Marco Rodrigues na Casa da Música: um Copo mais que “meio cheio”

Marco Rodrigues esteve de regresso ao Porto onde atuou com o seu quinto álbum “Copo Meio Cheio”. O espectáculo começou e terminou quer com temas de fado tradicional quer com a diversidade que caracteriza este seu último trabalho.

Foi na Sala 2 da Casa da Música, com um espectáculo que teve a lotação esgotada, que Marco Rodrigues regressou à Casa da Música no Porto. A última vez que Marco esteve neste estabelecimento apresentou o álbum “EntreTanto“, mas este sábado foi partilhar um “Copo Meio Cheio” com a audiência.

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A banda foi chegando ao palco, mas Marco optou por uma pequena surpresa ao surgir por uma das entradas principais enquanto cantava um tema de fado tradicional. A sala ficou num silêncio atento à medida que Marco cantava, caminhando lentamente até ao palco.

Ao longo do concerto era evidente a ligação do cantor ao fado tradicional. Mas quem já ouviu “Copo Meio Cheio” sabe que este não se trata de um trabalho demasiadamente ligado ao fado como o conhecemos, mas sim de uma compilação com diversos sons. Neste concerto é evidente que Marco ora consegue cantar temas mais suaves e mais movimentados, assim como a sua flexibilidade tanto com ritmos mais tradicionais como também com modernos.

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A iluminação ora alternava entre cores vibrantes de azul e vermelho no caso das músicas mais animadas, de forma a se destacar toda a banda, ora para uma iluminação mais simples, particularmente nos temas mais lentos. Notava-se bastante este género de iluminação nos momentos em que o fadista ou algum dos acompanhantes mais se destacava a nível instrumental, como nos temas mais característicos do fado tradicional.

Marco sempre admitiu ter um carinho especial pelo Norte de Portugal, particularmente pelo Porto. Não só dialogava regularmente, como também partilhava e ria de piadas com um público que, aos poucos, foi sendo participativo no espectáculo.

A dada altura o cantor amarantês perguntou quantas pessoas da sua terra natal estavam presentes. Uma boa porção da audiência sentada a meio levantou os braços. Acusaram-se também algumas pessoas pertencentes a Vila Real e Viana do Castelo, o que revelou que um público nortenho esteve em peso naquela sala.

Sem dúvida que um dos momentos mais surpreendentes para a audiência foi a aparição de Diogo Piçarra a meio e no fim do espectáculo. Diogo foi um dos nomes que esteve envolvido na composição e escrita do álbum apresentado. Os dois cantores partilharam dois duetos da música “O Tempo” que é talvez a mais popular deste trabalho. A sintonia e cumplicidade entre ambos foi notável em ambos os momentos.

Perto do fim do concerto, ao som de “Mal Dormido”, tema que Marco dedicou ao seu filho, o público já aplaudia, cantava e dançava de pé. “O Porto consegue melhor que isto” disse várias vezes o cantor à medida que puxava pela audiência. Mas como o melhor fica sempre para o fim, foi perto do encerramento que o público se envolveu realmente no espectáculo provando o espírito acolhedor característico da região.

Marco não deixou de agradecer, não apenas aos presentes, mas também à banda que o acompanhou. Entre os membros estavam o produtor Tiago Machado, que Marco descreveu como sendo “Um dos maiores músicos portugueses”, assim como o seu primo João Domingues, que atuou pela primeira vez com o seu familiar. E claro, a Diogo Piçarra a quem não deixou de tecer diversos elogios enquanto artista e pessoa.