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Ramen Shop – Negócio de Família | Crítica Cinema

Ramen Shop, Ramen Shop – Negócio de Família | Crítica Cinema, CA Notícias

Ramen Shop – Negócio de Família é um dos primeiros filmes a estrear nas salas de cinemas portuguesas após o surgimento da pandemia Covid-19. Saiba o que achámos deste novo filme que estreia amanhã no cinema.

Crítica feita por: Bernardo Freire (Visão de um Crítico)

Há quem diga que uma mulher conquista-se pelo estômago e o realizador singapurense Eric Khoo apresenta bons argumento a favor do caso em Ramen Shop. Uma produção que vê a Singapura, o Japão e a França reunirem forças para contar uma história sentimentalista sobre o poder evocatório da comida e choques culturais. Fica a nota introdutória de que deviam ver o filme, mas independentemente da decisão ressalvo que não convém passar pela experiência de estômago vazio.

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Escrito pelos argumentistas Fong Cheng Tan e Kim Hoh Wong, a narrativa, apesar do título, não faz constar assim tanto ramen. Em vez disso, a comida de conforto de Masato (Takumi Saito) é Bak Kut Teh, um prato típico da Singapura composto por uma sopa de costela de porco que a sua mãe fazia. Uma receita que nem o jovem nem o seu pai japonês aprenderam a fazer antes do seu óbito. Os anos passaram e Masoto trabalha no seu restaurante de ramen com o seu pai e o seu tio, perito em metade da cozinha que herdou. Depois da morte do seu pai, decide ir até Singapura reconectar-se com a família do lado da mãe e aprender a confecionar a outra metade, onde descobre que o passado do seu sangue era mais conturbado do que alguma vez pensara.

Acima de tudo, o filme procura comentar dois aspetos fundamentais: A comida enquanto memória e as repercussões da Segunda Guerra Mundial na convivência entre japoneses e singapurenses. O processo de luto envolve sempre um grau de nostalgia para com o falecido. Quando a relação é parental, maior é a necessidade de aconchego e recordação. Para muitos, as fotografias são indispensáveis, ativam o sentido da visão, que utilizamos com tanta abundância. Para outros, a lembrança de uma voz ou de um momento de toque avivam o sentido auditivo e o tato. Quanto a Masoto, as notas reminiscentes são primariamente olfativas e gustativas.

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Através da comida, o protagonista recorda lugares, rostos e ambientes. Através da comida, sente-se em paz consigo mesmo. Através da comida, honra a memória dos seus pais com o mesmo carinho que um chefe de cozinha emprata a sua refeição preferida. Por conhecermos as suas motivações no início do filme, a jornada é empática e desejamos o seu sucesso. No entanto, um grande obstáculo prende-se com desacatas familiares, que acrescentam uma camada histórica e relacional ao drama. Isto porque após a ocupação de Singapura por parte do Japão na Segunda Guerra, a convivência entre os países deteriorou e as personagens sofreram as consequências.

Fora certos momentos em que o diálogo soa forçado ou outros em que os intérpretes são mais expansivos na demonstração das emoções, Ramen Shop resulta pela sua quietude e delicadeza. Aquece o coração, faz crescer água na boca e comove por ter tanta sinceridade de espírito na sua representação de um jovem em busca de conforto. Equilibra com destreza o que mostra e o que conta de modo a proporcionar uma fácil digestão da história. E para um filme onde não falta gente a comer, cozinhar ou a falar de comida, faz a diferença.

 

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Ramen Shop - Negócio de Família estreia a 25 de Junho nos cinemas portugueses.

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Editor's Rating:
4
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