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Silvia Tarozzi & Deborah Walker + funcionário

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Silvia Tarozzi & Deborah Walker + funcionário

Música & Festivais | Concerto

Galeria Zé dos Bois

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Maiores de 16 anos

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Promotor

Associação Zé dos Bois

Breve Introdução

Silvia Tarozzi & Deborah Walker
Volvido quase um século desde o final da Segunda Guerra Mundial, as suas mazelas ecoam ainda nestes tempos como um espectro que se revolve para além da memória. Actuando num presente assustadoramente real com o regresso do facismo declarado ao poder em Itália – afinal de contas, o que era mesmo o totalitarismo fracamente dissimulado de Berlusconi? Daí que, mais do que nunca, Canti di guerra, di lavoro e d’amore de Silvia Tarozzi e Deborah Walker se revele de uma urgência e pertinência absolutas, mesmo resgatando o cancioneiro da resistência e da emancipação feminina da classe trabalhadora dos anos dessa Grande Guerra, da distância. O passado a assombrar o presente na contínua premência dessas mesmas canções, a imortalidade da folk encarnada em novas vidas, porque as lutas são (e serão?) sempre as mesmas. Revisitando esse legado precioso e pouco conhecido, Tarozzi e Walker recontextualizam a memória para a dotar de novas perspectivas, novas vivências, em oposição ao revisionismo vazio.

Artistas com estaleca nos meandros da composição moderna e da improvisação, tendo já interpretado peças de Eliane Radigue, Phil Niblock ou, com particular afinidade, Philip Corner, Tarozzi e Walker tratam com todo o carinho, saber e sensibilidade destas canções. Música que foi parte fundamental da infância de Tarozzi no meio rural do Norte de Itália e que é aqui interpretada à luz da música contemporânea mais viva, fora do mero aprumo canónico ou predatório, antes numa sinergia orgânica entre a folk e as técnicas e linguagens da improvisação e da composição moderna. Lançado já este ano na vital Unseen Worlds, editora responsável por trazer à luz de hoje a obra de Carl Stone, Laurie Spigel ou “Blue” Gene Tyranny, Canti di guerra, di lavoro e d’amore intermeia o canto ancestral com passagens instrumentais, onde o violino de Tarozzi e o violoncelo de Walker se enredam num clamor de acordes lânguidos, como que a carregar a dor e esperança de vidas passadas e presentes, num todo de hipnose sem tempo. BS

+

fun·ci·o·ná·ri·o
(francês fonctionnaire)
substantivo masculino
1. Empregado da função pública.
2. Aquele que tem ocupação permanente e retribuída. = EMPREGADO

funcionário é o projecto a solo de Pedro Tavares (PT) focado primeiramente na expressão da vida quotidiana e de todas as suas facetas, não como uma narrativa contínua mas sim como um aglomerado de sensações – o poder do som como a ponte entre a memória e a imaginação que a interpreta. Como colagens de música, o destaque vai para a profunda endoestesia que pesa ao ouvinte atento: não é o cansaço da labuta, a saudade do que se perde: é a essência que leva a todas as outras sensações. funcionário é a exploração deste âmago profundamente íntimo na sociedade contemporânea de relógios e horários, de turnos e folgas.

De sampling intensivo e exploração melódica digital, a música do projecto remonta para grandes clássicos da experimentação dentro e fora de fronteiras: o etéreo Plux Quba (Nuno Canavarro), os mais-que-modernos inovadores da musique concrète (como Pierre Schaeffer e Pierre Henry), a nostalgia dos não-esquecidos anos 90 de Boards of Canada. Encontramos neste embrulho de referências um misto de revivalismo daquele que seria o som do futuro para os pioneiros da electroacústica e uma resposta pós-internet aos mesmos. Mais do que reviver, a música de funcionário reinterpreta os sons da vanguarda, transpondo-os para esta nova era de MIDIs e da World Wide Web.

Texto de Luan Bellussi

Abertura de Portas

21h30

Preços

  • Entrada – 10€

Sessão

14 dez 2022 22:00

Duração

180 minutos

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