Muitos dos habitantes do concelho de Matosinhos moram hoje onde antes havia vãos de fábricas. A esses lugares amplos chegavam toneladas de peixe, que seguiam para o mundo inteiro em latas de conserva. Quais os vínculos históricos e geográficos entre os pescadores, as operárias, os consumidores e os atuais moradores? Há uma rede invisível que junta os lugares e as pessoas de Matosinhos às exposições universais de Paris no Séc. XIX, aos soldados desconhecidos da primeira e segunda guerras mundiais, aos náufragos da pesca da sardinha, aos brinquedos de folha de lata da Pepe, às greves dos anos 1970, e às histórias de família. Que sina é essa? A partir da memória das fábricas e da arqueologia industrial de Matosinhos, contaremos em palco a história do longo Séc. XX português — ou pelo menos de partes dele. Em cena, três mulheres desfiarão o seu rosário de contas, as gerações sucedendo-se umas às outras entre 1870 e 2020, mais ou menos, tendo como ouvinte uma quarta mulher, muito mais nova. Citando depoimentos recolhidos junto das antigas e atuais operárias, abarcando uma parte dos 150 e tal anos da indústria de conservas na cidade, serão reconstituídas a sorte e o destino destas pessoas. As quatro atrizes serão secundadas por um coro teatral que comporá vários dos episódios narrados. Esquematicamente, cada narrativa tem início num ponto de cruzamento entre a história nacional e a história local, a partir da reação da personagem perante um facto trágico que transcenda as suas forças individuais: por exemplo, a guerra de 14-18, o grande naufrágio de 1947, a greve dos pescadores de 1959, a guerra colonial. Por vezes, as narradoras estarão em cena ao mesmo tempo, pondo em paralelo os destinos de cada uma e os vários tempos históricos. Além disso, uma parte da história será decidida pelo público, que poderá escolher, em parte, o rumo dos acontecimentos, num jogo de adivinhação a partir de sonhos.
Ficha Artística
Texto e encenação – Jorge Louraço Figueira Assistência de encenação – Micaela Soares Apoio à dramaturgia – Diogo S. Figueira Interpretação – Isabel Carvalho, Flora Miranda, Gracinda Nave e Romi Soares Direção musical – João Loio Cenografia e adereços – Bruno Neto Figurinos – Helena Guerreiro Desenho de luz – Bruno Santos Desenho de som – Filipe Gonçalves Vídeo – Miguel Miranda Músico – Carl Minnemann Produção – Sofia Carvalho Comunicação – Joana de Belém
Informações Adicionais
Estacionamento Informação sobre estacionamento A aquisição de um bilhete para um espetáculo no Teatro Municipal de Matosinhos Constantino Nery permite o estacionamento no Parque de Estacionamento da Docapesca, mediante o pagamento de 1 euro.
Preços
Preço Inteiro 7,50 € Sénior ( 65 ) 5,00 € Estudante 5,00 € Criança ( 0-14 anos) 5,00 € Grupos = 10 – 20% sobre o valor de preço inteiro