Tendo tido recentemente uma confirmação de um remake para a PS4, é evidente que Spyro ainda vive nas recordações de muitos gamers. O pequeno dragão roxo, durante o seu auge, chegou a ter uma pequena rivalidade saudável com Crash Bandicoot. Aliás as duas empresas mantiveram uma relação próxima até mesmo durante o desenvolvimento dos jogos de Jak and Daxter (Naughty Dog) e Ratchet & Clank (Insomniac Games).
Ted Price, fundador e SEO da Insomniac Games
A Insomniac Games, composta nos primeiros tempos por Ted Price, Al Hastings e Brian Hastings, curiosamente, começou por desenvolver o jogo Disruptor até que surgiu uma oportunidade de contrato com a Universal Interactive Studios. A proposta foi similar à que foi feita à Naughty Dog: fazer uma nova série composta por três jogos.
Curiosidade: durante o desenvolvimento do jogo Spyro era para ser verde.
Assim se foi desenvolvendo a ideia principal por detrás de Spyro, o pequeno dragão que começou por ser verde (A sua cor foi eventualmente alterada para roxo de modo a que a personagem não se misturasse demasiado com certos cenários). A história, por sua vez, começou por ser dos elementos mais simples: o dragão terá que salvar os seus amigos presos em cristal, recuperar os tesouros pertencentes aos dragões e derrotar o feiticeiro Gnasty Gnorc.
Gameplay
Começo do primeiro jogo
Durante este jogo, controlamos Spyro à medida que ele navega por cinco mundos diversos, coleccionando jóias e outros itens relevantes. Salvar dragões e recuperar ovos roubados são dois dos principais objetivos, assim como completar a colecção de jóias espalhadas pelos mundos.
Como ataques principais, Spyro pode atacar ou soprando fogo, ou dando chifradas contra os inimigos. Cada ataque deverá ser utilizado dependendo do tamanho e defesa de cada inimigo.
Um dos ataques de Spyro
Além dos ataques, Spyro terá que passar por partes nas quais terá que usar as asas para chegar a diferentes sítios. Irão existir partes em certos níveis que darão poder maior aos dois ataques principais (nomeadamente ao ataque de chifradas), de modo a ajudar o jogador a completar o mundo em causa.
Spyro será ainda seguido por Sparx, uma libélula, cuja cor determina a energia do dragão. Amarelo é a energia máxima, azul a média e verde a mais fraca. O jogador deverá ter cuidado após ser atingido três vezes, pois à quarta será um Game Over. Para fazer o Sparx recuperar energia, o jogador deverá matar pequenos animais que libertarão borboletas para a libélula comer.
Os “Pros”
Este jogo permite ao jogador uma verdadeira exploração livre de diversos mundos. Os níveis apresentam visuais bastante diversos e, ao contrário de Crash Bandicoot, o caminho a ser seguido não é linear.
Há diversos segredos e áreas que serão desafiantes para serem acedidas. Caso o jogador tenha o objetivo de completar o jogo, a exploração será um prazer obrigatório.
Sem dúvida outro elemento que marca nestes jogos é a música, que se torna num fator agradável e bastante ambiente. Poderão ouvir a banda sonora clicando aqui. Contudo, se há aspeto que merece o meu elogio nos três jogos desta série, sem dúvida a música é dos mais marcantes.
Niveis de voo: uma das melhores partes de todos os três jogos!
Os níveis de voo não só permitem ao jogador fugir um pouco ao estilo de gameplay prevalecente neste jogo, mas também permitem ao Spyro dar maior uso das suas asas. Este níveis são um dos marcos mais memoráveis do jogo, desafiando os gamers a encontrarem e destruírem certos objetos ou inimigos do nível em tempo limite. Nestes espaços definitivamente o Spyro pode ser um dragão de verdade!
Os inimigos não só se distinguem pelo seu visual, mas também pelo seu tamanho e ainda pela sua resistência. A lógica é fácil ao início: queimar os inimigos grandes e atacar directamente os mais pequenos. Todavia, alguns inimigos começarão a ser mais desafiantes o que implica que sejam usados “powerups” que ampliarão os dois ataques principais do Spyro.
No que toca a inimigos memoráveis, esse será um aspeto que irei referir no próximo tópico, infelizmente. Ainda assim, os ladrões de ovos definitivamente testaram bastante a minha paciência sempre que eu os tentava apanhar. Sem dúvida estes minorcas risonhos estão gravados na memória de quem jogou este jogo (e o Year of the Dragon, no qual eles regressam para frustrar mais um bocado a paciência dos fãs de Spyro!).
Ladrões de ovos: a maior frustração do jogo!
Os “Cons”
Mais uma vez, os controlos voltam a ser um problema, embora sem dúvida que este elemento envelheceu muito melhor com este jogo do que com o primeiro Crash Bandicoot. O jogo continua a ser bastante acessível se jogado atualmente, mas não haja dúvidas que nos outros jogos seguintes os controlos são de uma fluidez muito melhor.
“Simplicidade” foi a palavra usada na altura por muitos críticos. E, a meu ver, “diversidade” é algo que definitivamente ainda deixava muito a desejar neste jogo. Os níveis eram sem dúvida diversos em cenários e inimigos, mas não tanto no que toca a experimentar outras modalidades de níveis ou mesmo em “sidequests”. Existem os níveis de voo, sim, mas além dessas possibilidades, o gameplay permanece quase o mesmo, o que poderá tornar o jogo aborrecido para alguns.
Também a história é pouco aprofundada e sem grandes reviravoltas. Não passa muito do conto do herói que resgata os amigos, derrota o vilão e salva o dia. The End.
E eis que me volto a queixar de outro elemento do qual me queixei no meu artigo anterior: as boss fights fáceis e pouco memoráveis. Em miúda nem sequer sabia que os inimigos “pouco mais fortes” em certos níveis eram bosses. Apenas dois antagonista se apresentaram realmente como sendo um desafio e mesmo assim os confrontos não foram nada que me tivesse frustrado ou feito perder demasiadas vidas. O vídeo em cima poderá demonstrar perfeitamente o que aqui referi.
Consenso
Este jogo foi outro dos que revolucionou a noção de platforming. Não só nos deu belos mundos para explorarmos como ainda nos permitiu controlar uma personagem com diversas formas de atacar e percorrer os diversos cenários. Os controlos continuam a ser bastante acessíveis atualmente (visto que aqui já se pode recorrer ao analógico). Dá gosto controlar o Spyro porque permite ao jogador sentir-se realmente na pele de um dragão.
Uma das maiores falhas que posso apontar é realmente a “simplicidade” do jogo no que toca a opções de níveis e sidequests, o que poderá fazer com que este jogo não seja tão apelativo como os dois seguintes. E definitivamente algo que não será de todo memorável são os bosses, que são demasiado fáceis e cujos desafios mal se podem chamar de “boss fights”, na verdade.
Termino esta crítica referindo uma citação que acredito que será um meme quando o remake chegar finalmente à PS4: