Os portugueses têm mostrado cada vez mais interesse no Futebol Americano e na sua maior Liga (NFL), sendo que a Sport TV já mostra jogos 3 semanais e a Liga Portuguesa de Futebol americano mostra um crescimento sustentável.
A este crescimento, não é alheio os comentários que são feitos na Sport Tv por Ricardo Silvestre e Pedro Viana, explicando as regras a cada jogo e que de forma descontraída vão comentando e todas as partidas.
Por esse motivo conversámos com Ricardo Silvestre para nos ajudar a explicar como surgiu esta paixão que já agarra tantos portugueses ao ecrã até de madrugada
CA – Ricardo, como surgiu na tua vida o Futebol Americano
De uma forma menos “consciente”, foi quando passou em Portugal a série de televisão “Dallas” (estávamos nos anos 80) e no genérico inicial havia uma panorâmica, filmada por cima, do então Texas Stadium. Para um jovem, atento aos detalhes, a ideia de haver um campo com linhas e números espalhados pelo terreno de jogo foi algo que fazia confusão. Porém, foi em 1994, quando a SIC transmitiu o Super Bowl, entre os Cowboys, esses mesmo do Texas Stadium, contra a equipa dos Buffalo Bills (o Super Bowl XXVIII) é que fiquei adepto incondicional deste desporto.
CA – Quando estiveste a estudar nos Estado Unidos, tiveste oportunidade de ver vários desportos. Sentiste que os americanos vivem mais o Football que as outras modalidades?
São filosofias diferentes a nível de entretenimento. O Baseball é muito mais um desporto para ir ver com uma mentalidade de lazer. Longas horas a ver uma bola a ser lançada de um lado para o outro, com boa companhia, comida e bebida. Já o hóquei em gelo é um desporto mais “tribal”, com maior identificação com o desporto e com a comunidade. A NBA tornou-se mais uma indústria, de promoção de jogadores e de grupos detentores das equipas, apesar de ser espetacular ver ao vivo. Eu diria que o futebol Americano, seja da NCAA (Futebol Americano Universitário) como da NFL, é mais um desporto da classe operária, que pode, no domingo, quebrar a sua rotina de trabalho, fazer um churrasco (no estádio ou em casa antes do jogo), juntar os amigos mais próximos, torcer pela equipa e pelo significado que a Organização tem. Não diriam que vivem “mais” o Football, mas é de certeza diferente.
CA – Que outros desportos começaste a seguir após este contacto com uma cultura desportiva diferente da Portuguesa?
Todos! (riso) Desde críquete até Curling, passando por voleibol de praia. O que tenha uma bola (ou um disco) é difícil eu não gostar.
CA – Como é um ambiente num Estádio de Futebol Americano? Chegaste a fazer Tailgatting (eventos antes dos jogos onde os adeptos, na parte de trás das suas viaturas, cozinham, comem e convivem)?
Quanto ao Tailgating é fabuloso. Começa com a preparação no dia anterior, comprar as carnes para assar, os salgados e os legumes, os molhos e as bebidas. Depois é ir uma “caravana” de carros (normalmente pick-up trucks) com o assador, a mesa e as cadeiras, as arcas geladas. Uma vez nas imediações do estádio, beneficia-se sempre da excelente organização por parte dos Americanos, onde é atribuído um espaço para estacionar e outro para fazer o churrasco. Depois é confraternizar (entre os amigo, entre vizinhos no parque de estacionamento, e até mesmo pessoas que passam) até à hora do jogo. Importante, que alguém leve uma bola de football para se fazer uns passes. Já dentro do estádio, a experiência sofre um pouco pelas muitas paragens por causa de descontos de tempo e intervalos publicitários para as televisões. Quando a temperatura está muito fria então, pode se tornar numa situação que nem toda a gente guarda boas memórias. Permite é ver o jogo de uma forma que a televisão não consegue replicar, com uma perspetiva global do que está a acontecer, dentro e fora das linhas.
CA – Como é que surge a oportunidade de comentares os jogos da NFL na Sport TV?
Curiosamente foi porque enviei um mail para a Sporttv a oferecer os meus serviços. Via os jogos, gostava do comentador Pedro Martins, e pensei que podia ser de ajuda. Houve um momento onde o Pedro teve de deixar de fazer comentários, e disseram-me para ir fazer um teste que correu bem. No mesmo dia, disseram-me para me preparar para o domingo seguinte.
CA – Em alguma altura te apercebeste da importância e impacto que os teus comentários estavam a ter na divulgação desta modalidade em Portugal?
Hummm…é sempre complicado responder a uma pergunta onde temos de falar bem de nós próprios. Estou a brincar! Não há ninguém melhor do que eu para falar bem de mim próprio (riso). Agora a sério, não sei se será de dar muita importância a isso. Dito isto, o número de e-mails que recebemos a dizer que os nossos comentários (meus e do Pedro Viana) são a razão para as pessoas gostarem do jogo e o quererem ver na nossa companhia tem sido verdadeiramente fantástico. E a generosidade dos espetadores que nos elogiam é algo que nos toca profundamente. Talvez o indicador mais fiável seja a mobilização dos espetadores da Sporttv, quando há um qualquer problema onde é preciso expressar uma opinião para o canal, é muito recompensante ver que um pedido meu (nosso) para os nossos seguidores causa que haja dezenas, às vezes, centenas de reações.
CA – Existe uma tradição interessante, conhecida como Super Leitão Bowl, onde se reúnem as pessoas que acompanham o blog da nflempt.com e os seguidores mais fieis das transmissões da NFL. Fala-nos destes encontros anuais.
São um dos momentos mais giros desta parte da nossa vida. No início começou por causa de um “desafio” de um dos nossos espetadores, e fizemos o encontro na Mealhada, por ser a “meio caminho” entre a Grande Lisboa e o Grande Norte. Comeu-se leitão assado, e fez-se uns quantos passes com uma bola de futebol Americano (que também elas são feitas de pele de porco.). Assim, o nome do encontro “escreveu-se sozinho”.
Desde então que realizamos encontros (anuais). Já o fizemos em Lisboa, Portimão, Porto, Setúbal e mais recentemente Ovar.
Uma coisa muito agradável é que o número de pessoas que têm aparecido aos encontros, assim como a “sofisticação” dos mesmos, tem aumentado consideravelmente. Todos os anos tem sido cada vez mais espetacular. Este ano tencionamos ir ao Interior Alentejano, e para 2018 será em Guimarães (já prometido).
CA – Já chegaste a ir a um jogo da NFL em Londres, como Comunicação Social. Como foi essa experiência?
Extraordinária. A comparação mínima que posso fazer é pedir ao leitor para imaginar uma qualquer situação onde uma daquelas organizações desportivas proporciona um “desejo de vida” para um adepto. É difícil colocar por palavras, desde o primeiro contacto com a organização da NFL num dos melhores hotéis de Londres, até à “minha” hospedeira que me recebeu no Wembley Stadium, até ter um dos melhores lugares no estádio, ter as melhores condições para trabalhar (neste caso, ver o jogo e colocar posts no NFLempT), ter tido acesso aos balneários para falar com os jogadores e à Conferência de Imprensa com treinador e jogadores mais importantes e ter podido aproveitar todas as condições pós jogo na Press Room… um trabalho de sonho (para quem o tem).
CA – Quais são os teus objectivos referentes à divulgação desta modalidade?
Continuar a construir a base de adeptos, e que sejam espetadores fidelizados às emissões. A “fragilidade” em termos este desporto na televisão Portuguesa é maior do que parece. O desporto custa muito (muito, muito) caro, e o mercado Português não é o melhor para se pedir tanto dinheiro a um canal como a Sporttv (ou a qualquer outro)). Uma coisa é o mercado Alemão, Holandês, Inglês, ou Escandinavo, outro é o Lusitano. A precariedade de termos os jogos só se combate com mais pessoas a ver o jogo, a gostar do mesmo, a assinar a Sporttv (ou o que for que o futuro trará) e a exigir, como cliente, que a oferta seja a melhor possível. Ao mesmo tempo, gosto da ideia de continuar a reforçar o sentimento de comunidade. Criando uma ligação entre pessoas, entre grupos de pessoas, apostando nos encontros, seja o Super Leitão Bowl, seja aqueles organizados por grupos de fãs. Fazer também o elogio do Pedro, que criando a página no Facebook “NFLemPT fãs” também tem ajudado a desenvolver esta comunidade.
CA – Tens alguma experiência que guardes com mais carinho ou consideres mais cómica, ligada a esta modalidade?
Hummmm… A primeira vez que estive no Texas Stadium foi muito especial. A ida como parte da imprensa ao jogo dos Cowboys em Londres também é inesquecível. Quanto a uma situação cómica, numa das vezes que tive em Dallas para ver um jogo, da parte da manhã, fui visitar a cidade. Só que fui um pouco “cedo”, e quando cheguei à metrópole, eram nove horas. Imaginem uma cidade como Dallas, que tem à volta de um milhão de pessoas a viverem na proximidade da cidade, completamente deserta (!). Ruas vazias. Negócios fechados. Estradas sem carros. E anda o Português a passear pelas partes mais emblemáticas, quando um carro de patrulha da Dallas Police Department, aciona a sirene, pára ao meu lado, e o agente (com óculos escuros espelhados no rosto –no joke, parecia uma cena de um filme), me diz “good morning, sir, do you need any help?”. O português lá explicou a razão para estar na cidade (para ver o jogo de futebol Americano da parte da tarde) e ajudava ter a camisola que tinha vestido (a camisola n.º 8 do jogador estrela da altura). Os agentes ficaram satisfeitos com a resposta e disseram-me para ter um bom resto de dia. Depois é que percebi o porquê de ter chamado a atenção…era porque aquela hora toda a gente estava nas igrejas, e era por isso que a cidade estava vazia.
CA – Queres deixar algum apelo ou mensagem?
Visitem-nos em NFLemPT.com, ou na nossa página do Facebook e Twitter com o user name nflempt, e estejam connosco nas transmissões da Sporttv. Falem connosco, organizem os vossos clubes de fãs das vossas equipas favoritas, venham ter connosco ao Super Leitão Bowl. Vamos continuar a fazer crescer a “família “NFLemPT.