre os quais o “nosso” Augusto Silva, tinham mais internacionalizações). Foi capitão do Belenenses – e que grande capitão! O seu talento e o seu carácter impunham-se à admiração de todos, companheiros e adversários. Mariano Amaro não foi apenas um grande jogador: foi também um grande homem! Gostava fervorosamente do Belenenses. Por isso, nos anos 40, deparamo-nos repetidamente com mensagens de apaixonado amor clubístico dirigido por Amaro aos sócios e adeptos do Belenenses. Como jogador, dizia-se, introduziu uma nova dimensão no Futebol Português. Que é preciso acrescentar? No dia seguinte ao da sua morte, foi publicado nas páginas de “A Bola”, pelo jornalista Aurélio Márcio, um texto de que a seguir reproduzimos algumas partes: “Era um nome histórico do futebol do Belenenses, fica bem ao lado de Artur José Pereira, dos olímpicos, como então se dizia, Augusto Silva e César de Matos, do nome lendário de José Manuel Soares (Pepe), o jovem perdido antes dos vinte anos e, claro, de Matateu, estes os nomes, não sei se nos falta algum, dos homens que ajudaram a escrever a história do futebol do Belenenses [Aqui, Aurélio Márcio confundiu a idade de Pepe – morreu aos 23 anos – e nas grandes figuras de jogadores do Belenenses esqueceu ou omitiu, erradamente, nomes como o das Torres de Belém, Vicente ou Serafim das Neves, por exemplo]. Mariano Rodrigues Amaro morreu ontem, aos 72 anos, fulminado por um ataque cardíaco e ficando ligado aos maiores triunfos do futebol do seu clube de sempre (…) [Também aqui, parece ter esquecido os três Campeonatos de Portugal que o Belenenses ganhou antes de Amaro]. Era um jogador excepcional, dos maiores de sempre do nosso futebol, um centrocampista que seria hoje pago a peso de oiro, sempre do lado direito, onde mostrava uma versatilidade de jogo a fazer inveja, ainda hoje, aos nossos melhores centrocampistas. Com ele, outra grande figura do nosso futebol, também das maiores, o madeirense Pinga, interior-esquerdo do F.C.Porto, com o qual travou duelos, nos encontros Belenenses – F.C.Porto que são da história do futebol, por conterem um elevado conteúdo técnico e uma correcção exemplar entre dois jogadores fora de série. Dezanove vezes internacional, entre 1937 e 1947, praticamente entrou na selecção nacional em 1937 e dela nunca mais saiu até dar o lugar, atraiçoado por uma doença que o marcou, não a um sucessor, mas a vários jogadores que passaram pelo lugar que ele desempenhou com tanto brilho e que tantos anos levou depois a encontrar quem o substituísse. (…) Mariano Amaro, para além da sua classe de grande jogador exibia, dentro e fora do terreno, uma correcção e uma educação exemplares, nunca criando quaisquer problemas a quem quer que fosse. O primeiro número de ‘A Bola’ fica assinalado por uma entrevista notável, de José Alves dos Santos, em que Amaro, recuperado da doença que o acometeu (…) declara que ia recomeçar, aos 30 anos, com o mesmo entusiasmo dos seus primeiros tempos. Um grande jogador que nos deixa, uma figura histórica do futebol português e do Belenenses. Morreu como queria, o velho amigo, de repente, sem dar trabalho a ninguém, certamente a olhar para o sorriso de uma mulher”. Mais expressivo ainda e certamente mais sentido, foi o poema escrito pelo colega de equipa (dos nos 30 e 40), Perfeito Rodrigues (segundo Acácio Rosa, uma das maiores e incondicionais dedicações azuis) “Ao meu grande amigo e antigo companheiro de equipa Mariano Rodrigues Amaro”: “Amaro! Tu amaste, eu sei, Este Clube que é nosso. Já não podes, nem eu posso: Fez-se tarde…É a lei! Tantos anos a lutar! A defender nossas cores, Sempre presos aos amores Que em Belém foste encontrar! Era jovem e tinha a Cruz A ‘bela’ que nos prendeu. A ti te mostrou a luz E mais tarde o apogeu! Depois, tudo se esboroou. Tudo fugiu num repente. De ti apenas ficou… Um sorriso para toda a gente. Bem mereces a distinção Deste Clube a que pertences. E um abraço de gratidão De todos os Belenenses!” JMA Fonte: Os Belenenses