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North Festival não foi só música: Teve política no palco e o regresso histórico dos The Cure

O North Festival despediu-se este domingo da Cidade Desportiva da Maia com uma noite que não foi apenas feita de música, mas também de fortes mensagens políticas. Perante uma moldura humana impressionante e vestida a rigor, o rock de intervenção dos Linda Martini e a tomada de posição dos escoceses Mogwai — que levaram a bandeira da Palestina para o palco — abriram caminho para o momento mais aguardado do evento: uma lição magistral de quase duas horas dos lendários The Cure, que regressaram a Portugal após sete anos de ausência.

North Festival não foi só música: Teve política no palco e o regresso histórico dos The Cure
Tiago Ferreira/CA Notícias

A edição deste ano do North Festival despediu-se este domingo da Cidade Desportiva da Maia com aquela que será recordada como uma das noites mais marcantes da história do evento. O recinto encheu-se de uma moldura humana impressionante, visivelmente dominada por t-shirts pretas e maquilhagem escura, para testemunhar o regresso dos gigantes The Cure — já não atuavam em Portugal desde 2019.


Depois de Defera, Ordenado Mínimo e Os Tua terem dado o mote à noite no palco JN Rock à Moda do Porto, foi a vez do quarteto lisboeta subir ao palco principal, exatamente às 19h20, quando a luz do final de tarde ainda banhava o relvado da Maia.

Para muitas bandas, abrir um dia encabeçado por monstros sagrados poderia ser um teste intimidante, mas para os Linda Martini foi o combustível ideal para mais uma demonstração de um alinhamento irrepreensível que atravessou o esqueleto da sua discografia.

A banda arrancou sem preâmbulos com “Assombro”, dando mote ao início de um concerto que previa-se calculado ao milímetro. Seguiu-se “E não sobrou ninguém” e “Boca de Sal” e todos os sucessos que o público sabia que ia ouvir. Linda Martini despediu-se com uma ovação gigante, reafirmando que o rock feito em Portugal não precisa de pedir licença para aguentar o peso de um estádio.

North Festival não foi só música: Teve política no palco e o regresso histórico dos The Cure
Tiago Ferreira/CA Notícias

Às 20h50, com a escuridão a instalar-se e uma brisa fresca a correr pelo recinto, os escoceses Mogwai tomaram os seus lugares. O que se seguiu ao longo de mais de uma hora não foi um concerto de rock tradicional, mas sim uma experiência cinematográfica e quase mística, assente nos pilares do post-rock instrumental.

A meio do tema, a banda reduziu o som ao mínimo absoluto, gerando um silêncio sepulcral no relvado da Maia, apenas para voltar a rebentar segundos depois com uma fúria sónica avassaladora. Sem dizerem mais do que um tímido “Thank you”, os Mogwai saíram consagrados.

Conhecidos pelo seu posicionamento político vincado e sem tabus, os escoceses trouxeram a bandeira da Palestina em pleno palco principal do North Festival, ecoando e amplificando o sentimento que os Linda Martini já haviam deixado no relvado horas antes.

North Festival não foi só música: Teve política no palco e o regresso histórico dos The Cure
Tiago Ferreira/CA Notícias

O relógio marcava as 22h45 quando o recinto do North Festival mergulhou ao som de chuva e trovoada, que começou a ecoar pelas colunas. Sob uma ovação ensurdecedora, a figura mítica de Robert Smith caminhou lentamente até à frente do palco. Com o seu icónico cabelo despenteado e lábios pintados, o músico olhou nos olhos da multidão antes de dar o mote para “Alone”, o tema que abriu o concerto mais aguardado do North Festival.

Ao longo de quase duas horas, os The Cure deram uma lição magistral de sobrevivência e relevância artística. A voz de Robert Smith foi a grande surpresa da noite: limpa, afinada e com o mesmo timbre melancólico e sofrido que definiu a pop gótica mundial há quatro décadas.

A primeira hora foi dedicada aos ambientes mais densos e obscuros da banda com canções como “Pictures of You” e “Lovesong”. Mas o momento em que a Cidade Desportiva da Maia veio abaixo deu-se com “A Forest”: todo o estádio bateu palmas compassado, culminando num solo de guitarra de Smith sob luzes verdes que cruzavam o céu.

Depois da escuridão, veio a luz. No encore, os Cure transformaram o festival numa gigantesca festa pop dos anos 80. O fecho do concerto fez-se com “Boys Don’t Cry”. Robert Smith despediu-se do North Festival, deixando a Maia perante a certeza de ter testemunhado um momento histórico.

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