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Pérolas do Retrogaming: Kingdom Hearts (PS2)

Pérolas do Retrogaming: Kingdom Hearts (PS2)

Kingdom Hearts é sem dúvida um dos maiores clássicos de RPG de sempre. A ideia de misturar os mundos da Disney com um plot à la Final Fantasy pode parecer ridícula, para quem nunca ouviu falar deste jogo. Ainda assim funcionou e é uma das franchises mais famosas a nível mundial.

Sejamos sinceros: Kingdom Hearts 3 é provavelmente um dos jogos (se não “o” jogo) mais aguardados de 2019. Anos de espera e oito jogos (todos interligados!) depois, a espera parece que vai finalmente cessar. Hoje falamos do jogo que começou todo um fenómeno.

Gameplay

Esse diálogo não é lá muito diferente do de uma Princesa Disney

A história centra-se em torno de Sora, um rapaz de 14 anos que mora num mundo paradisíaco (Destiny Islands) juntamente com os seus dois melhores amigos Kairi e Riku. Os três pretendem sair do arquipélago em que residem e partir à descoberta do mundo numa jangada. Mas, um dia antes da partida, a ilha é atacada por umas criaturas misteriosas (Heartless) e os três amigos acabam separados em diferentes mundos.

A cara de muitas pessoas ao ouvirem a ideia deste jogo pela primeira vez

No meio desses acontecimentos, Sora obtém uma espada misteriosa em forma de chave (Keyblade) que será a arma usada ao longo do jogo. O caminho do jovem acaba por se cruzar com o de Donald e Pateta, que procuram pelo Rei Mickey. O trio de seguida parte à exploração de diferentes mundos numa demanda para encontrar Mickey, Kairi e Riku.

Quem não tem espada luta com chave

Sendo este um jogo RPG, o Sora vai evoluindo à medida que o jogo vai progredindo. O personagem pode atacar com a Keyblade (X) ou usando magia e invocações com diversas propriedades (podemos invocar o Simba do Rei Leão, a Sininho do Peter Pan, o Mushu de Mulan, entre muitos outros). Além disso tens sempre o apoio do Donald (o mago do grupo) e do Pateta (o “cavaleiro” do grupo), embora possas sempre trocar uma destas duas personagens por uma personagem da Disney em cada mundo por que fores passando. À medida que as personagens vão subindo de nível, vais desbloqueando diversas habilidades, bem como pontos (AP) que te permitem “instalar” e usar as mesmas.

Podes ainda obter, comprar ou forjar diversos itens que te serão úteis ao longo da aventura. À medida que o jogo progride, a personagem principal vai ganhando e evoluindo todo um conjunto de habilidades físicas e mágicas.

Os Pros

Não haja dúvidas que em 2002, quando o jogo foi originalmente lançado, todo o gameplay e visual tomaram vários gamers de surpresa. Um conceito que pode ser considerado completamente ridículo para quem oiça a ideia pela primeira vez consegue de certa forma capturar o interesse de pessoas de todas as idades.

A primeira e única vez que o Tarzan aparece nestes jogos infelizmente

Será pela nostalgia que é voltar a ver várias personagens da Disney? Será o gameplay? A história? Seja como for posso confirmar que conseguiu captar o meu interesse: joguei este jogo pela primeira vez aos 18 anos e posso dizer que não achei o jogo infantil nem aborrecido. Não me peçam é para explicar toda a história que é complexa e complicada mesmo para quem jogou todos os jogos!

Sim, começas a aventura com uma mísera espada de madeira

O jogo promete toda uma aventura longa e envolvente e é precisamente isso que obtemos, como aliás se espera de um bom Role Playing Game. Os mundos novos, bem como os mundos inspirados nos filmes estão retratados de uma forma completamente leal e bastante alusiva ao espírito da Disney. Há muito para explorar e mesmo sendo este o primeiro jogo os gráficos mantêm a qualidade. E notem que eu joguei e completei a versão original da PS2 e não um remaster do jogo!

As personagens principais são as estrelas do jogo, sem sombra de dúvidas! Sora, Donald e Pateta formam um trio bastante unido e divertido ao longo da aventura. Ao longo da história a seriedade característica de um jogo de Final Fantasy e o espírito mais light hearted da Disney estão bem presentes. O mote principal da história é focado na amizade, mas mesmo as mensagens transmitidas não são todas “açucaradas” e o desenvolvimento de Riku ao longo da narrativa mostra isso.

Sai daí antes que ela te coma literalmente!

Os bosses… Minha nossa que eu neste jogo tive que batalhar com aqueles que para mim são os bosses mais difíceis em videojogos! A maior parte deles consegues passar facilmente no começo e meio do jogo. Mas a partir de Hollow Bastion preparem-se para perder vezes sem conta ou gastarem imenso tempo a fazer grinding! Destaco aqui particularmente a luta contra Maleficent de “A Bela Adormecida” (que demorei MEIO ANO a vencer) bem como Chernabog de “Fantasia”. Ah e se quiserem podem lutar contra o Sephiroth de Final Fantasy VII… boa sorte!

A sério, quando chegarem a esta luta preparem-se para ver esta cutscene vezes sem conta!

Sobre a banda sonora: é só a melhor banda sonora que ouvi em qualquer videojogo! Não acreditam? Oiçam por vocês mesmos!

https://www.youtube.com/watch?v=P_4UUHYBVLI

Os Cons

Nossa senhora que os controlos hoje são uma autêntica dor de cabeça! Do primeiro título da franchise para todos os jogos que se seguiram ao “Chain of Memories” houve uma mudança para muito melhor nos controlos. Neste jogo os mesmos são pesados, presos e muito lentos em certas alturas. Senti dificuldades em particular no mundo da Atlântida onde o facto de o Sora estar a nadar implica controlos diferentes aos quais custa habituarmo-nos.

Admitam: a dada altura para vocês só existia o X

Mesmo o gameplay às vezes pode-se tornar muito repetitivo em certas partes. A maior parte dos combates casuais podem ser ganhos com apenas um botão: X! É certo que existem sidequests que ajudam a distrair, mas se fores um jogador que gosta de se ficar pela história “direta”, talvez comeces a sentir que o jogo é só explorar um nível enquanto derrotas os Heartless com o botão X.

Yeah… Desisto!

Até hoje ainda estou para perceber como raio funciona a parte referente aos gummi ships. Supostamente daria para construir naves novas a partir de diversos blueprints, mas eu de maneira alguma me consegui entender com a lógica dessa funcionalidade e praticamente terminei o jogo com a mesma nave com que comecei. Felizmente no segundo jogo há tutoriais que explicam muito melhor essa parte.

Mas para vos ser sincera, não acho que as sequências de voo acrescentem lá muito a este título. Como muitos críticos já apontaram, é como se fosse uma imitação de Star Fox e, como referi anteriormente, comecei e terminei o jogo com a mesma nave… por isso não é uma parte lá muito desafiante.

Uma desvantagem que pode variar de pessoa para pessoa passa pelo facto de que se jogares este jogo e não tiveres visto nem metade dos filmes em que os mundos deste jogo são inspirados ou não tiveres jogado títulos recentes de Final Fantasy (nomeadamente a partir do VII), perdes uma boa parte da ligação emocional com as personagens secundárias.

O meu exemplo: eu quando joguei este jogo pela primeira vez não fazia ideia de quem eram aqueles quatro

Porque digo isto? Porque há algumas personagens que ou não são tão bem representadas (ex: Tarzan, ou Alice), ou mundos nos quais a história não flui nem evolui tão bem como nos filmes em que são inspirados (ex: Neverland, Deep Jungle, Wonderland, Agrabah,etc). Ou seja, se não conheceres as personagens em causa, estas não serão lá muito marcantes neste jogo.

Consenso

Apesar de ter alguns elementos datados, não há dúvidas que Kingdom Hearts deu origem a todo um fenómeno que ainda hoje persiste. Conseguiu tornar uma premissa que pode parecer extremamente ridícula a quem oiça a ideia pela primeira vez numa franchise que conquistou milhões um pouco por todo o mundo.

Um rapaz, um pato e um cão… que três!

Desde a aventura que te permite explorar uma diversidade de mundos, a um gameplay que te permite ganhar uma série de habilidades, acompanhado por uma história que se vai tornando complexa à medida que se vai jogando, o primeiro Kingdom Hearts pode ter envelhecido mal nalguns aspetos (especialmente nos controlos), mas não haja dúvida que mesmo quase 20 anos depois continua a ser uma experiência com muito para dar.

Quando me perguntam qual é o melhor jogo que alguma vez joguei, ou qual a minha franchise favorita, digamos que não tenho uma resposta certa e decidida. Mas se alguma vez planear um top 5, não tenham dúvidas de que Kingdom Hearts vai integrar essa lista! Quem diria que misturar Disney com Final Fantasy resultaria tão bem!

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