Da cidade natal de Royal Blood, Brighton, vieram os Black Honey para abrir o espectáculo. Pela primeira vez em Lisboa, a banda indie/rock tentou aproveitar ao máximo os seus trinta minutos de actuação, mas o som não ajudou. O quarteto, composto por Izzy Baxter (voz e guitarra), Chris Ostler (guitarra), Tommy Taylor (baixo), Tom Dewhurst (bateria), apresentou elementos de garage rock e um visual de anos 60. Se no último ano saltaram do underground britânico, o próximo ano poderá dar a conhecer um pouco mais esta banda pela Europa fora. Da noite passada, fica a ideia que Brighton poderá ser um acelerador de bandas de rock, tal como Silicon Valley é para Startups.
Entre actuações, a banda sonora foi boa, desde Foo Fighters, passando por Iggy Pop, até Arcade Fire – que irão tocar naquele mesmo espaço, em abril.
Foi com uma pontualidade britânica que Royal Blood subiram ao palco pelas 21 horas, ao som de ‘Down in Mexico’ dos The Coasters. Mike Kerr (voz e baixo) à esquerda e Ben Thatcher (bateria) à direita, trouxeram o luminoso cenário que apresentaram há cerca de três meses, no NOS Alive. No palco a maior novidade foi o duo ter tido companhia, nalgumas músicas, de um duo feminino a fazer de coro, que ocuparam um plataforma na retaguarda do palco.
Quando analisamos mais em pormenor o fenómeno que se tornou Royal Blood, percebemos o brilhantismo que tiveram em conseguir dar um novo folgo ao Rock. Não é qualquer banda que ao fim de quatro anos de existência, acabada de lançar o segundo álbum, tendo dado recentemente um concerto a rebentar as costuras no palco secundário do NOS Alive e com outro magnífico concerto à mesma hora a uns quilómetros de distância – The National, no Coliseu dos Recreios -, consegue um Campo Pequeno muito perto da lotação esgotada.
O concerto arrancou com o tema homónimo do novo álbum, “How Did We Get So Dark?”, capturando desde logo o público sem nunca mais largar. Cada mosh, cada abanar de cabeça ou cada cerveja atirada ao ar era merecida, à medida que se desenrolava o concerto com “Where Are You Now?“, “Lights Out“.
Royal Blood no NOS Alive ’17
Royal Blood no NOS Alive ’17
Em “Little Monster”, uma das favoritas do público, Mike deixa o palco a cargo de Ben, dando espaço a um poderoso solo do baterista que só termina quase dois minutos depois. Mais à frente, seguem-se os habituais agradecimentos de Mike que diz que “Portugal é o melhor país para se tocar”.
Piropos e clichés à parte, o duo tinha o público português na palma da mão, onde cada riff era seguido com a máxima atenção. Depois da novidade “Don’t Tell“, a primeira parte do alinhamento termina com a incontornável “Figure It Out“.
No regresso para o encore, Mike pede para abrirem espaço na plateia que prontamente recebe um mosh aos primeiros acordes de “Ten Tonne Skeleton“. “Out of the Black” dita o fim do concerto, cerca de uma hora e vinte minutos.
Se há violência no Campo Pequeno aceite por todos será esta, das guitarras frenéticas e das baterias poderosas.
How Did We Get So Dark? Where Are You Now? Lights Out Come on Over You Can Be So Cruel I Only Lie When I Love You She’s Creeping Little Monster Hook, Line & Sinker Blood Hands Don’t Tell Hole in Your Heart Loose Change Figure It Out